Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

A Falha

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.827 – 18 - Agosto - 2005

Conversas Soltas

 

 

Quando o Verão chega, o Algarve é a tentação.

Verdade que, nisto de praias, o nosso pais é privilegiado com a abundância e a beleza de quantas bordam a costa de norte a sul!

Porém o morninho das águas que se espraiam pelo areal imenso desde Monte Gordo até para além da Manta Rota, não tem comparação com quaisquer outras.

Quando as marés não são de mudança de estação, e o mar está chão, é impossível sonhar melhor espelho para o céu e maior conforto para corpo e alma do que por lá se nos oferece, no gozo de mergulhar, naquele marsão a perder de vista.

Os anos passam, mas a tentação das praias está desde a infância arreigada às nossas recordações.

E, quando o calor aperta não há mais do que ceder ao desejo de rumar ao sul, mesmo que para tal já se tenham perdido as companhias das nossas vidas, e a comodidade das viagens de carro...

Vence-se a luta com a saudade, e arrosta-se com a aventura da incomodidade de viajar com bagagem passando de camioneta para camioneta, com as malas à trela como se fossem animais de estimação.

Assim foi.

E, foi bem! – Só que ao chegar a Faro, capital do distrito, e, neste momento capital da cultura, à surpresa, juntou-se a indignação.

Historiemos porquê!

Parte-se de Elvas num veículo da rede de “expressos”.

Certo. Em Évora há transbordo. Certo.

È incomodo mas é assim.

 

Chega-se a Faro, e a estação de camionagem é um nojo. Mal cuidada, suja, asfixiante de calor e poluição.

Procura-se uma sala de espera para as horas em que é necessário aguardar a chegada do autocarro que nos conduza ao nosso destino e, deparasse-nos uma sala com cadeiras partidas, chão imundo, mal cheirosa, enfim, um ambiente incrível – deplorável!

A repulsa cresce dentro de nós.

Tenta-se então uma possibilidade de guardar a bagagem para passar no exterior as horas que se têm que esperar.

Não há!

Procura-se outro recurso.

Encontra-se uma sala de espera limpa, com bom aspecto, mas fechada.

Pede-se que seja aberta.

Que não!- que era impossível porque o nosso autocarro não era VIP!

Só pergunto: que culpa temos nós que ao percurso que fizemos não  tenha sido atribuído um carro VIP?

Que culpa temos nós de tal manifestação de racismo?

         Desta falta de respeito por quem paga e usa o que lhe atribuem, e depois é desconsiderado porque não o serviram tão bem quanto, afinal, poderiam tê-lo feito!

Meus pais casaram em Faro e repousam lá no cemitério. Minha irmã nasceu lá. Tenho lá família e amo aquela cidade arejada e bela, como poucas. 

Dá gosto visitá-la e conhece-la.

Nesta altura oferece um mundo de eventos culturais muito apreciáveis.

Na feira do livro não faltava nenhuma das melhores editoras.

O ambiente geral era aprazível, apetecia não sair de lá, não perder pitada.

Tudo isto é verdade, mas a estação de camionagem onde, nem sequer todo o pessoal foi cortês, (o que se compreende pelo ambiente infernal que lá se vive) não honra nem Faro, nem a empresa que a gere.

É, sem dúvida, uma falha sem perdão.

 

 

 Maria José Rijo  

 

 


publicado por Maria José Rijo às 01:15
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4 comentários:
De Gustavo Frederich a 15 de Agosto de 2008 às 01:35
Olá Olá Tia
Hoje vim mesmo só para ler o seu texto - hoje
da sua via gem para a praia e gostei muito,
aliás como gosto sempre dos seus textos.

Este fim de semana vou a Nova iorque ver uma
colecção de arte e vou estar bastante ocupado~
MAS se eu tiver um tempinho quero vir aqui
a nossa casa - olhar as postagens.

Mil beijinhos Tia
Qie tenha um feliz fim de semana

Seu sobrinho

Gus


De Dolores Maria a 15 de Agosto de 2008 às 01:40
Tiazinha querida
Hoje ainda estou de pé porque estou a terminar
de assar um leitãozinho - é o Luizinho e foi a
pedido da Luizinha que adora e agora gravida
ainda mais.

Já todos dormem mas eu sempre atarefada e nestas
lides de cozinha.
Sabe que o meu Avelino hoje lembrou-se outra vez
da minha paxão - e eu fiquei contente porque
não se esuqce de quem aprendeu.

A Luisinha agora dorme imenso...

Ai o meu leitão...
Vou ver...

Muitos beijinhos tia
(Ah já tenho mais uma pedra no meu colar - somo
4.

Beijinhos tia
De todos nós para si

DO LO RES


De Fisga a 15 de Agosto de 2008 às 15:50
Olá Sra. Dona Maria José Rijo. Infelizmente, é assim. Vivemos num país que se diz não racista, mas que não hesita em ser racista com os seus próprios iguais. Tudo porque ainda há muita gente que se julga alguém e afinal não sabe merecer o respeito de quem lhes enche os bolsos, Porque ainda vive agarrada ao passado, em que o povo era dividido pelos seus teres e haveres, onde havia uma classe que nem por gente era tratada, mas sim por raia miúda. Para esses senhores a raia miúda ainda continua a existir. E é nestas coisas de transportes e outras que tais, que estes se fazem notar ainda muito este estigma. Um muito obrigado por mais esta pedrada no charco. Abraço.


De Adalgisa Alexandra a 15 de Agosto de 2008 às 19:16
Olá Tia
Passei para lhe deixar um beijinho grande
mais um textos bem feito da minha tia.

Bom fim de semana

Gisa


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