Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Vamos lá ver...

Ora, vamos lá ver se é desta feita que aquieto a minha consciência!

E, convenhamos que está mais do que na hora!

É que havia dantes uns meses que tendo os mesmos trinta, ou trinta e um dias, do que os de agora, conseguiam perfazer uns anos em que eu arranjava tempo para cumprir propósitos a que por gosto, ou por dever, me devotava.

Mas, o que é feito desse tempo elástico, eu não sei.

Sei que continuo a agendar tarefas que gostaria de ter cumprido quando as agendei como desejáveis e prazerosas, e o “tal” tempo se escoou deixando-me a mágoa, quase o remorso, pelo que desejei ter feito e, não consegui realizar.

Vamos lá ver, então, se de hoje não passa.

Tem isto que ver com três escritores. Dois de Elvas, a saber: - Amadeu Lopes Sabino, Maria do céu Barradas, e, um terceiro que não é natural da nossa cidade – António de Almeida Santos.

(A que agora junto mais um nome de outra elvense: - Teresa Direitinho!)

Porque junto os nomes dos primeiros três que cito, é que, é o engraçado da história.

Vou contar:

Maria do Céu Barradas, (escritora- com justiça - bem apreciada) trouxe-me, há anos, de Bruxelas um livro interessantíssimo da autoria de Amadeu Lopes Sabino – de que ele próprio me fazia presente – “A Homenagem A Vénus”.

Não fora a aguçada consciência da minha real dimensão, e, logo após a leitura que dele fiz, de imediato teria ousado escrever contando como e porquê me deliciou a obra citada, o que não cheguei a fazer porque o reconhecimento da dimensão do que nos encanta, por vezes, rouba-nos a ousadia da sua abordagem...  

Acontece que hoje ao retomar em mãos o livro, e vendo os sublinhados que marcam profusamente as suas páginas, e me recordam como me encantou a sua leitura não resisti a vir recomendar que não percam a oportunidade de tomar conhecimento com este escritor, através da sua obra.

Ora, esta crónica acontece por outra razão que também vou contar.

Sabendo do meu apreço pela escrita de Lopes Sabino ofereceram-me, posteriormente, de sua autoria: - “A Lua De Bruxelas.”

Algum tempo depois também Maria do Céu Barradas fez chegar ás minhas mãos o seu terceiro romance – “Os Encontros Em Bruxelas”.

Fui sensível à coincidência de a capital da Bélgica estar presente no título de ambos os livros, que sendo de géneros completamente diferentes, cada qual, como é óbvio provoca emoções diferentes na forma de encantamento que proporcionam.

Entre eles não há semelhanças. Apenas Bruxelas, como cenário lhes é comum.

Como e porquê Almeida Santos aparece nesta conversa? – é pela coincidência de que tendo então , eu, adquirido – “Quase Retratos” – livro desse autor, me deparei, logo após a abertura da obra com Almeida Garrett, como o primeiro retratado.

Circunstância que me devolveu ao livro de Sabino (A Lua De Bruxelas) que duma forma apaixonante evoca a vida de Garrett nessa mesma capital. (o livro, não é apenas isso!)

Pensei então juntar os três escritores neste comentário porque senti que era meu dever lembrar aos elvenses, ainda, menos atentos do que eu, que agora, com o Natal à porta, o livro, um livro, é sempre um presente útil e de bom gosto.

Um presente inteligente, que nos pode acompanhar toda uma vida...e, nos pode sobreviver...

Então, agora que a intelectualidade elvense tem a sorte de ter sido enriquecida com a estreia literária de -  Teresa Direitinho, com – “O princípio da atracção”

 

–obra que se lê de um só fôlego, quer pelo interesse que o entrecho  suscita, quer pela sua qualidade literária, quer, ainda, pela fluidez e beleza  da narrativa, e que, além do mais, como as obras de Céu Barradas, e algumas de Amadeu Sabino, também refere,  com frequência locais que nos são familiares – quase me parece pecado que alguém os não conheça...

Penso que nunca mais irei a Juromenha, sem levar no meu coração a lembrança do livro de Teresa...

Quando de “tanto” nos lamentamos, vale a pena conhecer aqueles de quem nos podemos e devemos orgulhar.

                              Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.735 – 14/ 11 /03

Conversas Soltas

 

                                        

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 23:45
| comentar | Favorito
partilhar
2 comentários:
De Dina a 14 de Fevereiro de 2008 às 01:26
Encontrei o livro da Teresa Direitinho por acaso e li-o duma assentada.
Quanto aos outros reconheço que nunca li nada nem nunca vi nenhum desses livros à venda. Mas aguçou-me a curiosidade.


De Adalgisa Alexandra a 14 de Fevereiro de 2008 às 12:11
É muito interessante este seu artigo.
Não conheço nenhum destes autores, nem tão
pouco ainda li nada deles, mas pela sua sujestão
devem de ser bons livros.
Vou mesmo comprar os três.
Acredito que seja optima a escolha.

Um grande beijinho Tia

Gisa


Comentar post

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Junho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
23
24

25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Parabéns Luciano

. CONVITE

. Cá Estou ... - 2

. CORAL PÚBLIA HORTÊNSIA DE...

. CRIANÇA - 1990

. Parabéns

. A afilhada da Tia Zé

. Páscoa - 2017

. Homenagem a Maria José Ri...

. Cá Estou ... - 1

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@