Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

POESIA

(A Constantina Santinho Horta)

Vestir de beleza o feio

Na doçura dum olhar,

É dar-lhe da nossa alma

Um valor novo – é amar!

 

Fazer com palavras boas

Um manto e agasalhar

O pobre que sofre e treme,

Também assim é amar!

 

Amar – é crer na Beleza!

É sentir do Criador

A mensagem transmitida

Do calhau até a flor!

 

E dizer essa mensagem

Com alegria, ou com dor,

É destino do poeta

Que poesia – é Amor!

 

Maria José Rijo

28 de Fevereiro de 1956

..

Livro  Paisagem

Poema nº 5

Pag.- 27,29

estou:
música: Poema nº 5

publicado por Maria José Rijo às 20:21
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1 comentário:
De Gustavo Frederich a 28 de Fevereiro de 2008 às 22:37
Gosto deste seu livro, destes poemas seus.
É um livro de 1956 - portanto com 52 anos
de idade - portanto a Tia teria ai uns 28 anos
de idade (digo eu?) - estaria no desabrochar
da IMENSA sensibilidade poetica.
Gosto dos poemas porque era a sua visão
da vida - hoje seriam diferentes, mas estes
poemas estavam na alma de Maria José Rijo
- e aqui agora - a mim - levam-me a pensar,
a pensar até em mim.
.
Fernando Pessoa dizia:
.
Nenhuma época transmite a outra a sua sensibilidade; transmite-lhe apenas a
inteligência que teve dessa sensibilidade.
Pela emoção somos nós; pela inteligência
somos alheios. A inteligência dispersa-nos;
por isso é através do que nos dispersa que
nos sobrevivemos. Cada época entrega às
seguintes apenas aquilo que não foi.

Um deus, no sentido pagão, isto é, verdadeiro,
não é mais que a inteligência que um ente
tem de si próprio, pois essa inteligência, que
tem de si próprio, é a forma impessoal, e
por isso ideal, do que é. Formando de
nós um conceito intelectual, formamos
um deus de nós próprios. Raros, porém,
formam de si próprios um conceito
intelectual,porque a inteligência é essencialmente objectiva.
Mesmo entre os grandes génios são
raros os que existiram para si próprios
com plena objectividade.

Viver é pertencer a outrem. Morrer
é pertencer a outrem. Viver e morrer
são a mesma coisa. Mas viver é pertencer
a outrem de fora, e morrer é pertencer a
outrem de dentro. As duas coisas
assemelham-se, mas a vida é o lado
de fora da morte. Por isso a vida é a
vida e a morte a morte, pois o lado de
fora é sempre mais verdadeiro que o lado
de dentro, tanto que é o lado de fora
que se vê.

Toda a emoção verdadeira é mentira
na inteligência, pois se não dá nela.
Toda a emoção verdadeira tem portanto
uma expressão falsa. Exprimir-se é dizer
o que se não sente.

Os cavalos da cavalaria é que formam
a cavalaria. Sem as montadas, os cavaleiros
seriam peões. O lugar é que faz a localidade.
Estar é ser.

Fingir é conhecer-se.

Fernando Pessoa, in 'Textos de Crítica e de Intervenção'
---
Já deve conhecer. Quem não conhece
Fernando Pessoa.
---
Beijinhos Tia querida.
Vou ler maisssss

Até já

Gustavo Frederich


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