Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Em Cabinda um soldado menino…

A manhã estava húmida e fria.

Não nevara durante a noite mas as temperaturas muito baixas conservavam intacto o gelo que revestia as árvores tornando-as tão irreais como se fossem de vidro.

Arrepiava vê-las assim, hirtas, sem movimentos, ostentando a pesada beleza do gelo que as fixava em poses de serenas estátuas.

Não se ouviam passos e nas ruas não havia gente. As janelas fechadas dos prédios faziam a fronteira por onde os dois mundos se espreitavam através das vidraças.

Dentro de casa, provindo da cozinha espalhavam-se cheiros conhecidos. Referências culinárias passadas de geração em geração desde tempos já perdidos na memória.

O peru assado no forno, lentamente, protegido por grossas folhas de couve lombarda. A canela que desenhava grafismos sobre o arroz-doce. O azeite fervente onde as filhós empolavam em bolhinhas fritando até doirar. A calda de açúcar baunilhada, para as fatias de ovos – tudo – tudo junto, mandava com os seus condimentos fluidos a mensagem da mesa de consoada, farta de pitéus gostosos, que se ofereciam à gula da família e amigos no regresso da missa tradicional – sobre a toalha de linho branca sobre a mesa com o peso das rendas antigas engomadas a preceito.

= Então tocou o telefone.

   Imperativo, estridente e desajustado som naquela época de cânticos e sinos.

   E, a notícia, breve e cruel, ficou ali pespegada com a inoportunidade do indesejável. Com o peso do que é irremediável e opressor.

Lá em Cabinda… longe, longe, daquela cidade da Guarda – morrera – numa emboscada - um soldado menino, por erro de secretaria, fora parar à guerra no mesmo barco que levara seu irmão gémeo.

A cozinheira eficiente, cheia de orgulho e brio do seu currículo de serviço por embaixadas e casas fidalgas – ignorando a tragédia ia e vinha por entre tabuleiros, tachos e tigelas, atenta e afadigada.

Em grandes alguidares de água boiavam merugens, alfaces e agriões. Era a promessa das frescas saladas.

 

Quando eu apareci no cenário dois olhos amigos me fixaram pontuando com ternura a recomendação:

= Não venha para aqui encher o seu cabelo de cheiros de gordura que não é preciso.

     Eu dou conta de tudo. Vá-se entretendo com as flores e o fruteiro. Ainda não arrumou o azevinho e já aqui tem as camélias que encomendou.

Na véspera andáramos, felizes, lá para os lados do Seixo Amarelo, pisando tapetes de folhagem macias por entre soutos e matos cheirosos, catando verdes com bagas vermelhas.

= Afinal – disse eu – séria e firme: = Já não fazemos festa

    Depois, fria como o “cinzelo”, expliquei:

= Dois sobrinhos em Angola, um irmão que vai para a Guiné antes do fim do ano, os seus rapazes por lá também – sabe Deus como…

= Vamos festejar o quê?

Chamo os nossos amigos para levarem tudo isto, e nós vamos serra a baixo até à nossa gente. Depois de alguma troca de razões, lá acedeu rezingando, contrariada de verdade.

No entanto, vestiu para estrear pelo caminho, um casaquinho novo e ofereceu-me um xaile de malha (que eu vira tricotar diligentemente aos serões) para abafar os meus joelhos nas viagens. E, lá fomos noite dentro.

 

Quando se desce ou sobe a serra avistam-se vales profundos com luzinhas dispersas que quase parecem pequenas estrelas, A observação fê-la, certa vez, uma criança, dizendo deslumbrada:

-- Olha! Olha! O céu vem até cá abaixo!

Por altura do Soito do bispo uma raposa atravessou a estrada a coxear.

A mulher riu porque eu, em voz alta, rezei:

== Boas-festas, Bicho! Que chegues em paz à tua toca para criares as tuas ninhadas.

Tirando aquela minha coraçonada, ninguém falara. O rádio do carro, baixinho, envolvia-nos com cânticos de Natal e breves noticiários.

Corriam as horas consumindo estrada e cada qual fechado nos seus pensamentos.

Começávamos a ficar perto do nosso destino – Caldas da Rainha.

A minha perturbação crescia. Como dizer a uma Mãe que lhe morrera um filho?

Ensaiava mentalmente mil jeitos. Nenhum me parecia certo. Viéramos, piedosamente, traze-la para junto das irmãs. Viéramos, mas eu teria que falar. Teria que contar.

