Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

A AMENDOEIRA

Se alguém murmurar: Algarve

inda que seja baixinho

Há-de haver quem sonhe férias

Há-de haver quem sonhe mar...

Há-de haver quem pense em doces

(gulodices, lambarices, Dom Rodrigos!...

Que manjar!)

Também há-de haver quem sonhe

com as noites de luar

em que é uso contar lendas

em que há moiras encantadas

e princesas de pasmar...

“A princesa era do norte

do país da neve fria

e estava à beira da morte

só porque a neve não via !...”

- Quem não escutou esta lenda?

- Quem não ouviu já falar

desse rei apaixonado

lá dos reinos do “Al Garbe”

que a temer p’la sua amada

que sofria a nostalgia

das neves do seu país

acreditou com fervor

que muitas amendoeiras

juntinhas a florir

haviam de a salvar

ou, talvez, fazer sorrir...

E, quando em noite de ardentia

com as ondas como chamas

dando luz como as estrelas

desafiavam o luar...

A princesa suspirando

para ouvir melhor o mar

foi-se encostar à janela

como fugindo à insónia

que a andava a matar

e à saudade pungente

que minava a alegria

do seu gosto de reinar...

- Então... olhando sem querer

por todo o campo em redor

a amendoeira em flor

luzindo à luz do luar

e ao clarão da ardentia

pensou que o manto branco

que o horizonte vestia

era tal e qual a neve

que finalmente revia...

 

Curou-se; ficou feliz

e não mais carpiu nostalgias

das neves do seu país.

 

- São assim feitas as lendas

com moiras, princesas, fadas

Sonhos, esperanças, desejos...

Com pureza de flores

e a doçura de alguns beijos...

- São assim feitas as lendas...

pela fé, crença e fervor

que os milagres acontecem

Só a quem crê no Amor.

 

Maria José Rijo

 

@

Livro das Flores

Flor - Nº2

Fotos do Blog

http://olhares-meus.blogspot.com/

estou:

publicado por Maria José Rijo às 00:14
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10 comentários:
De Gustavo Frederich a 4 de Fevereiro de 2008 às 01:43
Encantado!
Deliciado!
Maravilhado!

..
Poesia Japonesa de Haiku

Sol penetrante
Energia sã e madura
Em ti sou tua.


Folhas ao vento
sedução fria e volátil
Bocas coladas.

Inverno azul
Águas frias, paradoxal
Espera tardia.

Oliveiras em flor
Corpos quentes e suados
Quase perfeição.

Seara em movimento
Cabelos longos de verão
Penteados pelo vento.

Neve suave
Tranquilidade selvagem e abafadora
Sedutora.

...

Gostei imenso e estou muito interessado
neste seu livro. Quero conhecer mais flores
se a tia me permitir conhecer a sua colecção.
Eu gosto imenso de margaridas, violetas e
Ciclames.

Beijinhos Tia
Grato por ter o prazer de "conhecer" aqui
pessoa tão sensivel e amiga.
Com imensa admiração

Gustavo Frederich



De Maria José a 5 de Fevereiro de 2008 às 15:27
O poema que me deu a conhecer é uma verdadeira maravilha.
Lendo-o, parece que se vê acontecer como uma manhã nasce! - Cria um clima próprio, com aquele toque do que nos chega do lendário oriente.
Muitas vezes gostaria de saber onde acaba a prosa poética e começa a mensagem misteriosa da poesia genuina.Porque não consigo essa lucidez acho que,não escrevo poesia.Apenas toco nas coisas com o deslumbramento de quem ama a Vida.
Obrigada pelo interesse de quanto escreve.Neste mundo de desencontros há sempre um poema, um pensamento,um ponto de luz onde, cada qual a seu jeito, fixa o olhar e todos se encontram.
Meu marido e eu criavamos ciclames.Era uma paixão.
Como ele partiu numa Primavera, a nossa varandinha parecia uma montra de cores e de beleza.
Essa foi uma da últimas imagens que ele levou da nossa casa - veja que coincidência...
O pátio de entrada da casa de meus Pais era lageado de ardósia, minha Mãe, substituiu a relva, por violetas, nas largas frestas entre elas.
Neste mês, era o apogeu da sua floração.
Em relação a Virgílio Ferreira , como também a Torga,( ambos meus eleitos preferênciais para o Nobel - nunca, quem foi...)Alçada Babtista,e muitos outros escritores contemporâneos, tive o privilégio da estima do, também escritor João Falcato que de Coimbra, todos conhecia com mais ou menos intimidade e das suas vivências nos desvendava pormenores cheios de interesse.
...E, vou deixa-lo em paz, que tem mais que fazer do
aturar a minha tagarelice.
Um beijo
Maria José


De Horácio Gomes a 4 de Fevereiro de 2008 às 01:44
Gosto de flores.
Aprecio a forma como fala delas.

Bem haja por ter este blog tão belo.
Parabéns

Horácio Gomes


De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2008 às 19:11
Bem haja Horácio Gomes por nos visitar.
Afinal as converss só ganham sentido se alguém as escuta...e responde.
um abraço
Maria josé


De Nicolau Demetrio a 4 de Fevereiro de 2008 às 01:48
Já fazia algum tempo, meses acho eu que não
vinha a este blog.
Algo de descuido, acho...
mas voltei - e bom filho a casa volta...

Este blog é particularmente belo, tem fotos
maravilhosas e é de uma lucidez incrivel.
Gosto da sua lucidez.

Parabéns
N. Demétrio


De Maria José a 5 de Fevereiro de 2008 às 15:51
O blog é obra da minha sobrinha Paulinha.
Eu própria sou aqui uma visitante, e se é verdade que os textos são meus, também é verdade que ela , com o seu real pendor artístico, tudo valorisa com as belas fotografias que consegue tirar captando minúcias que escapam a quem olha sem ver...
Obrigada pela atenção da visita
Maria José


De Flor do Cardo a 4 de Fevereiro de 2008 às 02:25
Muito belas as suas poesias.
Sou um apaixonado pela beleza branca destas
árvores.
É realmente agora o tempo da sua floração.
Tem aqui fotografias excelentes.
Minha amiga a vida é bela... os humanos é
que fazem dela o negrume que parece...

Com amizade
Flor do cardo


De Maria josé a 5 de Fevereiro de 2008 às 16:12
É natural que conheça, mas se tal ainda não acontecer visite as encostas do rio Douro quando da floração das amendoeiras. O Algarve, ao pé daquele esplendor é como um postal ilustrado frente a uma paisagem imensa.
Que, o lilás da flor do cardo não é menos bonito que o branco da flor da amendoeira.
Meu marido e eu partimos da Guarda e fomos até Freixo de Espada à Cinta beirando o rio sempre que possível
Estou-lhe grata - um abraço
maria josé


De Bernardo Oliveira a 4 de Fevereiro de 2008 às 09:21
Bonito e especial.
Este poema é lindo.
Os meus Parabéns.

Bernardo Oliveira


De Maria josé a 5 de Fevereiro de 2008 às 16:20
Termino o agradecimento das visitas recebidas falando com Bernardo Oliveira, e assim acabei preenchendo com agrado uma tarde, de um dia tristonho, em que me soube muito bem tão boas companhias
Obrigada - bem hajam!
Maria José


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