Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

“Reminiscências” – Penso e sinto...

Meu pai, como já algumas vezes tenho contado, tinha o culto da língua portuguesa, e usava muito máximas em latim.

Ora, como nos meus tempos de criança não havia televisão para dar “cultura” por atacado, e bem normativa a todo o mundo, cada qual herdava de pais e parentes conhecimentos, hábitos e costumes como hoje, - já só - se herdam os bens económicos.

Um dos entretenimentos para as crianças, era, nessa época conversar com os pais, os avós, os tios, padrinhos, empregados escutando, e aprendendo com eles pormenores e particularidades de família, costumes, trabalho, bem como episódios das suas vidas, ou contos e lendas.

Como parece evidente deduzir, essas circunstâncias propiciavam momentos ideais para, na brincadeira, ajudar as crianças descobrir o gosto pelo saber.

“Cogito, ergo sum”, repetia meu pai; e traduzia – penso, logo existo.

Depois convidava-nos a descobrir palavras da família de cogitar ou de pensar, ou quaisquer outras, conforma a ocasião pois, ensinava ele: - tal como as pessoas também as palavras têm origem, família, ascendentes e descendentes. E, lá vinha o pensador, o pensamento, o pensante, o pensativo, etc. etc. e cantava vitória quem mais “ parentes” descobrisse.

Claro, que por essa altura, nem de perto, nem de longe, eu sabia- o que ainda mal sei , nem saberei alguma vez, perfeitamente - que foi sobre este aforismo que Descartes, no Discurso do Método, reconstituiu toda a sua filosofia .

Como também só há pouco descobri que o erro que António Damásio – o nosso grande sábio – atribui a Descartes, e demonstra, é de ele não ter afirmado: - penso, sinto, logo, existo.

Claro que, esta conclusão, posta assim, é apenas uma simplificação, de quem, como eu, pega as coisas pela rama.

Mas, com este preâmbulo, chegamos ao título da minha conversa de hoje.

Penso, sinto, logo existo.

Mas existo porquê, e para quê?

Para traçar mais um caminho neste intrincado labirinto onde todos os destinos se cruzam e se entrelaçam, talvez...

E...se eu sei, sabemos todos, que cada qual à sua maneira procura um jeito de ser feliz...

Então, os nós cegos, nas relações entre gentes e povos serão apenas consequências fortuitas desta procura sem fim que será viver.

Desde intrínseco propósito de procurar ser feliz?

Penso, sinto, – logo, existo – está certo!

Porém, nada sei, – está – no meu caso, muito mais certo ainda!

“Hoc opus, hic labor est!”

Traduzindo: - aí é que a porca torce o rabo – comentaria meu saudoso pai nesta circunstância!

 

                                Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

28/Julho/2005 – Nº 2.824

Reminiscência nº 22

estou:
música: Reminiscencias - 22

publicado por Maria José Rijo às 22:34
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3 comentários:
De Dolores Maria a 23 de Abril de 2008 às 23:04
Olá Olá Tiazinha querida

Já estou de volta a quase 100%
... e já li tudo , tudinho o que tinha em atraso.
Tirei cópias para o meu livro especial que
estou a fazer para ler sempre que me apetecer.
Presumo que este Senhor Seja o seu Pai. Tem
aqui um texto lindissimo. Também eu gostaria
de saber falar assim de meu Pai, mas não sou
mas a Tia é e isso deixa-me muito feliz.
Gosto imenso de si, ve-se que é uma pessoa
especial, muito especial e querida - nota-se
pela qualidade de comentários.
Fico muito Feliz.

Muitos beijinhos
DO LO RES


De Adalgisa Alexandra a 23 de Abril de 2008 às 23:09
O seu Pai. Senhor distinto - nota-se pela fotografia.
Noto parecenças consigo.
Sabe tia, gosto muito dos seus textos - destes
assim que são reminiscências suas.
Gosto mesmo de verdade.
A Tia escreve mesmo muito bem.
Gosto de verdade.

Muitos beijinhos
Gisa


De Gustavo Frederich a 24 de Abril de 2008 às 00:32
Muito boa noite
querida tiazinha
Hoje - hoje sinto-me mais outro - mais alegrinho
sabe que no sabado o negro cavalo Antares vai
entrar nas minhas quadras...
Estou Feliz mas é como passar do dia para a noite,
do claro para o escuro...
Mas ... estou grato pelas suas palavras - mesmo
de longe - de tão longe - tocou o meu coração
num afago feito de palavras, acariciado pelas
mãos.
Muito obrigado Tia querida.

Agora sobre este texto - nem sei bem que dizer
porque ADOREI - acho lindo as suas evocações
ao seu Pai e sua Mãe.
Acho lindo a ternura que tem - neste se contar -
as reminiscencias - de seus pais, da sua familia
e tias...
Sabe que este seu blog é uma abertura para a
sua alma - para o brilho , a aura , da sua paixão
pela vida.

Posso dizer que reparei - ali - na listinha de flores,
das suas flores - no livro das flores - aqui na
barra do lado e Adorei.

Muitos Beijinhos
Gustavo Frederich


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