Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Uma visita mais

Mais uma visita, mais um pouco de conversa, aliás, outra coisa não é de esperar, quando tal acontece.

Alguém que aparece, sempre tem hipótese de contar algo de novo.

Ora, não é que fui informada – e, tendo sido publica a apreciação, era fatal que ela correspondesse ao desejo de quem a fez, de que chegasse ao conhecimento dos visados – duma precipitada e infeliz apreciação feita por quem deveria ter o cuidado de não falar do que desconhece...

Assim, como o recado, era para chegar...chegou.

Falemos dele, então:

Foi muito, muito feio, que um convidado na mesa de honra de uma festa de aniversário, ou, outra que fosse, começasse a sua intervenção apostrofando pejorativamente, uma discreta saída de três pessoas que por imperiosa necessidade deixaram o recinto, esgueirando-se – para não incomodar – enquanto soavam as palmas entre a actuação de um orador e a de outro.

Foi feio, muito, muito feio e intempestivo.

Mas...

  

                    Sonetos completos de Bocage . Manuel Maria Barbosa du Bocage 1

Como dizia Bocage, quando mandou flores a quem lhe mandara lixo – “cada qual dá do que tem!”

- Eu, se rosas tivera, na circunstância dá-las-ia, ao Senhor da Piedade, (que tão invocado é por tão devoto crente) não para que lhe perdoasse por metade, mas, por inteiro. Metade já nem por artes de magia... seria suficiente, até, porque uma coisa, não dá nada com a outra.

Só venho lembrar que estando eu, na idade – talvez já “de diamante” – mereceria algum cuidado a quem protege “a idade de ouro.”

Jóias, são sempre jóias, e, por vezes, quanto mais antigas mais preciosas, talvez mesmo de maior fragilidade.

Porque não preocupar-se com essa possibilidade? – E fazer o raciocínio expontâneo – das pessoas, ditas normais:

- O que teria acontecido para que pessoas amigas que sempre estiveram ao lado do promotor da festa se ausentassem?

Porquê – sem hesitação atribuir grosseria e falta de educação quando não se conhecem as causas de algumas atitudes?!

Será que foi por comparação com comportamentos próprios?

Porquê sentir-se alguém, tão dono do mundo, que nem pensa – nem vê – que “a ofensa”, se existisse (o que na circunstância, era impensável) era para quem tinha feito o convite!

- Nunca, para um qualquer outro convidado fosse qual fosse o seu lugar político.

Será que por distracção minha, ou cegueira, não identifiquei o centro do universo!

Convenhamos que em Elvas os poços de petróleo não são de “Hugo da Venezuela”.

São outros os poços e, têm outro dono...

Porém, quem respira tantos vapores “do incenso da adulação”, não admira que a cabeça, por vezes, lhe ande à roda e nada mais vislumbre que o seu próprio ego.

No dia em que, terminada a representação, a divindade, tiver que se despedir do palco – embora esteja na vida bem acomodada – verá que é capaz de contar em seu redor, mais avestruzes do que admiradores...

                               

 Lembrei-me deste bicho, porque dele se conta, que mete a cabeça na areia para não ver o que lhe desagrada.

Não sei se é verdade.

Razão porque não o afirmo.

 Não espalho boatos.

                                          

                                          Maria José Rijo

@@@@

Jornal O Despertador

28 de Novembro de 2007

Nº 221

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 16:48
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5 comentários:
De Dina a 19 de Dezembro de 2007 às 00:11
Nem vale a pena pensar muito...enfim!
Bjs


De Flor do Cardo a 19 de Dezembro de 2007 às 00:46
Texto perfeito!
Na plena medida...
Nem mais nem menos...
Quem não tem educação, tem obviamente
de aprender.
Estas situações passam-se a diário... com A B e C.
Não melhoram... NUNCA...

Adorei este seu artigo.
Maria José Rijo escreve na verdade, sem
pruridos mas sempre de forma ELEGANTE,
peculiar - esta sua forma única - que sempre
nos habituou...
Jornal sem artigo seu - não é Jornal... são
umas quantas folhas de papel que suja as
mãos - sem motivos de interesse - é assim
que na maioria das vezes penso nos jornais
elvenses...

Lamento sempre quando recebo os jornais
e não a encontro, no interior das suas paginas.

Agora sou fã destas modernices de Internet, e
dos blogs.
Este - blog - este seu cantinho na rede - é do
meu agrado - aqui leio e releio o que tem para
nos oferecer.

Está muito bonito e esta sua sobrinha(?) tem
muito gosto em como embelezar - o que já tem
muita beleza - a meus olhos.

Termino ( antes que os caracteres terminem)
desejando-lhe um Feliz Natal pleno de alegrias,
e muita Luz .

Com amizade e dedicação,
beija-lhe a mão

Flor do cardo


De Dolores Maria a 19 de Dezembro de 2007 às 00:50
OLÁ
OLÁ
Boa-noite e muitos beijinhos...
Estou muitoooo constipadinha... de cama...
irra com esta gripe...

Vim beber um chazinho e aproveitei para
vir ler a minha amiga e Tia.
Espero que tenham aprendido com o texto...
esse alguém sem educação...
Gente grosseira - depreendi... ignorantes...

Mas sempre belissimos estes artigos.

Beijinhos
Até amanhã...
Vou tentar adormecer esta gripe que me
está a chatear...

Beizinhos

DO LO RES


De Manuel Zé a 19 de Dezembro de 2007 às 00:52
Olá eu tenho 16 anos e estive a ler o seu
blog.
Gostei muito...

Gosto muito de avestruzes e ainda gostava de
montar numa. Deve ser muito divertido.

Manuel Zé


De Gustavo Frederich a 19 de Dezembro de 2007 às 01:03
Interessante relato.
Gostei de ver como tão bem contornou esta desfavoravel situação de plena ignorancia.
Realmente há pessoas que falam mais do
que desconhecem do que do contrário.

Há muito boa gente que adora ser engraçadinho
em vez de fazer, dizer ou mantar os labios cerrados
- em vez de asneirar.

Mas então -normalmente ( e isto noto eu) mesmo
por aqui onde as florestas são negras - que
quem vem de baixo e sobe pulando (por vezes)
sobre outros - quando estão no alto
descontrolam-se e aí as origens falam mais
alto - as suas ideias desorganizam-se e perdem
o pé... flutuam naquele mundo da ignorancia de
principios de educação...

Hoje em dia é muito comum...
Como dizia a Dina (aqui num comentário)
essa gente ignora-se (se se conseguir)
porque na ignorancia é o seu lugar...

Não sei! Digo eu...
Mas é sempre muito desgastante...
encontrar locomotivas fora dos carris...

Beijinhos e Feliz Natal

Gustavo Frederich


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