Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

A PAPOILA

A papoila tem o tom vermelho, rubro da festa em brasa.

E, no verde manso do trigal - se aparece

É o grito que contesta a cor certinha o ondular cadente

ao toque do tempo - compassos do vento!...

É a gargalhada insólita, inesperada

que desfralda a revolta recalcada !

E... a papoila sabe!

Cativante! - Erótica, ao tacto macia...

tem toque de pele - morna como um ventre ...

tem toque de seda - um mole de veludo

                             - Um nada de cada - um pouco de tudo ...

Por isso, disfarça o olhar pestanudo

de estames fartos que o ópio perturba...

- Sabe-lhe o negrume e esconde-o bem

na cor escaldante que as pétalas tem.

- Bem de longe chama! - sou de sangue e lume!

- Sou de sangue e lume!...

- E, só se colhida - de morte já ferida

em requebro de tango, maldosa, perdida

sensual, pagã - confessa o ciúme

de usar veneno em vez de perfume.

.

Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES

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publicado por Maria José Rijo às 00:04
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5 comentários:
De Dolores Maria a 13 de Fevereiro de 2008 às 00:28
Meu Deus...
Sabe que eu adoro papolilas...
Adoro ve-las no campo , vermelhas, rubras...
A tia canta tão bem as flores, tem uma sensibilidade
imensa e apanha - a alma das flores - para as
descrever - para falar delas.

Os meus Parabéns
e muitos Beijinhos

DO LO RES


De Gustavo Frederich a 13 de Fevereiro de 2008 às 01:46
Passei para dar um beijinho
a esta tia que escreve divinamente bem.
Esta papoila é um espanto.
Senti o calor nos campos onde nascem, o
perfume dos malmequeres...
Hummm que saudades...

Sabe tia... esta-me a custar deixar a minha
floresta negra, por onde deixava a minha alma
caminhar, nas noites de luar...
é estranho... mas a minha alma parece sozinha...
mas, então...
Beijinhos Tia este seu blog é uma delicia.

Gustavo Frederich


De Adalgisa Alexandra a 13 de Fevereiro de 2008 às 19:58
Lindo este seu poema .
A Senhora tem mesmo mão para a poesia
e as suas flores são... uma coisa.... especial.
Este sua forma querida de falar.
A Tia é mesmo um ser ESPECIAl - este blog
é prova das minhas palavras.
Obrigada Tia
Beijinhos

Gisa


De Flor do Cardo a 13 de Fevereiro de 2008 às 20:07
Cara Maria José
Hoje - agora - deparei-me com estas belas
Papoilas - Lindas as fotografias e Lindissimo
o poema que as canta.
Este livro das Flores não o tenho na minha
colecção.
Andei a procurar nos meus jornais e encontrei
algumas delas publicadas - no entanto - não
dei conta de que V. Exª., tenha feito este
lançamento.
Poderá a minha amiga informar - este seu velho
admirador onde posso eu adquirir este BELO
Livro das FLORES ?

As papoilas estão nas minhas reminiscencias
muito vincadas, aliás, - as papoilas e o malme-
queres. Lindos campos, os meus olhos tiveram o
prazer de olhar.
Estou encantado, admirado e feliz por a Senhora
ter este blog para todos podermos apreciar a sua
cultura e sensibilidade, a sua bela prosa e singular
poesia.
O meu amigo Cipriano - que a Senhora também
conhecia - falou muito certo - sobre a beleza
da sua poesia.

Que bom, que posso vir a esta sua casa.
Obrigada.
Seu admirador

Flor do Cardo


De Paulo Canas a 22 de Outubro de 2008 às 10:47
Meu nome é Paulo Canas. Sou de Montemor-o-Novo (Alto Alentejo, Portugal). O nosso município tem como logotipo o nosso castelo e a papoila. Isto é a nossa relação com esta tão frágil flor é próxima. Aqui no meu serviço na Câmara Municipal (Serviço de Relações Públicas e Comunicação) adorámos este seu poema que vimos pela primeira vez nas páginas de um Jornal local ("O Montemorense, pág. 20, n.º 300, Outubro de 2008). Gostámos tanto que pedíamos, caso assim o permitisse utiliza-lo em, por exemplo, nalgum folheto da Câmara.

O meu e-mail é: pcanas@cm-montemornovo.pt


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