Sábado, 3 de Maio de 2008

A visita – Dar a mão

Tão pouca coisa – dar a mão.

                          

Será na verdade, assim tão pouca coisa!

Mas, o que representa dar a mão!?

Dar a mão - esse gesto banal, quase um reflexo, quase exercido por instinto...esse estender automático do braço com a mão aberta, disponível para aceitar outra mão que se lhe entrega, o que vale?!

Dá cá a mão - que te ajudo a subir, a saltar, a passar...

Dá cá a mão - para não caíres...

Dá cá a mão - que te guio...

Dá cá a mão - não te percas...

Dá cá a mão - não tropeces... Dá cá a mão...

                            

Estou atrapalhado com isto – dá-me uma mãozinha!?...

Dar a mão, afinal, tanto como o formular de um pedido, pode ser também, uma oferta de ajuda, de protecção.

Mas, dar a mão ao invisual, será o mesmo que dar a mão à criança!

Ou não!...

A criança aceita o caminho que se lhe define.

O cego indica-o.

Dar a mão, então, é, pode ser, apenas, emprestar o olhar a quem segue sem o ver, seu rumo imaginado, ou conhecido.

Dar a mão pode ser, também, apenas, dar apoio para o começo da caminhada, misteriosa, vida fora...

                            

Caminham os namorados de mãos dadas. Dão-se as mãos...

Demonstram, com esse gesto, uma promessa de atitude para um futuro que prometem ser comum.

São a imagem de – caminhar a par.

Aceitam-se em casamento, pedindo a mão.

A mão, porque, o dar a mão, é a anuência, o consentimento, a entrega, é o formular da promessa de confiança, de apoio, de partilha – de reciprocidade no afecto, no amor.

A mão.

               

A mão que, também, se dá à palmatória quando o erro, o engano, a injustiça se comete mais ou menos impensadamente e o arrependimento o impõe.

A mão que se mete no alheio.

A mão que furta. A mão que afaga. A mão...que se dá e se recolhe na indecisão...

A mão que benze.

A mão piedosa, que acarinha, afaga, a mão que salva.

A mão que mata.

A mão que trabalha, calosa, dura ao tacto, mas doce ao coração.

                    

A mão que amortalha, trata, cuida.

A mão que ganha o pão.

A mão que se dá como testemunho do sentimento de que se imbui o gesto.

Pensei, em atropelo, em tudo isto, ao ver Avô e Neto, de mãos dadas caminhando a passos miúdos em direcção ao jardim.

Madrugada e entardecer.

                     

Por entre as sombras das árvores que como um manto de rendas bordavam a calçada era a pura imagem do passado e futuro de mãos dadas. A presença da esperança na continuidade – no Amor Dá cá a mão! Aperte a minha mão...

Tem a minha palavra!

Selou com um aperto de mão.

Tão simples - tão pouca coisa - e, pode valer o compromisso de honra, a dignidade, a postura vertical que define o ser humano.

 

                                       Maria José Rijo

@@@@

Jornal O Despertador

Nº 232 – 30 de Abril de 2008

A Visita

 

 

estou:
música: A Visita - nº 19

publicado por Maria José Rijo às 22:22
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13 comentários:
De Dolores Maria a 3 de Maio de 2008 às 23:41
... eu já lhe dei a mão...
Já li o seu texto tão bonito.
Mais um de que gostei para somar a muitos
outros que guardo com estima.

Hoje estou mais calminha porque descansei
bastante.
Espero que a tia tenha tido um bom Sábado.

Muitos beijinhos

DO LO RES


De Maria José a 4 de Maio de 2008 às 14:19
Minhas Queridas - Mãe e Filha - isto é: Dolores e Luisinha - penso em vós com toda ternura do meu coração e, muito especialmente hoje, estou dando graças a Deus pelas Dolores, Luisinha, Avelino, Dulcinha, e por todos os meus queridos amigos de tão grande coração que lá ajeitaram um lugarzinho para esta velha tia de cuja vida já fazem parte.
Alegra-me saber que a saude está a voltar à senhora de cabelos ruivos que connosco reparte a sua espontânea alegria.
Sinta a sua mão na minha para a olhá-la de frenrte lhe dizer: muito obrigada - sempre.
Beijinhos _ tia Zé


De Adalgisa Alexandra a 3 de Maio de 2008 às 23:45
Muito bonito o seu texto.
Como sempre - a beleza e sériedade com que
já nos habituou.

Gosto muito ( estou sempre a repetir-me )
deste seu bonito blog - as palavras são sempre
as mesmas mas o GOSTAR vai aumentando a
cada dia.

Beijinhos Tia queridinha
... cá do Porto...

Gisa


De Maria josé a 4 de Maio de 2008 às 14:22
Gisa - falei de dar a mão, mas não falei do abraço que aqui lhe venho deixar...
Mas...aqui está
Um beijo - tia zé


De Virgilio Fernandes a 3 de Maio de 2008 às 23:55
Tia...
Tiazinha...
Voltei... e vim ler os seus textos que tanto gosto.
Falhei e não comentei nestes dias porque quase
tive uma recaida - esta história do dengue - deixa
marcas, na alma - marcas essas que ao ler, e ler
e ler e ler os seus textos e poesias vou sarar de
uma vez.

As suas reminiscencias são muitos bonitas - o
meu avô também gosta de recordar o passado,
é bom, eu sei...

