Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

POEMA -- SER VAGABUNDO NO MUNDO

 

Ser vagabundo no mundo

Sempre foi esse o meu sonho!...

.

Andar por montes, por vales,

Por penhascos, por ribeiras,

Por areias e pedreiras,

Por prados e precipícios!...

Fugir das boas estradas!...

Escolher só os atalhos,

Pôr mistério nos meus passos,

Pôr mistério nesses trapos

Que me cobrissem o corpo,

Com volumes variados,

Nunca vistos, só insinuados

Sob os meus fatos velhos,

Como pendões esfarrapados!...

Falar devagar,

Em voz cava e dolente,

Semicerrar os olhos

Nunca olhar de frente,

Em ar de quem esconde

O que lhe vai na alma!

Somar os meses de calma

Pelo suor do meu corpo!

Contar os meses de frio

Pelo bater dos meus dentes,

Ser poeta com os pássaros,

Ser irmão da outonada…

Dormir envolto na noite,

E ver acender as estrelas

Como enorme candelabro

Que Deus colocou no céu,

Para servir em igualdade

Os seres da criação!

.

Ser vagabundo no mundo,

Sempre foi esse o meu sonho!...

.

Ter cadeirões de folhagem!

Ter por alcatifas pastagens

Que abafassem os meus passos!...

-- Deitar-me com os poentes!

-- Levantar-me com o sol!

-- Perfumar-me com a brisa

Que anda carregada de odores

Que lhe emprestam as flores!...

Fazer colares com as lágrimas

Que o orvalho chora à noitinha

E com eles me enfeitar!!!

Ouvir as folhas das árvores

Em seu terno roçagar

… Mas perceber seu falar!...

Escutar a sinfonia

Que a passarada compõe

Com os zumbidos das moscas,

Os chocalhos dos rebanhos

E as lamentações do vento!...

.

Ser vagabundo no mundo,

Sempre foi esse o meu sonho!...

.

Comer do que a terra desse,

Que Deus p’ra todos criou,

E deixar que os outros homens

Fizessem o mesmo, em paz;

Aprender dos animais

Como se ama e se vive

Sem códigos nem leis…

Sem bancos nem transacções,

Sem governos nem fronteiras,

Mas sim ao sabor do clima,

Da flora e da natureza!...

 

Viver sonhando acordado,

Mas viver na realeza

De não ser civilizado!...

.

Maria José Rijo

Agosto de 1954

Poema nº IV

Pag – 31

..

I LIVRO DE POEMAS

… E VIM CANTAR

DESENHOS da Autora

estou:
música: livro - I - Poema 4

publicado por Maria José Rijo às 21:53
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5 comentários:
De Dolores Maria a 11 de Abril de 2008 às 23:25
Tiazinha muito grata pelas suas palavras
a respeito da Luizinha.
Estamos realmente muito triste por esta perda,
mas Deus há-de engravidar de novo - tenho a
certeza. Se Deus quizer.

Agora sobre esta linda maravilha - este seu
poema é tão lindo. Sabe os seus poemas
fazem bem a alma de quem lé.

Muitos beizinhos Tia Zé
Que Deus olhe para si com Muito carinho

DO LO RES


De Adalgisa Alexandra a 11 de Abril de 2008 às 23:31
Sim - é aqui em dias de poema que eu gosto
de estar.
Estou sempre suspirando por eles - todos os
seus poemas me fazem sentir gente e ficar
contente por poder te-la como tia que é para
mim neste mundo imcompreensivel e louco.
A vida do Porto é boa, gosto mas acho-o triste,
ruas sombrias mas mesmo assim eu gosto.

Sabe - tenho já uma foto sua- numa moldura
da minha sala e já muitos dos seus textos em
dossier, para ler e reler sempre que me apetecer.

É a minha Tia mais querida
Beijinhos e obrigado

Gisa


De Maria José a 12 de Abril de 2008 às 22:37
querida Gisa - não imagina como fico contente por dizer que gosta da poesia que escrevo.
Sabe que sinto sempre um extrordinário pudor em mostrar versos meus? - não se entende - porque no fundo eu queria e preciso que gostem, mas não sou capaz de os dizer na frente de ninguém.
Escritos...vá que não vá...
Um beijo - tia zé


De Gustavo Frederich a 12 de Abril de 2008 às 00:19
Paradoxo

Há uma tal comunhão
Entre a obra e o autor
Que Deus
Concebeu o homem
E o homem o Criador

@@@@@@@@@@@@@@@@@

OBrigado TIA
É LINNNNNDDDDOOOOOO
ADORRRREEEEEIIIII
Estes dois poemas são maravilhosos
É realmente uma grande poetisa - de alma
e coração.
De alma imensa do tamanho do mundo
de uma sensibilidade profumdamente bela
nunca antes conheci ninguém assim de uma
alma pura e cristalina.

Este seu poema alegrou-me a alma, porque
é um belo, belissimo poema.
Desde o primeiro até ao último verso é uma
alegria poder ler, apreciar tanta beleza.
Sabe, agora ao ler os seus poemas fico ali
repetindo os versos, um a um até decorar, até
saber e sentir cada um deles , repeti-los com
muita admiração por alguém que tem a poesia
na alma - nessa sua alma tão linda.

A sua poesia consegue tornar visível algo abstracto
como os sentimentos, em realidades quase
palpáveis.
Eu já nem sei o entusiasmo que me dá ter o
prazer de ler a sua linda Poesia.
Amo a sua poesia Tia.

Parabéns
Gustavo Frederich



De maria José a 12 de Abril de 2008 às 22:56
Meu sobrinho querido
tenho estado a tentar por a escrita em dia. Minha Irmã regressou a Lx. e eu recuperei a minha rotina.
Fiquei desvanecida com os aplausos ao poeminha que lhe ofereci, mas na verdade escreve sempre tanta coisa bonita para nós que ganhei coragem para retribuir com a prata da casa.
Qualquer dia mostro mais já que isso lhe causa alegria.
Está bem?
beijinhos tia Zé


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