Terça-feira, 4 de Março de 2008

Trago notícias de Juromenha

 

 

Nº 2.294 – 7 de Abril de 1995

Conversas Soltas

Um pequeno povoado.

Uma economia débil. População idosa.

Antiga praça-forte a 18 km de Elvas e outros tantos do Alandroal a cujo concelho pertence.

Duzentos habitantes. Em meados do séc. XVI eram entre o arrabalde e o castelo 2.500 almas.

Uma escola com meia dúzia de crianças…

Um castelo de recorte idílico – de onde se enxerga um paisagem que sempre, depois, se recordará – em ruínas…

Juromenha – é quase – ou, tão-somente, uma janela sobre o horizonte vasto e perturbador de terras portuguesas que, agora, “moram” em Espanha.

Terras e povoados que se olham desejando que regressem – como quando se pensa em parentes e amigos que, por força do destino, tiveram que se ausentar – emigrando…

A sua fundação atribuem-na uns aos Galo-celtas: outros aos Romanos.

Os Árabes chamaram-lhe “Chelmena” e a tradição conta que as suas muralhas são do tempo de Júlio César.

A lenda diz que uma donzela, nos tempos antigos, senhora de muitos lugares, perseguida por um tirano que lhos queria roubar se recolheu no castelo por ser muito forte, para lá se defender.

Menha se chamava a donzela que jurou nunca se render – daí: Juromenha

 

Subi à torre de Menha

Na raia de Portugal

Nau catrineta que tenho

Sem capitão general

 

Alonguei olhos a Espanha

Em busca dum laranjal

Juro-menha! – Juromenha

Que não o pude encontrar

 

Não vejo nuas espadas

Nem donzelas a fiar

Vejo tristes águas paradas

Do Guadiana a secar

 

Vejo pomares vicejantes

Azinheiras, olival

Olivença, lá distante

Mais perto, Vila Real

 

 

Correndo, na crença, o rio

 

De que tudo é Portugal

 

separa – o que já uniu

no seu caminho p’ro mar

 

E o castelo – pedras e história

de bodas de realeza

em ruínas é memória

da altiva fortaleza

 

Onde, de vez – soberana

à Espanha disse: não

a heróica vila raiana

firme na Restauração

 

Verdades e mitos que juntas fazem a magia dos lugares.

Em 1167, D. Afonso Henriques conquistou Juromenha e o seu castelo foi doado a D. Gonçalo Viegas filho de Egas Moniz.

Em 1.242 voltou de novo ao poder dos Mouros.

Muralhas e Castelo foram reedificadas por D. Diniz em 1.312, ano em que lhe foi dado o primeiro foral.

No Santuário Mariano conta-se que o mesmo rei reconhecendo a maravilhosa história da Senhora do Loreto “lhe quis dedicar aquelle templo, que he a Matriz da Villa de Juromenha: a qual Villa elle tinha povoado e reedificado. Porém a Igreja se tem por sem dúvida, ser obra sua e dedicada por sua devoção à Rainha dos Anjos debaixo do título de Loretto”

É pois Nossa Senhora do Loreto, padroeira de Juromenha.

Em sua honra se fazem os festejos que, nestes tempos em que o trabalho escasseia, às vezes têm ficado tão esquecidos como a alegria da população que vê partir os jovens  à conquista dum futuro que não lhes pode oferecer.

Este ano o Padre Leão leiloou o Pendão.

Raul Dias Ladeiro comprou-o.

Organizou uma comissão composta de 10 elementos.

Nos dias 5 e 6 de Agosto vai ser retomada a tradição das festas após cinco anos de silêncio.

Uma história rica – um castelo – um rio.

Boa gente.

Uma paisagem de paz e beleza – parecem condimentos mais do que suficientes para se renovar a esperança no futuro desta bela povoação tão injustamente esquecida.

Ajude quem pode e deve e a Senhora do Loreto não negará o milagre – creio.

 

Maria José Rijo  

 

 

 

 

 

Jornal Linhas de Elvas

estou:
música: Juromenha -2

publicado por Maria José Rijo às 20:48
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6 comentários:
De Dina a 4 de Março de 2008 às 23:11
Há cerca de dois anos e pouco foi apresentado um projecto para a recuperação duma igreja que ficava junto às muralhas. O projecto foi avante?
Beijinhos!


De Damasio Teixeira a 5 de Março de 2008 às 01:43
Mas este texto é LINDO.
Este blog é muitissimo interessante.
Só fui uma única vez a Juromenha e já nem
sei se á 15 ou 16 anos.
Estas fotografias são lindas e o texto muito
elucidativo.

Os meus Parabéns D. Maria José.
Cumprimenta-a

Damasio teixeira


De Gustavo Frederich a 5 de Março de 2008 às 01:47
Perfeito!
Texto elucidativo com fotografias cheias de
realismo.
Gostei IMENSO desta lugar.
A Tia tem muitos conhecimentos deste lugar.
Vou ler de novo.
Beijinhos Tia

Gustavo


De Maria José a 5 de Março de 2008 às 13:47
Vou dando notícias?!!!
Vai partir?
Mesmo que passe a cavalo, ainda que não
entre, o que lamentaremos, por favor, pare
à nossa porta.
Teremos sempre água fresca no moringue,
para oferecer, e, se de todo ela não mata
todas as sedes, refresca um pouco, quem
passa na vida em procura de um sonho
cada vez maior...
Depois, como a ama de Anto, ficaremos a
ve-lo afastar-se e a acenar da porta com o
lenço, e não terá duvidas do lugar que tem
nos nossos corações.
Este "nós" , magestático, quer dizer que
no mundo dos sonhos, como nos contos
de fadas todos somos reis e raínhas...
das nossas decisôes.
E, melhor ou pior, assim vamos talhando
as nossas vidas, com coragem, e, a
nosso jeito, sendo felizes.
Beijinhos - meu sobrinho querido
-
tia Zé



De filipa a 24 de Julho de 2011 às 11:43
Bom dia! Gostáva de saber de quem é a autoria das quadras sobre Juromenha e onde encontrá-las.

"Subi à torre de Menha
Na raia de Portugal
Nau catrineta que tenho
Sem capitão general
(...)"

Estou a fazer um trabalho e dar-me-ia jeito!

Obrigada


De Maria José a 26 de Julho de 2011 às 17:08
Filipa
Obrigada por ter tido a paciência de ler os meus desabafos.
As quadras são minhas
Use-as à vontada e lhe derem jeito
Um abraço
Maria Jose Rijo
Ps
A Nau Catrineta é para mim dos poemas mais inspiradores


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