Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Neste Natal -

Estava para ali descuidada a reler páginas, ao acaso, de livros que volta e meia, folheio por puro prazer de os manusear, quando, na prosa exemplar do grande pensador, que foi, António Sardinha encontrei em - “Do Valor Da Tradição”- o que passo a citar:

Para nós a Tradição não é somente o Passado. É antes a permanência no desenvolvimento.

E mais adiante:

A sociedade é uma criação, não é uma construção, - não é um mecanismo. Porque é uma criação, a sua existência é condicionada por certas leis naturais, de cuja acção convergente um dia resultou. Ora por” Tradição” nós temos que entender necessariamente o conjunto de hábitos e tendências que procuram manter a sociedade no equilíbrio das forças que lhe deram origem e pelo respeito das quais continua durando.

Claro que estou a respigar excertos do texto. Como é óbvio, estou a escolher o que julgo responder melhor a algumas das nossas dúvidas mais comuns sobre tradição, e tradições, conceitos que assimilamos, muitas vezes sem para eles encontrarmos definições que nos satisfaçam.

Penso, que pelo menos, nesta prosa editada em 1942, que mais não seja, como curiosidade, tem interesse adquirir mais estes pontos de referência.

Continuo a citar:

Antecipando-se ao seu tempo, o senhor de Bonald declarava há mais de um século que as instituições do passado, não eram boas por serem antigas, mas eram antigas por serem boas.

Eis aqui o fundamento positivo do “tradicionalismo”.

“A tradição”para nós não vale sentimentalmente, como as ruínas valiam para os românticos, - como uma quantidade morta, que a saudade encheu do seu perfume estranho.

A”Tradição”vale, sobretudo, como a permanência na continuidade

Depois de, citando António Sardinha, falar do valor da tradição, nada mais oportuno que citar um elvense de relevo, o escritor Antonio Thomaz Pires que em 1923 – (tudo lembranças do século passado) – registou para a posteridade em “Estudos e Notas Elvenses”as principais tradições do Natal em Elvas.

Algumas delas, ou muitas delas, terão já caído em desuso.

Porém as guloseimas e comezainas mantêm-se quase inalteráveis, embora a “vigília” já não principie pela consoada ás oito da noite, collação que se compõe de peixe, pão, e esparregado e salada de alfacecom mais ou menos abundância, ninguém resistirá à doce tentação de se regalar com uma azevia, ou uma tirinha de nógado , mantendo assim, viva, pelo menos, a tradição gastronómica, que heroicamente tem resistido ao decorrer dos tempos.

Talvez se tenha perdido um pouco a tradição das searinhas e dos presépios de musgo, e figurinhas...Mas não de todo, bem como as roncas que a pouco e pouco têm vindo a  reganhar o seu espaço cortando, com os seus sons roucos, o silêncio das geladas noites do mês do Menino.

Talvez o pai natal, com o seu colorido e seu saco de brinquedos tenha conquistado um lugar predominante nos nossos costumes, talvez...

Porém, a liturgia diz:

“ Um Menino nos foi dado e ele nasceu para nós!”

A Sagrada Família no Egito

Volto, a António Sardinha:

A dignidade humana só se reconhece nos laços que a ligam ao seu destino imortal no momento em que uma Virgem dá á luz no estábulo de Belém.

Para todos: - Um Santo Natal!

Haja Paz!

                                                 

                     Maria José Rijo

@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.741 – 26-12-03

Conversas Soltas

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 18:53
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5 comentários:
De Dolores Maria a 2 de Dezembro de 2007 às 23:57
OLÁ
Valeu apenas esperar.
Este texto sobre o Natal é muito bonito.
Gosto imenso da festa do Natal e de tudo o que
envolve esta bela quadra.
Gosto da forma deste texto, da forma como fala
nele mas estou muito curiosa, porque tem
falado muitas vezes neste António Sardinha.
Quem era ele?
Conheceu-o?
Sou mesmo muito curiosa, o meu Avelino diz
que sou o "cúmulo da curiosidade" - está sempre
a mandar-me calar.
Mas então...
Gostei imenso.
Muitos beijinhos desta sua amiga
DO LO RES


De Gustavo Frederich a 3 de Dezembro de 2007 às 00:07
Mais um texto encantador, e presumo
ser o primeiro de outros sobre esta
quadra do Natal.
Sabe sou uma pessoa que o Natal não me diz
muita coisa, diverasas razões, levaram-me
a isto - no entanto quando são despertados
alguns fios de alma, da lembrança, que toquem
pontos que quase nem me recordo que as tenho...
não sei se consigo explicar-lhe este mundo
estranho que vive em mim. Não sei, mas tenho
a certeza que os seus textos tocam espiritualmente
essas cordas da minha alma.
É algo novo que só sinto quando a leio - certos
artigos, palavras ou situações - têm essa
força.
OS meus Parabens por essa forma máxima
de beleza e transcendencia que tem consigo.
Tenho notado em muitos textos seus essa
alegria.
Que bom.

Hoje deixo-lhe muitos beijinhos e por favor
já se encontra melhor de saúde?
Se puder dê uma palavrinha - só para eu
continuar a sorrir.

Com imensa admiração
Gustavo Frederich


De Mário a 3 de Dezembro de 2007 às 00:28
Olá.
(A propósito de um seu post antigo sobre "vidas passadas")
Pelo conteúdo do seu blogue e pelos valores e interesses expressos, gostaria de lhe sugir a leitura do livro recente "A REENCARNAÇÃO DE JESUS" do escritor Mário Martinho.
Fantástico, polémico, crítico!

Mais informação em:
http://mariomartinho.bloguepessoal.com


De maria José a 6 de Dezembro de 2007 às 18:11
Fiquei interessada - vou ler depois conto
Obrigada
Maria José


De Flor do Cardo a 3 de Dezembro de 2007 às 14:14
Os seus textos são uma delicia.
Gostamos, emocionamo-nos... são perfeitos.
Adorei o do Grilo, que subtileza, que
maravilha.
Parabéns a Maria José Rijo, minha amiga.
Este seu blog é um triunfo .
Parabéns

Seu admirador
Permita-me que lhe beije a mão

Flor do Cardo


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