Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Poema -- LAMENTO

Nunca terei Verão!

Nunca terei apogeu!

 

Da Primavera, irei sem transição

Para a idade ingrata, para o Outono,

E quando o Inverno se sentar no trono,

Serei velha, serei triste, serei morte!...

 

Fui Primavera-menina!

Fui birrinha…

Fui esperança doutra idade!

Fui graça…

E nunca meus Pais terão pensado,

Que este ser no seu amor gerado,

Tivesse um corpo p’ra sofrer eleito!

Nunca, nunca sequer terão pensado,

Que não preste por dentro,

(Que seja avariado)

O que a vida lhes deu mais do seu agrado:

 

A sua filha!!!

………………………………………….

Mas o Outono espreita…

E o Inverno há-de chegar

 

………………………………………….

Minha Mãe!

Meu Pai!

Eu quero chorar

Esta mágoa grande!

(Sem consolação)

De não ter plenitude,

De não ter Verão!

Só não quero tristeza em vosso olhar!

Só não quero dor em vosso peito!

Deixem sofrer meu corpo,

Que a isso está afeito!

 

Quero ser eu!

Só eu, a padecer!...

 

E olha, Mãe!

Pai, vem escutar!

 

Enchem de orgulho e vaidade

O vosso coração,

E riam!

Riam, queridos meus!

Riam muito!

Mais!...

Comigo agora!

Porque é nos seus poemas,

É fazendo versos,

Que a vossa menina

Chora!!!...

Maria José Rijo

12- Dezembro - 1953

LIVRO

… E VIM CANTAR

Poemas

Maria José Travelho Rijo

Coimbra de 1955

 

POEMA nº 2

LAMENTO

Pag. Nº 21

Desenhos da autora

estou:
música: Poema-nº 2 - ... e vim cantar

publicado por Maria José Rijo às 14:05
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12 comentários:
De Dolores Maria a 29 de Fevereiro de 2008 às 19:40
Minha queridissima Tia
Finalmente... depois de beber litros de água
a minha pedrinha saiu, Graças a Deus e Nossa
Senhora das Dores.
Desta já escapei... agora hei-de ir a tratar deste
tormento, que coisa horrivel.
mas já passou.

Mas tem aqui um poema tão bonito.
Gostei demasiado dele.
Um pouco triste mas LINDO.

Parabéns minha tia Zé.

DO LO RES



De Maria José a 1 de Março de 2008 às 14:35
Graças a Deus que está bem... mas quer fazer o favor de não se esquecer da ajuda preciosa que a água dá?
É assim , tal e qual, a minha pregação para a Paula que, quando pode faz ouvidos de mercador...
Lembre-se sempre que a sua- tranparente -alegria de viver,é um balsamo para quem cruza o seu caminho
E, essa preciosa ajuda , também bateu à minha porta.
obrigada sempre.
Beijinhos
tia Zé


De Maria José a 2 de Março de 2008 às 20:49
Querida Dolores
Que tal essa saude?
Esperamos notícias
Beijinhos
Paula e tia Zé


De Luis carlos Presti a 29 de Fevereiro de 2008 às 19:42
Olá
Cá estou eu o seu futuro sobrinho.
Vim espreitar para saber das novidades
e deparei-me com esta beleza imensa.

Mas este poema é deveras bonito.
Gostei bastante.

Muitos beijinhos
Tia

Luis Carlos Presti


De Gustavo Frederich a 29 de Fevereiro de 2008 às 22:57
Serei velha, serei triste, serei morte!...

Morte! -- Aqui enganou-se a minha Tia.
O poema é um primor - uma autentica Jóia
da poesia e noto uma diferença abissal entre
este poema e os do outro livro.
Não é que não goste dos outros - não é isso,
apenas que este tem MUITA força, MUITA garra,
Muita dor, MUITO Amor a esta Vida.

A Tia é VIDA, uma árvore bela e florida em cada
Primavera.
Estou perturbado pela clareza, transparência da
sua poesia.
A envolvência é como uma aura em seu redor,
uma aura que brilha como horizontes de Vida.

