Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Poema - Da Vida...

Longe da tenda – bem longe

À beirinha do caminho,

Na carne nua sentindo

O verde fresco do trigo,

A cigana moça suava

E enchia as mãos com a terra

Que lhe servia de leito,

Enquanto para o céu rezava,

Que só o céu a cobria:

“Que a hora seja pequena!

           A ceia não está feita,

           A noite está a chegar,

           E eu tenho tanto que andar!...”

 

E, enquanto ela assim dizia,

Ao lado do pão nascente,

Sozinha na mesma terra,

O ciganinho nascia…

 

Maria José Rijo

Primavera de 1956

 

.

Livro Paisagem

II Livro de Poesia

Pag. 95

Desenhos da autora

estou:
música: II Livro de POESIA - poema nº 21

publicado por Maria José Rijo às 20:02
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2 comentários:
De Gustavo Frederich a 3 de Março de 2008 às 22:35
Perfeito
este seu poema.
Sabe minha querida Tia - eu gosto imenso
de ciganos, das suas vidas errantes, que
saboreiam a liberdade a pleno pulmão.
Gosto de como caminham levando consigo
as casas, que montam aqui e ali.
Gosto.

Este poema mostra também o seu apreço
por eles, por estas mulheres que têm vidas
diferentes das nossas, das nossas crenças.

Gostei do poema, pelo grito de Liberdade,
pela ânsia da verdade.

A tia é para mim - em cada post
uma Revelação - uma linda abertura para
o mundo.

Este desenho, traço seu, é prova da grande
força que tem no coração, na sua alma
que admira e olha o mundo com essa ternura
que tão bem consegue dar ao mundo.

Gosto.
Os dois livros são belos - poemas LINDOS
e de alma imensa, que abraça o mundo
com o seu olhar.

Beijinhos
e muitos PARABÉNS Tiazinha

Gustavo Frederich


De Luizinha a 4 de Março de 2008 às 08:54
Bom dia D. Maria José
Vim ler outra vez o seu blog.
Gostei imenso deste seu poema e o desenho
é muito bonito, muito real - diria eu.
A minha mãe Dolores cada vez está mais
entusiasmada com o seu blog. e o meu Pai
também, só falam nele.

Muitos Parabéns Adorei
Luisinha


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