Quando parámos o carro, antes que ela tocasse a campainha da porta, aconcheguei-a a mim e, num grande abraço, solucei ao seu ouvido a triste novidade.

O afecto da família envolveu-a. Ao seu cuidado a deixámos.

 

Na noite calma, cumprida a missão, ficámos sós, longe de casa.

Sós.

Sem coragem para procurar companhia, não querendo levar a ninguém tristeza como presente de Natal.

Fomos até à Foz do Arelho ver-o-mar à luz das estrelas e escutá-lo, indiferente, como o céu às nossas mágoas.

Andámos um pouco a pé, de mãos dadas, depois apertámo-nos num abraço e chorei. Não era pieguice. Era um sentimento transbordante de ternura. Era talvez a doce consciência desta fragilidade de ser gente – de ser nada.

Nada, frente à grandeza da vida ou ao silêncio inviolável e imenso da morte. Nada. E, mesmo assim sentir como em qualquer de nós cabe a ternura que nos verga, dum Presépio, a dor do luto, a medida desmedida do Amor.

 

 

                                            Maria José Rijo

@@@@@

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.247 – 6 de Maio de 1995

 

 

estou:
música: Natal

publicado por Maria José Rijo às 21:28
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11 comentários:
De Dolores Maria a 15 de Dezembro de 2007 às 00:29
Estou comovida!
Até chorei...
Esta história - verdadeira que aconteceu
na sua vida.
Que situação dificil.
Noticias de morte nunca se deviam ter de
dizer a ninguém.

Beijinhos por mais este belo e ao mesmo
tempo - triste - texto de Natal.

Se estivesse ao pé de si dava-lhe um abraço
muito apertado.
Que situação!

Muitos beijinhos TIA
Sem a conhecer - acredite - gosto muito
de si.
BEIZZZINHOS

DO LO RES


De Gustavo Frederich a 15 de Dezembro de 2007 às 00:42
Estou comovido...
Comoveu-me até ás lágrimas.
É verdade.
Este texto belo/triste/ verdadeiramente
cativante fez-me pensar, aliás todos os
seus textos fazem pensar.
São profundos, ensinam, explicam pedaços
de vida, de sentimentos e lá... encontramos
a verdadeira Maria José Rijo - uma alma
bela de sentimentos puros e verdadeiros.

Este texto é arrepiantemente perfeito .
As suas palavras levaram-me em todo o
momento (a ver pelos seus olhos - a sentir
a comoção que sentiu ...) Meu deus...
Gostei imenso e nem tenho palavras para
expressar tamanha beleza.

Sou um apaixonado pela palavra, por este
encantamento que descobri aqui - nesta sua casa,
pedaço da sua alma, do seu coração.

Para quem está longe da patria, ler um
blog onde os sentimentos estão à flor da pele
e são aprofundados desta forma brilhante.
Sabe, D. Maria José se me permite -
gostava imenso de ser seu sobrinho. É cativante
ter uma pessoa de familia assim - de alma
tão bela e pura.

Bem haja pelo blog cuja "fala" me enternece
a alma e me aquece o coração (que por vezes
é feito de cinzelo).

Boas Festas

Gustavo Frederich


De Manuela Fradique a 15 de Dezembro de 2007 às 00:49
Sou o visitante - 30.200 neste seu belissimo
blog.
Gosto de passar por aqui e faço-o todos
os dias.
Nem sempre comento mas sempre tiro uma
cópia para a minha pasta da Net.
Navego imenso e dos texto que gosto (aqui e
ali) tirou algumas copias - mas digo-lhe que é
daqui que o meu dossier está cheio.

Adoro a sua forma de chegar ao coração
de quem lê. Gosto como expressa os seus
sentimentos e nos mostra os caminhos que a levam
pela estrada da vida.

Hoje estou comovida.
É um texto bonito, sensível e verdadeiro.
Belas palavras numa situação tão dificil.
Parabéns.

Sua admiradora on-line
Manuela Fradique


De Adalgisa Alexandra a 15 de Dezembro de 2007 às 00:55
OLá
Boa noite e muitos Parabéns por este artigo.
Doze anos nos distanciam desta tristeza.
(Talvez até sejam mais...)

Estou sensibilizada.
Não consegui reter as lágrimas.
Meu Deus, que situação... eu não saberia
como fazer.

É sublime esta sua forma de contar.
MUITOS PARABÈNS

Gisa


De Lurdes Cipriano a 15 de Dezembro de 2007 às 00:58
Beijinhos de Parabéns.
Fiquei enternecida.

