Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

À beirinha do Natal

É sempre com um espírito diferente, daquele do dia a dia comum, que se faz esta caminhada do advento.

                         

Quer queiramos quer não, assim como o sol e a chuva, o frio ou o calor influenciam os nossos comportamentos, assim também as festas religiosas como que “contaminam” até o ar que se respira e, crentes e não crentes, se deixam empolgar por lembranças, evocações que conduzem a memórias guardadas no segredo de todas as almas, pelo mistério das nossas sensibilidades.

E, assim como se prepara a nossa aparência usando o melhor fato e, a nossa mesa, procurando paladares e aromas de petiscos tradicionais, para receber familiares e amigos, assim também nos corações deixamos que a ternura e o perdão amolecem as resmungos e impaciências do dia a dia e os afectos como que floresçam nos sorrisos e nos abraços de cada reencontro.

                 

E, se é certo que a dor das grandes perdas permanece como um lastro pesado no fundo de cada um de nós, não é menos certo que o triunfo da Vida, consiste em saber que o sol, ainda que não o vejamos, nasce todos os dias, e com ele a esperança se renova.

 Assim que os desejos bons que não concretizamos, as palavras que calamos e quereríamos ter dito na hora certa a quem talvez as tivesse esperado em vão, e sofresse porque as silenciamos; a companhia que não fizemos a quem triste e só, se possa ter pensado esquecido de todos; a mão que não estendemos a quem já sem forças se rendeu ao desalento porque lhe faltou esse apoio...

                               

Tudo o que achamos que não valia a pena termos feito porque outros o fariam melhor, ou porque a preguiça nos enredou...tudo, nos apareça em consciência, como brasas, ainda vivas, sob as cinzas dos tempos que não soubemos viver plenamente e nos sacuda e nos acorde para uma fome implacável de redenção.

Porém, logo a seguir, perdoamo-nos a nós mesmos porque não somos os salvadores do mundo, não temos tempo para tudo, que é muita coisa, que fizemos o melhor que sabíamos, e mais isto, e mais aquilo, que ninguém é perfeito, e, quase logo, logo, estamos com pena de nós...

                                

Então, como quem ingere um tranquilizante, que muito embora nada cure, tudo esbate e adormece por momentos, aqui estamos nós, ano após ano a despachar quilos de postais e cartas pelo correio com as saudações (de preferência já impressas, para maior facilidade!) a que justapomos apressadamente a nossa assinatura.

E, assim embalamos os nossos sonhos mais altruístas na vulgaridade dos nossos gestos...

                                    

Reconheço!

Reconheço, e deploro os remedeios que quase sempre substituem as mais nobres intenções, porém, aqui me rendo publicamente, fazendo para meu uso, a escolha que – também – mais à mão me calha por me parecer a mais lógica para chegar a todos os meus possíveis Leitores, ao Director e a todos os Trabalhadores do “Linhas” bem com a suas famílias os melhores desejos de Boas-Festas, e de um Santo Natal.

                    

Votos que expresso, também – com muita esperança – para a nossa Cidade, tão à mercê das marés...

 

                                                        Maria José Rijo

 

  P.S.                                                      

Aproveito, ainda, para agradecer, cartas e referências que me têm dirigido, através do jornal, de forma tão amiga, que, muitas vezes, têm sido “a mão” em que me apoio para ir em frente.

Bem hajam!

                                                     Maria José

 

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.845 – 22-Dez. -2005

Conversas Soltas

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 19:50
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2 comentários:
De Dolores Maria a 5 de Dezembro de 2007 às 00:05
Boa-noite
Mas que lindo texto sobre o natal.
Gostei imenso também deste texto.
São todos muito bonitos... e amanhã?
Que será? Que será?

Se a curiosidade matasse - já tinha morrido
certamente (diria o meu Avelino).

Beizinhos e até amanhã

DO LO RES


De Marcos de Passos a 5 de Dezembro de 2007 às 00:15
Passei hoje... já não o fazia faz tempo...
Não é que me tenha esquecido - mas não
tenho tido tempo para andar nestes passeios
entre blogues.
Mas cá estou eu para parabenizar este
trabalho tão bem feito - como é o caso
desta sua casa.

Maria José Rijo ESCREVE BEM, mesmo
muito bem e eu fico contente - muito
contente por encontrar aqui tanta beleza
neste nosso português.
Aqui o português é Rei e os temas tratados
com imensa subtileza, por vezes aguçante
mas PERFEITA no descernimento, lucidez e
actualização do que revela.

Gosto, gosto imenso mas sou forçado a dizer
(como outra pessoa que comentou neste blog)
que a Senhora deveria escrever para um Jornal
de Lisboa,Porto ou Coimbra e não em jornais de
provincia.
O seu estatuto é bem alto, a fasquia passa - e
disso tenho a certeza - os outros articulistas desses
jornais.
(Sem ofensa)
è apenas a minha opinião face a este trabalho
aqui apresentado e tão comentado.
Acho que os blogs têm de ser comentádos para
dar alento a quem escreve porque senão
cai-se numa tristeza desalentadora. - Não é o
caso deste blog.
Congratulo-me por gostarem de a ler.
Eu também gosto de a ler e de comentar a
beleza destes dominios.

Seu admirador

Marcos de passos


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