Domingo, 25 de Maio de 2008

Outono

 

O Outono já chegou…

Deitou as folhas ao chão!

E procurou ávido, curioso,

O âmago, o coração!...

Veio em redemoinhos…

Veio nos pés do vento…

Não atendeu um lamento,

E devassou, e despiu

Sem carinho, em gesto cru,

Quis ver tudo bem por dentro…

Tinha a volúpia do nu!...

 

Era satânico, cruel,

Mas disfarçou seu intento

Num entardecer doce, lento,

Que o simulava de santo

No seu manto de burel!

Sob tanto enfeite lindo

De frutos, folhas, flores,

O Outono desconfiou

Que as árvores queriam esconder

Erros de estranhos amores!...

 

Então a raiva cegou-o!...

Chegou, despojou, varreu…

Em procura de pecados

Quase nenhuma esqueceu!

Mas parou envergonhado

Porque disfarçadas nas graças

Que a Primavera lhes deu,

Tudo o que as árvores fizeram

Foi crescer direito ao céu!...

 

Enganara-se o Outono

No conceito de beleza…

Primavera – é mocidade

E ser menina – é pureza!

 

Então o Outono triste,

Cheio de mágoa recuou…

E deixou passar o Inverno

Que a tristeza – chorou!!!

.

Maria José Rijo

1953

.

 

 

 

I Livro de Poemas

Poema nº 13

Pág 73

Desenhos da autora

 

estou:
música: I Livro de Poemas - Poema - 13

publicado por Maria José Rijo às 23:36
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5 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 26 de Maio de 2008 às 00:05
Mas que maravilha de poema, realmente a Tia
é mesmo muito querida.
Gosto imenso desta sua forma de escrever a
poesia... é tão natural - tão bela.

Parabéns por mais este belissimo poema.
Só uma pessoa de almas grande consegue
assim- escrever tão belos poemas.

Um beijinho enorme
Gisa


De Flor do Cardo a 26 de Maio de 2008 às 00:52
Alma de Poeta.
Alma cristalina de uma beleza ímpar.
Assim são os seus poemas - muito lindos.

Sou um apreciador compulsivo pelos seus
escritos - tanto poeticos como apenas
textos de prosa.

Não deixe de escrever.
Sei que lhe peço algo - dificil - sei (olhando
para as minhas vontades) que deve-lhe (por
vezes) custar a escrever - ou porque não lhe
apetece - porque outras coisas ocupam o tempo,
ou mil e uma - outras razões também importantes.

Vejo por mim.
A Cada ano que passa - a minha vontade para
certos afazeres - desmorona-se e agora - até
dou por mim a pensar que deveria fazer isto
ou aquilo - mas parece que o meu corpo se
recusa a levantar-se - costumo dizer que a
genica que eu tinha (ainda no ano passado)
se deitou para dormir - abandonou-me com
esta vontade de fazer - mas sem a concretizar -
resumindo - dentro da minha cabeça - faço tudo,
até o que eu diria ser impossivel...
bom... estou velho - este sintoma que a cada dia
aumenta drásticamente.
Eu já partiria MAS - os que me rodeiam precisam
de mim (imagine) - o meu neto chora a meu lado
dizendo que não consegue imaginar a sua vida
sem a minha por perto.
Eu também tenho pena que isso aconteça - e vai
acontecer - mais cedo ou mais tarde - mas ele
não se conforma... e eu nem sei o que lhe dizer.
Nada posso fazer para modificar isto...

Desculpe amiga Maria José por esta a falar destes
tristes assuntos -. mas é o que se depara aqui em
casa.
Estou... nem tenho palavras para poder remediar
esta criança de chorar assim.

É bom sentirmo-nos amados por quem nos olha
de perto, por quem nos telefona muitas vezes
durante o dia...
Posso dizer que me sinto amado - tão importante
neste final de vida.

Um abraço Maria José
e desculpe este desabafo - de alma.

Com imensa admiração por si
Luciano


De Gustavo Frederich a 26 de Maio de 2008 às 01:11
Hoje fiquei tão feliz...
Este poema é lindo, ADOREI tia.

Sáo todos perfeitos os seus poemas e principalmente
são assim desta forma - assim tal como os
fáz.

Encantou-me a forma sua de apresentar este
Outono.

Ah é verdade - uma boa novidade - este fim de semana o meu amigo padre veio cá a casa e
consegui que ele entre as horas das rezas e as
de descanso - lhe mostrei os seus blog.
Ficou boquiaberto por tanta beleza.
Adorou todo o blog - as fotos - a apresentação
que era de uma beleza imensa.
levou has a ver o seu blog e a tecer belos
comentários.

Fiquei Feliz por ele ter tido a oportunidade de ver.
Enviou um abraço e um pedido para continuar e
não deixar de continuar esta maravilha de blog.

Com um beijinho grande

Gus


De linhaseletras a 26 de Maio de 2008 às 01:14
Este poema é muito bonito, deu-me muito prazer lê-lo
É quase da minha idade, também estou no Outono da vida ,mas como sou teimosa, tento sempre estar na Primavera, e fazer da vida um jardim.
Boa noite


De Dolores Maria a 26 de Maio de 2008 às 22:21
Minha querida Tia
Mas que poeminha tão lindoooooo.

A tia é mesmo muito querida. Este seu blog
é o blog mais querido que eu conheço.

Não vim cá ontem porque estive num jantar
do grupo das danças de Salão - estivemos
eu e o Avelino numa espécie de concurso
e eu e o meu Avelino ganhamos o bailarico
com um passo doble.
Foi lindo Tia, Adorei.

Mas senti a falta de vir aqui a esta sua casa.
Faz-me falta estar aqui nesta sua casa.
Obrigada Tia
por este este blog que eu gosto tanto.

Beijinhos Tia
Tia querida

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