Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

“Promessa é dívida – daqui não há que fugir”

Frente à profusão de papelada que me vou esforçando por compulsar…

Frente a tantas pequenas empreitadas que se adiam, nos pesam, por essa razão, na consciência e nos acrescem a desconfortável sensação de que o tempo nos falta para o que sonhamos empreender…

Lembrei-me hoje, mais uma vez, de uma frase de Eurico Gama.

Aliás, já na nota de abertura que escrevi para a sua “Monografia Resumida” – Elvas Rainha da Fronteira – publicada aquando da inauguração da Sala da Biblioteca a que foi dado o seu nome em 1986 – tive a ocasião de a referir:

“A Vida é tão curta e eu tenho ainda tanto que fazer…”

Confidenciou-me então, sua mulher a saudosa Senhora Dona Maria Amélia Pires Antunes Gama, que este desabafo que lhe escutara em Portalegre – para onde fora tratar-se e de onde – depois, já foi trazido para esta sua muito amada terra – abrangia, também um desejo em que ele se empenhava havia anos; - Fazer entrar na Biblioteca Municipal os manuscritos (9 grossos volumes) que narram a história genealógica dos Vasconcelos de Elvas…

Foi assim, pelos custos da amizade e confiança em mim depositadas, que herdei o sonho de Eurico Gama para que eu continuasse o que prometi.

-Promessa é dívida. Daqui não há que fugir.

Eis porque, de 86 para cá, tenho vindo a esforçar-me para honrar o meu compromisso.

Cessação de responsabilidades políticas, não invalida a responsabilidade que advém da palavra empenhada.

Assim, que, consegui que me fosse reafirmada a oferta, já antes, prometida a Eurico Gama, pela possuidora dos documentos.

Foi-me também afiançado ter sido o Senhor Doutor Silvestre incumbido da sua entrega logo que localizados.

Até que um dia, tive conhecimento pelo meu muito respeitado amigo – Senhor Semedo – do achamento da dita documentação entre o enorme espólio da benemérita Senhora, que, entretanto falecera.

Averiguei do atraso no cumprimento do estabelecido e acatei, não muito a gosto, a demora da sua entrega à Biblioteca, sua legítima herdeira, pois que, sendo tão altamente interessantes eles haviam despertado a curiosidade de os ler ao ilustre interveniente no processo.

Por capricho do acaso, esta mesma informação me foi confirmada pelo próprio Dr. Silvestre à porta da Igreja do Senhor Jesus da Piedade, onde tive o gosto de o cumprimentar.

Ora, não é que hoje, pensando naquele conhecidíssimo: poema: “O passeio de Santo António” dei comigo a sorrir pensando que eu fora o Santo, se calhar, a minha queixa a Nossa Senhora não seria pela curiosidade do Menino Jesus…

Só que, não tendo eu, assim acesso ao céu, não admirará – julgo – que se nalguma das minhas voltas encontrar por aí, o Senhor Dr. Silvestre, como, até, já aconteceu – para além da alegria de o rever, eu comente:

           -- Valha-nos Deus, Padre!

               Que devagar que o Senhor lê!

 

                                Maria José Rijo

 

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.257 – 15 de Julho de 1994

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:00
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3 comentários:
De Flosinha a 3 de Janeiro de 2008 às 22:07
Feliz 2008 com muita saúde
Beijokas


De Dolores Maria a 4 de Janeiro de 2008 às 11:13
Bonito o Texto.
Realmente os padres devem de ler muito devagarinho, depois se já são velhotes -
com a falta de vista e o esquecimento até
se devem esquecer do latim...

Minha amiga ontem tive uma festa de anos
o que me levou todo o serão e nem pude vir
ao seu blog.
Mas cá estou hoje - sem falta.
Beizinhos

DO LO RES


De Gustavo Frederich a 4 de Janeiro de 2008 às 11:19
Bom dia
Mas hoje tem aqui um bonito texto, é pena é que
esses livros andem perdidos e não regressem
ao lugar de onde foram tirados... esse Sr. padre
Silvestre realmente lê muito devagar...
pela data do artigo - isto já deve ter acontecido
antes dele - não é normal - que o membro do
clero se abotoe assim com livros de outrem...
que vergonha!
E a este momento já devolveu os ditos volumes?
Bom... estou boquiaberto...

Minha amiga este texto é muito bom e gosto
sempre de os ler.
Com imensa amizade
Seu amigo

Gustavo Frederich


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