Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Poema - Fatalidade

Brotam desejos em mim

Vibrantes, quentes, vistosos,

Como as papoilas vermelhas

Se recortam nos trigais!

 

Brotam e murcham depois,

Como a elas acontece,

Deixando indiferente o céu

Que viu seus gritos de cor

Como sangue a escorrer

Nas mãos de quem as colheu!

 

Também eu, mondo os desejos

Que nascem dentro de mim,

E sei que o céu indiferente

Os deixará reviver,

Garridos como as papoilas

Que alguém jamais semeou,

Mondadeiras vão colher,

E no trigo hão-de nascer!

 

Maria José Rijo

26-Maio-1956

 

II Livro de Poemas

PAISAGEM

Poema – 14

Pag - 65

Desenhos da Autora

 

estou:
música: livro II - Poema nº 14

publicado por Maria José Rijo às 21:17
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4 comentários:
De Dolores Maria a 13 de Março de 2008 às 23:25
Querida Tia
Muito obrigada pelo seu comentário anterior
e eu bebo imensa água - o Avelino diz que
qualquer dia posso abrir uma piscina e dar
aulas de natação.

Querida Tia adoro os seus poemas.
São tão lindos e sentidos.
É-me dificil escolher os que gosto mais. A minha
Luisinha está a colecciona-los para fazer quadrinhos
para a parede. Sabe (e ela que não nos oiça) mas
tem a mania de encher tudo quanto é parede.
Quero dizer que nem se vê a parede, e o marido o
Manelinho é igual, ambos carregam quadros e
pregos para casa.
Acho engraçado no entanto na hora de limpar o pó
lá vai a Rosalina - a empregada dela.
Bom... mas estou aqui para lhe deixar um
beijinho de Parabéns por este poema - LINDO.

Gosto muito de si Tia Zé. Adoro chamá-la assim
parece que nos conhecemos de sempre.
BEIJINHOS
BEIJINHOS

DO LO RES


De Maria José a 14 de Março de 2008 às 13:38
Querida Dolores
É a minha vez de dizer: - que ninguém nos ouça! - mas renho que lhe confidenciar que entendo perfeitamente a Luisinha...
Só queria que visse as paredes da nossa casa. Meu marido às vezes perguntava para me arreliar :- por acaso ainda te lembras de que cor são as paredes?
No quarto que era de minha Mãe, só registos, devem ser 30 ,ou 40, fora o resto...
E, na sala onde estou a escrever entre quadros e quadrinhos e o mais que "comigo fala", devem ser aí uns setenta pregos suportando o que me rodeia.
Mas, eu acho lindo! e toda a gente se sente aqui bem.
Só uma pessoa, uma vez me perguntou como era para limpar o pó?!
Então respondi que o pó era sempre o mesmo. Não o limpo. Enxoto-o de um lado para o outro
beijinhos - tia Zé


De Gustavo Frederich a 14 de Março de 2008 às 00:26
PERFEITO.
EXCELENTE.
Com garra - cheio de alma de um mundo
interior rico.
....
Também eu, mondo os desejos
Que nascem dentro de mim,
...

Mas esses seus desejos tornaram-se esta
bela realidade de belos poemas.
Nascem em si - como num rio vibrante
de vida, dor e amor.
Ainda hoje quando escreve os seus poemas,
olhando o florescer da primavera, ou
qualquer ponto nas outras estações os
desejos brotam em si com a mesma força e
garra, com então.

Quando leio os seus poemas sou levado nas
asas do vento, pelas ondas do mar ou
arrastado pelas nuvens do céu...
Gosto da Liberdade que sinto na sua forma
de mostrar a sua alma.
Parabéns pelas belezas que mostra aqui
neste seu blog.
Este poema trouxe-o para si - é que já tinha
imensas saudades de falar consigo Tia.
----
Saudade

Naquele dia, que nunca esqueci,
Parti de casa ao lado de meu pai.
Minha mãe soluçava!... Filho, vai,
Que eu ficarei rezando a Deus por ti.

...Manhã de Maio... Adeus, oh! bem querida
Aldeia carinhosa onde eu nasci...
Mares e grandes terras percorri,
Sempre lembrando aquela despedida.

E anos passaram.... Lutas, ansiedades,
E ela sempre dizendo: Filho meu,
Volta, vem mitigar minhas saudades!

Vem descansar aqui, perto de mim.
E eu não voltei... E minha mãe morreu
Saudosa, me esperando até ao fim!

Cruz d’Alva (Aristides de Matos-Cruz)
- Saudades (São Paulo - Brasil, 1956)

----
SOBRE SUA PRÓPRIA FACE NUM ESPELHO

Oh face estranha aí no espelho!
Companheiro libertino, sagrado anfitrião,
Oh meu bufão varrido pela dor,
Que responder? Oh vós miríade
Que labutais, brincais, passais,
Zombais, desafiais, vos contrapondo!
Eu? Eu? Eu?


E vós?

Ezra Pound - Personae (1909)

---
Quando me olho no espelho costumo
repetir-me estes versos.

Agora vou ver o seu outro blog.
Estou cheio de curiosidade.
Até já

Beijinhos

Gustavo


De maria josé a 14 de Março de 2008 às 14:19
Obrigada por ter voltado. A sua presença, as suas observações e as achegas que nos trás valorizam e enriquecem o nosso convívio.
Lindos os poemas que nos deu a conhecer.
Acertou na escolha.Obrigada
Acredite que tivemos de verdade saudades da sua presença.
Ocorreu-me que "sobre a própria face no espelho"
se pensarmos a net como um espelho ,nela, pela escrita me retrato sem mistificação - pelo menos assim o penso .
É verdade que nada e ninguém me obriga a este jogo, mas nele estou sem dúvida exposta por inteiro
sem conhecer dos meus convivas, sequer os nomes verdadeiros, se assim o entenderem
Pergunto-me, em circunstâncias tais como se pode querer tanto bem a quem assim cruza o nosso caminho. Mas acontece.
Vamos lá saber o que mais conta.O sonho? a ilusâo?ou o nosso rosto frente ao espelho com a pergunta
de toda a vida : - quem sou?
Beijinhos, meu querido.Gosto de si.
Tia zé


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