Muitos beijinhos Tia

Virgilio


De maria josé a 4 de Maio de 2008 às 14:53
Meu menino querido
Quantos anos tem? - não me disse e eu gostava de saber, bem como, também, a data do seu aniversário - pode ser?... então não esqueça.
Assustou-me essa ameaça de recaída de doença. Mas, então o dengue não imuniza?
É tão traiçoeiro que reincide?
Se assim for faz favor de fugir para cá, porque, por enquanto as epidemias aqui, são apenas de oportunistas politicos - sem contágio - e, as tias, também têm obrigações.
Gosto de o ir encontrando aqui nesta nossa sala de convívio. Como vê, os afectos também se adquirem por herança, como no caso,e, às vezes vêm de tão fundo no tempo que é como se sempre tivessem estado acomodados no nosso coração.
Se me parece normal que seu Avô e eu possamos ser amigos ,parece-me um milagre, um presente dos céus receber a atenção do neto.
Sou-vos grata, muito grata pela companhia que os vossos corações me dão
Beijinhos aos três
Tia Zé


De Gustavo Frederich a 4 de Maio de 2008 às 11:29
Bom dia minha Tia querida
Hoje neste dia tão bonito
como é o dia da MÃE
DEixo-lhe aqui um beijinho muito especial
e umas flores
para uma Tia que Adoro pela ternura das
suas palavras e pelo lindo sorriso.
.....
Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:

Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.

E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade
....
Esperava hoje um texto sobre a sua Mãe, mas
deste que escolheu - também gostei muito.

Mil beijinhos Tia Tão Querida
Gosto muito de si

Gus


De maria josé a 4 de Maio de 2008 às 12:34
Gus - é sob a comoção da beleza do poema que me ofereceu, mais da beleza do perfume de alma que inspirou a mão que o trouxe até mim, que lhe venho agradecer.
Bem gostaria eu, de ser capaz de escrever sobre a minha Mãe. Bem gostaria! - mas não sou.
Às vezes conto coisas passadas com ela. Mais - não sou capaz. Não sou capaz de a separar da ideia de vida na sensaçáo de mim. Da sensação de todo.De uma certa forma de absoluto como se fosse asa de Deus.
Mesmo agora, como sempre, vendo as minhas mãos no teclado, é como se visse as dela, porque a semelhança é impressionante, e, isso, condiciona ,desde que me conheço , tudo quando faço, mas também me guia.
Eu sei que entende.
Penso já lhe ter dito algumas vezes que acredito noutra qualquer geração ter morado numa cabana numa bela floresta. Colheria então ervas e faria mezinhas e sortilégios vários .
Quando se embrenhar entre as árvores montando Antares, espreite sempre e, se vir a tal cabana,(porque ela sempre existirá) já sabe que estarei a vê-lo passar e lhe desejarei todo o bem do mundo.
Um beijo
Tia Zé




De Luis Carlos Presti a 4 de Maio de 2008 às 11:48
Olá Bons Dias
Hoje não podia falhar...
Hoje é dia da Mãe
pelo que venho deixar-lhe um Grande Beijinho
pelo dia que é - por ser mulher - por ser a minha
Tia tão querida como a Senhora
Flores para si
Hoje e todos os dias

Um abraço Tia querida

Luis


De maria José a 4 de Maio de 2008 às 15:10
Luis Carlos - Ainda bem que apareceu,porque hoje me apetecia apoiar no seu braço e passear por Florença.
Gostava de revisitar muita coisa bela que vi de corrida e, depois beberricar um chá numa esplanada apreciando os cambiantes da luz do entardecer.nas árvores , nos monumentos, no casario.
Então...cofessava-lhe - sem me envergonhar - que é mentira - que não pinto nada. Apenas gasto tintas, quase pela mesma razão que devoro saladas - gosto das cores - que posso fazer?
Verdade que sei! - posso dar-lhe a minha ternura amiga num abraço grande pela sua presença sempre querida e pelos seus comentários
Obrigada sempre
Um beijo - tia Zé


De Fisga a 4 de Maio de 2008 às 11:49
Na verdade minha amiga, aqui se vê os pequenos gestos e as grandes coisas. Quanto valor encerra. Eu confesso que nunca tinha pensado no quanto uma mão pode significar. Agora estou a pensar que a mão define facilmente o ser humano, ela pode demonstrar o quanto o ser humano é: Bom e mau, altruísta, e guloso, amigo e inimigo, carrasco e salvador. Um sem fim de coisas boas e más. Uma infinidade de simbolismos que a mão pode definir. Um beijo e bom Domingo.



De Maria José a 4 de Maio de 2008 às 15:17
Amigo
Acontece. Andamos às vezes tão distraídos que nem reparamos como são importantes as coisas comezinhas que preenchem o nosso dia a dia.
Obrigada pela saudação que retribuo
Felicidades -
Maria josé


De Fisga a 4 de Maio de 2008 às 17:46
É verdade minha amiga. Coisas comezinhas, diz muito bem. Mas é com estas coisas comezinhas que nós fazemos e desfazemos tudo nesta vida. Um bom resto de Domingo.
P. S. Só hoje fui à parte mais bonita e importante do seu blog. Que é o principio. Que coisa bonita feita com gosto, habilidade e carinho. Parabéns.




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