Gosto muito desta forma aberta da seu olhar.
Penso que em 1953 estava já com uma alma
perfeita, com asas que a levariam a esta Maria
Jósé Rijo de hoje, cuja alma - do tamanho do
mundo - tem uma dimensão que nem ouso
adivinhar onde pode chegar...

Obrigado Tia
por este poema que veio na hora certa para
me elucidar do tamanho da sua... quero
conhecer um pouco mais desses horizontes
que a tia olha, sente e gosta de sentar e escutar...

Beijinhos Tia
Parabéns por este poema...
Por favor mostre mais... poemas, deste Livro.
Estou curioso...

Beijinhos Tia
Gustavo Frederich

Vou ler e reler este poema até decora-lo por
inteiro.
Beijinhos


De Adalgisa Alexandra a 1 de Março de 2008 às 02:22
LINDO
Perfeito minha querida Tia.
Este poema bateu-me bem fundo, roçou bem
lá no fundo de mim...
Tocou-me de uma maneira especial.
Chorei ao ler tão clarividência, tanta
honestidade, tanta sinceridade.
Já lhe disse outras vezes que gosto do que
aqui leio... de tudo...
Mas este poema é especialmente LINDO.

EStou até emocionada...
Beijinhos Tia

Gisa


De Adalgisa Alexandra a 1 de Março de 2008 às 11:33
Com a emoção do poema
faltou-me agradecer-lhe as suas palavras
sobre a partida de minha Mãe.
Sinto como se uma parte de mim, a que ela
me deu ao nascer, tivesse partido com ela.
Não sei explicar mas há em mim uma
ausência imensa que me atormenta.

Meu Deus... é uma dor profunda.
Obrigada pelas suas belas palavras.
Aqueceram.me o coração.

Obrigada Tia querida
Gosto muito de si.
Gisa


De Maria josé.. a 1 de Março de 2008 às 15:04
... e, eu de si.
Nem poderia ser de outro jeito com a ternura que me dispensa... beijinhos
Maria José


De Gustavo Frederich a 1 de Março de 2008 às 19:27
-- Querida Tia Zé
Este seu poema é uma coisa divinal. Tenho
pensado imenso sobre ele e

Nunca terei Verão!
Nunca terei apogeu!

-- Teve SIM - este blog, estes textos todos,
prosa e poesia são a prova refutável de que a
Primavera/ o Verão/ o Outono e o Inverno --
as 4 estações - fazem parte da sua LINDA alma,
tanto que a beleza contida neles - está dentro de
si como outrora...
A cerejeira em Flor - que me ofereceu - é uma
beleza sem nome - de uma transparência que
me leva a encontrar-me consigo agora...

Sabe, fiquei algo perturbado mas também
ENCANTADO pela genialidade do poema.
É mesmo muito BOM.
Acredite Tia - Tem alma e coração de poeta
da mesma fornada da Florbela. Não faço favor
ao comentar desta forma - Penso e sinto
assim.