Felicidades

Lurdes Cipriano


De Avelino a 15 de Dezembro de 2007 às 01:07
Boa noite...
Agora que a minha Dolores se deitou vim eu
ler o seu artigo.
Ela toma posse da net e mais ninguém cá pode
chegar...

Vim ler, como leio sempre.
Tocou-me bastante este seu artigo.
Chocou-me também, é verdade. Eu estive
em África - fui lá soldado e sei o que era isto...
perder filhos, amigos, familiares...
Compreendo mas ...
Foi muito dificil para si mas no fim tinha
quem abraçar e isso é reconfortante.

Gosto sempre do que escreve, mas hoje
tive de comentar. A minha mulher chorou
imenso, de comovida - acho que viveu o seu
drama com intensidade.

Um abraço e Feliz Natal

Avelino


De Mateus Alferes a 15 de Dezembro de 2007 às 18:53
Minha Senhora estou comovido com
esta sua história verdadeira.
É um conto de Natal - impressionante,
deveras triste. Comoveu-me até à alma.
Quase chorei e não é pieguices.

Muitos Parabéns pela coragem imensa,
sua e de seu marido - numa tragédia como
esta - na noite de Natal.
Só pessoas de grande alma e coração fizeram
o que os Senhores fizeram.

Parabéns pela atitude e por esta forma
SUBLIME de escrever e transmitir ... desta
forma.

Saudações natalicias.

Mateus Alferes


De Gustavo Frederich a 15 de Dezembro de 2007 às 22:24
Voltei...
Tenho andado todo o dia a pensar
neste seu texto e devo dizer-lhe que
a Senhora passou um mau bocado.
É verdade!
Deixar a ceia de Natal, os convidados...
tudo pelo que tinha trabalhado nos ultimos
dias para que aquela noite fosse bem passada...
abate-se uma desgraça destas...
Só mesmo uma (não duas - a Senhora e o seu
marido) - foram capazes de abandonar tudo
para percorrer aquela distancia - de noite para
levar a empregada para junto dos familiares...
Só almas grandes, generosas, amigas e cheias
de uma ternura imensa pelos outros - foram
capazes de um gesto GRANDE como este.

Estou impressionado e quando penso em si e no
seu marido olhando aquele mar nocturno, na
noite de Natal - sinto orgulho - orgulho de haver
pessoas lindas como o casal Rijo - capaz de uma
atitude tão cheia de NATAL.

A Senhora é dotada de grande sensibilidade e
riqueza de coração, que eu atraves deste blog
tenho tido o privilegios de a "conhecer" - atraves
das suas palavras/ da sua voz.

Bem haja,
beijinhos e Feliz Natal

Gustavo Fredrich


De Dolores Maria a 16 de Dezembro de 2007 às 01:04
Boa noite... Boa-noite...
Já é bem tarde mas estou com insónia.
O meu Avelino dorme a perna solta e eu saltei
da cama para vir bisbilhotar se a nossa
Paulinha já tinha novidades para a Dolores
( e não só - claro )... e tinha...
Estou muito contente.

Este texto é muito... eu nem sei como dizer
mas o comentário do Gustavo Frederich está
muito verdadeiro - concordo com ele em tudo.

... Mas aqui hoje... esta foto - a Senhora e o
seu lindo marido - aliás - ambos muito bonitos,
se me permite passar o elogio à vossa beleza.
Gostei imenso!
...
Agora vou ler o primeiro texto e comentar,
obviamente.

DO LO RES


De Luis Coronado a 16 de Dezembro de 2007 às 01:17
Li atentamente este seu artigo e deveras que
estou ainda - eu nem sei como dizer - mas
tocou-me fundo no coração.

Foi uma atitude muito digna e eu nem sei se hoje
em dia haveria muita gente que fosse capaz de um
gesto como o do casal Rijo.
Enternecedora imagem onde a caridade e a
amizade falaram tão alto - que por ajudar a amiga
deixaram tudo para tras - terminando sozinhos.

Sou sensivel e estou comovido.
Os homens também se comovem e choram.
Falo por mim sem pruridos.

É encantadora a sua forma de escrever,
a habilidade de contar e encantar.
Se me permite vou levar uma cópia amanhã
para o meu amigo, sacerdote Manuel Jesus,
poder ler este magnifico relato de vida, sen-
sibiliade e amor ao proximo.
Ele também saberá distinguir sem rodeios as
almas gentis da Senhora e seu marido.

Que tenha um Feliz Domingo e que o
Senhor Nosso Jesus Cristo nos acompanhe
agora e SEmpre.

Cumprimenta-a
Luis Coronado


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