Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Eu venho para dizer: “ Se…”

Jornal de Elvas

Nº 2.056 – 15 de Fevereiro 1968

Ano 43

Director e Editor – Major José Baião

 

 

 

Com este titulo, a propósito duma missiva enviada “ao Diário Popular” pelo nosso colaborador Sr. Eurico Gama, Director da Biblioteca Municipal, carta que foi premiada e depois publicada no Jornal de Elvas, de 1 do corrente, insere aquele diário da tarde uma carta que, com a devida vénia, passamos a transcrever, para os menos avisados, que o Viaduto denomina-se da Nova Porta de Évora.

Sobre Elvas, o Eurico Gama disse:

“Mas…” Eu venho dizer: “Se…”

Se o Eurico tivesse falado no desenvolvimento extraordinário do comércio, a ponto de ser necessário fechar ao trânsito de veículos algumas ruas da cidade em horas de maior movimento…

Se tivesse falado nas pousadas, instalações hoteleiras e citando a doçaria…

Se tivesse lembrado o fabrico de conservas de tomate, ameixas, azeitonas, pimentão…

Se tivesse contado que se construiu uma escola técnica, um palácio da justiça, uma cadeia, instalações novas para dois bancos, edifício próprio para o Centro Recreativo – tudo isto, e também o que o Eurico Gama disse, em menos de vinte anos.

Se não tivesse esquecido o viaduto Duarte Pacheco…

Se tivesse confessado como são “lutadores” os dois jornais da cidade…

Se tivesse citado a beleza do novo Colégio Teresiano – “á mon Avis” – MAS… o grande MAS que “tira a vista” ao indispensável liceu…

Se tivesse tido a imodéstia de falar na obra dele, com publicações a historiar tanta coisa que dormiam, as conferências, exposições, agora os colóquios com que fomenta e mantém a actividade intelectual de Elvas, e tivesse acrescentado ainda como se bate pela praça de toiros…

Enfim! Se o Eurico depois dos seus “mas…” tivesse dito Sim!

Venham, que muito já se fez, e por mais se luta sem enfado, eu não escreveria esta carta.

Visite, sem hesitações, e admire, ensine a admirar uma cidade que é bela, limpa e progressiva.

 

Maria José Rijo

 

#####

TEM AGORA A PALAVRA O NOSSO COLABORADOR E AMIGO

Sr. EURICO GAMA

 

No “Diário Popular”, do pretérito dia 7, foi publicada uma outra e interessante carta acerca de Elvas. Assina-a a distinta poetisa, D. Maria José Travelho Rijo, que nela faz a apologia do progresso verificado na nossa terra nestes últimos vinte anos.

Pela nossa parte concordamos logo com a transcrição da simpática missiva, embora o nosso ponto de vista na carta que enviámos ao “Diário Popular” tivesse sido algo diferente: sem esquecer o que em Elvas se tem feito (e não havia necessidade de estar a pormenorizar), pareceu-nos mais acertado, mais conveniente, focar o que falta, apontar o que não temos e andamos a pedir há um ror de tempo: o Mercado, o Matadouro. O Liceu, o Turismo, o Quartel para os Bombeiros, a Praça de Touros, os telefones automáticos, etc,.

E quanto a Elvas, cidade limpa, foi, foi…

Não quero, porém, que me considerem desleal, que nunca fui para ninguém e muito menos para uma Senhora, por isso me pareceu muito bem, que o “Jornal de Elvas” publicasse igualmente a gentil carta de D. Maria José Travelho Rijo, Senhora que muito prezo e cujo espírito culto bastante admiro, e a quem testemunho o meu melhor Bem haja pelas palavras, imerecidas, com que se refere à minha humilde pessoa.

 

Eurico Gama

 

estou: 15 de Fevereiro de 1968
música: Maria Jose Rijo responde a Eurico Gama

publicado por Maria José Rijo às 21:31
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5 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 8 de Agosto de 2008 às 00:41
Olá boa noite
Cá estou a marcar a minha presença, neste lindo
blog, neste blog que eu adoro.
Que linda foto sua. Gostei muito e tem aqui um
bonito texto que refere a sua cidade.
beijinho tia
e espero que não tenha muito calor nesse Alentejo

Gisa


De maria José a 8 de Agosto de 2008 às 22:16
Gisa: - acredita, por certo que embora me apetecesse estar horas à conversa convosco o meu tempo cada vez me rende menos?
Hoje, ganhei estes momentos extra, porque o "meu"jornal está de férias. Se lhe disser que a minha colaboraçâo, não é, nem nunca foi paga, talvez perceba porque me sinto mais relutante em faltar a este compromisso de afecto que criei. Só que quanto mais escrevo, mais responsável me sinto e, consequentemente mais dificuldade tenho em escrever.
Entende-se, não é?
Beijinhos - tia Zé


De Gustavo Frederich a 8 de Agosto de 2008 às 00:50
Tiazinha
Hoje fala-lhe da Itália estou em Roma na casa de
uns amigos, vim passar o fim de semana e já lhes mostrei o seu blog.
Claro que adoraram e prometeram ler os seus posts.

Voltou a postar novamente, o que muito me deixa feliz porque pensar que não temos textos porque
possa estar adoentada - deixa-me preocupado.
De verdade que me sinto preocupado consigo Tia.


Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca


Muitos beijinhos Tia querida

Gus



De Maria José a 8 de Agosto de 2008 às 22:34
Meu sobrinho Querido
Não conhecia o poema- acho lindo.
Li, reli, e não consegui eximir-me a pensar. - Quem estará melhor no retrato! - O Gus? ou eu?
Às vezes sinto-o tão perto de mim que deixo de lamentar que não venha bater-me à porta e perguntar se a Bia fez, ou não, o seu bolo preferido , ou qualquer outra bagatela que me faça sentir que está tão junto de mim, fisicamente, como do meu coração.
Boa estada em Roma .
Dê um torrão de açucar a Antares,quando regressar, um só, não faz mal e, afinal, é um miminho para quem vai ter responsabilidades de família...
Beijinhos Tia Zé


De Fisga a 9 de Agosto de 2008 às 09:35
Olá amiga: Fico tão feliz por ver o grande patriotismo que há em si. Mas não é só patriotismo, é um grande grande amor à terra mãe, o seu amor é de modo incondicional que consegue hesitar em protestar quando vê que algo está mal. Eu posso não a comentar sempre mas leio-a sempre que posso, porque lê-la é juntar mais algo ao meu património cultural. Obrigado Um abraço.


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