Segunda-feira, 17 de Março de 2008

“Quand il est mort le Poéte, tous ses amís ont pleuré”

É difícil determinar, por vezes, quais são as proporções acertadas para acentuar cada circunstância.

As grandes parangonas que os jornais usam para veicular uma notícia – nem por se ajustarem com sinceridade à emoção do momento – se adaptam, na maior parte dos casos, mais exactamente à verdade que pretendem sublinhar, como igual, para toda a gente.

        Gaivotas ...

A objectividade precisa de um olhar largo, que, às vezes, a emoção não consente. Cada pessoa tende para fazer pender a balança para o seu lado, olhando do ângulo que mais a conquista.

Qualquer tendência partidária, não é, necessariamente mais importante, ou mais sincera do que a outra.

Os factos históricos, só vistos à distância, sem paixão, adquirem as proporções mais certas – o que, não significa – menores!

Com as pessoas também assim pode acontecer. Só o tempo lhes alongará a presença ou a sombra…

                                      José Gomes Ferreira

Algumas porém, como José Gomes Ferreira, adquirem em vida, tal dimensão, que,

quando um dia partem – todos se apercebem de que, apenas continuam! – mais presentes talvez, na medida em que transcendendo os limites da sua existência humana – foi pelo pensamento que se tornaram vivos na consciência dos seus contemporâneos.

Mas… para falar de um Poeta – o melhor é a sua poesia:

                  Voei como Fernão Capelo Gaivota...

“Leva-me os olhos, gaivota”

 

Leva-me os olhos, gaivota,

e deixa-os cair lá longe naquela

ilha sem rota…

Lá…

onde os cravos e os jasmins

nunca se repetem nos jardins…

Lá…

onde nunca a mesma aranha tece

a mesma teia

na mesma escuridão das

mesmas casas…

Lá…

onde toda a noite canta uma

sereia

… e a lua tem asas…

Lá…

 

Deixo aqui, hoje – “lá dessa ilha sem rota” os “cravos e os jasmins” – numa molhada de mágoa que, com a minha mão anónima deponho à memória do Poeta e, alongo a homenagem a Nuno de Bragança, que também morreu agora, e,

                                       Sebastião da Gama

     

cuja presença não pára de crescer embora este mês se cumpra mais de três dezenas de anos sobre a sua morte.

 

                              Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.774 – 22 Fevereiro 1985

Á Lá Minute

        

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publicado por Maria José Rijo às 20:26
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3 comentários:
De Dolores Maria a 17 de Março de 2008 às 23:15
LINDO
Este seu texto também é muito bonito, muito
interessante.
Aqui neste seu lindo blog - aprendo em cada um
dos seus textos, em cada uma das suas poesias,
poesias que saem da sua alma tão bonita.
Gosto da profundidade do seu sentir.

Beijinhos Tia
DO LO RES


De Flor do Cardo a 17 de Março de 2008 às 23:23
Cara amiga
Gostei do seu comentário.
Pelos textos sobre o Brasil - que já sairam neste
blog - sabia que a Sra já vira também esta beleza
imensa - alguma daquela beleza - que certamente
estaria no inicio do mundo, digo isto porque ao olhar
a natureza - até fico sem ar - só de imaginar o que
os portugueses de então - teriam pensado perante
a tremenda beleza deste pais.
Também dou por mim, parado a olhar a vida - a
flora e a fauna - que pena que nunca me tenha
interessado pela fotografia - mas também com a
minha idade ainda seria comido por alguma onça...

Maria José - este seu texto é estupendo.
A sua prosa é-me tão familiar que já não saberia
viver (o que me resta da vida) sem ter acesso à
sua prosa e poesia.
Estou deveras enamorado deste blog.
Acredite - ler aqui - é como estar sentado a seu
lado escutando as suas palavras, os seus poemas.

Muito obrigado por compreender este velho...

Flor do Cardo


De Gustavo Frederich a 18 de Março de 2008 às 02:07
É importante para mim saber a sua opinião, é
como estar a falar para alguém que le e ouve o
que dizemos... mesmo que seja por detras de um
monitor e a imensos kilometros de distância.
Grato pelas suas carinhosas palavras que me
fazem feliz.

Gosto imenso de tudo o que fala aqui, parece que
todos os posts me dizem (algum) respeito.
Gosto de saber do que gosta, de ler as suas
diversas opiniões sobre livros, musica e tudo o mais
que nos envolve nesta vida que brilha cheia de vida
por todos os recantos... das vidas, nossas e
alheias.

O meu padre amigo está radiante com este meu
regresso. No domingo fomos dar uma voltinha,
numa espécie de Charrete (modelo Milorde em madeira com travões de disco e cobertura em
couro e lanternas. Cor verde. Para 1 cavalo) -
É linda - e o meu amigo pastor (como eu lhe chamo
por vezes) levou imenso tempo a falar de si - pelos
textos e poemas, obviamente.
Ele continua a dizer que a Senhora tem uma alma
imensa onde cabem bonitas recordações e onde
está uma sabedoria de vida - de um incalculável
valor.

Eu concordo com ele. Falamos também no seu
leque imenso , de conhecimentos diversos onde
ele diz que nos interesses e gostos literários nos
unem.
Concordo plenamente e isso deixa-me muito Feliz.

Hoje - este texto é igualmente belo e importante.
José Gomes Ferreira tem realmente este poema
que me impressiona e me eleva no ar, nas asas
das gaivotas.



MADRIGAL

Toda a manhã
fui a flor
impaciente
por abrir

Toda a manhã
fui ardor
do sol
no teu telhado

Toda a manhã
fui ave
inquieta
no teu jardim

Toda a manhã
fui ave ou sol ou flor
secretamente
ao pé de ti.

Eugánio de Andrade
..
Lembrei-me deste poema que gosto imenso.
Talvez conheça - mas está aqui como um
beijinhos para si Tia.
...
Uma palavra só em que te avise
de que em sossego fiques e não ames
senão o que de amor nenhum precise.

Agostinho da Silva

...

Até amanhã
e PARABÈNS pelas belissimas escolhas
de autores e pelo que me contou.
Gostei e gosto de verdade.

Seu sobrinho

Gustavo Frederich


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