Muitos beijinhos
Gustavo Frederich



De Maria josé a 1 de Março de 2008 às 22:35
Meu sobrinho querido
Nem sonha o bem que me tem feito te-lo encontrado.
Os seus comentários levantam-me a algumas reflexões que - certamente estavam na hora de ser feitas - porque tudo passa à nossa porta na hora certa. Nós é que muitas vezes estamos distraidos.
Como poderá ter depreendido, obrigou-me a vida muito cedo a procurar caminhos alternativos para aqueles,que eram os predestinados,para as raparigas na minha juventude. Hoje põe-se em primeiro lugar o curso ou o emprego; então, eram marido e filhos as prioridades.
Não me sei imaginar senão como sou, mas tenho consciência de que seria, sem dúvida, uma pessoa diferente, se tão cedo não me tivesse visto frente a tantas interrogações.
Melhor? Pior?- só Deus sabe.
É costume dizer-se que é na desgraça que se sabe quem somos e como somos.Parece-me certo.
Talvez por instinto de sobrevivência agarrei o jeito de escrever, que desde criança cultivava.
Meu marido, sentindo que me era necessária essa forma de libertação apoiou e ofereceu-me a edição do livro - E vim cantar
Sem falsa modéstia, tenho que confessar,que foi muito bem recebido.Até João Gaspar Simões, o critico mais duro,na altura, lhe fez crítica,o que já foi distinção, e embora dizendo que não apreciava muito a forma, reconhecia que estava frente a um poeta e, terminava dizendo que se pode aprender a fazer poesia, mas não se pode aprender a ser poeta-porque -poeta - nasce-se.
Depois toda a gente elogiou e sempre fazendo mais ou menos o paralelo com Florbela, como agora o Gustavo, também fez.
Resultado: com a intima necessidade que "a menina" tinha de ser qualquer coisa e, com a verdura da inesperiência, aconteceu o previsível : foi à gaveta e toca de publicar outro livro.Também edição de autor. O que o primeiro tinha de "maduro", o segundo, era o apanhar a onda para ficar à tona de qualquer modo.
E, a critica, que apontou alguns poemas como "do melhor" que se escreve perguntou porquê a mistura.
que tirava o mérito ao livro.
E, assim terminou a experiência poética, com o prémio pela qualidade e o reparo pela presunção.
De então para cá recolhi-me à minha insignificância, porque me tomou o medo.
É sempre difícil a quem escreve, por emoção, analisar com frieza o que escreve.
Pois saiba que a analise que me ia oferecendo dos meus escritos me começou a emocionar, porque não o conhecendo, pensei que só por sensibilidade e apreço verdadeiros, poderia o Gustavo perder tanto tempo comigo, daí que pense muito em si e, desse comigo gostando de o surpreeder escrevendo para lhe oferecer a cerejeira do Japão.
Ainda bem que lhe agradou e, só desejo, que goste dela tanto como eu gosto da sua generosa maneira de estar na vida - ajudando as tias, cada uma a seu jeito
Já lhe quero muito bem creia, pois que até já me parece que o conheço desde sempre .
um beijo
Tia zé


De Gustavo Frederich a 2 de Março de 2008 às 03:04
Voltei...
Misteriosos são os caminhos da alma, e dos desejos
de voltar e reler...
Foi certamente o mio Santo Padre Pio que me
enviou uma mensagem ao coração... voltei para
ver se a Paula já cá tinha alguma surpresa no
nosso blog...
e tinha. já li atentamente e concordo plenamente
consigo. Acredito que seja realmente assim - mas
estou longe da politica do pais - ouço é claro que
sim - mas nem sempre comungo nas decisões
tomadas - mas também quem sou eu para poder
tomar partido - disto ou daquilo...
Ouço, por vezes penso algo - mas mais nada...
mas tem razão a minha Tia. A sua abordagem
é a correcta e acredito que devia ser ouvida - a
sua voz - lá pela Ass. da republica.
Não, não não estou a exagerar - mas que deveriam
ler - isso sem duvidas. poderia ser que até
aprendessem um pouco.

mas...
mas...
Estou contente por saber a sua opinião acerca
da minha opinião sobre os seus textos.
São realmente muito bons e nota-se neles o
seu estado de espírito.
A luz que os ilumina nem sempre é a mesma.
Noto as nuances que deles transparece.

A minha Tia é uma Senhora de ALMA grande.
Sabe, só as almas antigas, talhadas pelo próprio
Deus - têm reflexos Dele - a Tia tem esses
reflexos em si.
É como um íman que atraí quem se aproximar.
É uam pessoa com uma capacidade incrivel -
em tudo o que toca - transformam-se em flores,
porque tem um espirito naturalmente leve,
com aroma campestre, de flores e odores que
atraem...

Eu sou como a abelha que procura o seu perfume,
através da palavra.
Este blog é a minha flor.

Bem haja Tia querida.
Vou voltar para a minha cama...
ouço a água a correr no jardimzinho...
mas era a minha floresta que os meus olhos
quereriam ver...

Boa noite.
Que os anjos estejam sentados a seu lado
protegendo-a dos sonhos maus e perturbadores.
Fique em paz... na paz do nosso Santo Pio

Beijinhos
Gustavo frederich


De Maria josé a 2 de Março de 2008 às 20:55
Pois, é meu sobrinho querido...
...o luto é sempre o mesmo, ainda quando é indisfarçável a decisão(ou vontade?) de - ser feliz
Beijinhos - tia zé


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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@