Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Reconsiderando...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.563 – de 7-Julho-2000

Conversas Soltas

 

 

         Por vezes faz-nos bem reconsiderar sobre velhos temas ou velhos assuntos; mormente se, ou, quando, nos apercebemos de como podem ser, são, ou foram manipuladas e adaptadas aos interesses dos opositores as nossas ideias ou alvitres.

         Em primeira análise estas circunstâncias fazem que se pondere aprofundadamente no que entendemos como honestidade.

         Mais importante, ou, tão importante como ser-se honesto não roubando; é ser-se honesto não forjando mentiras e falsidades sobre afirmações ou atitudes de outrem.

         Subjacente ao roubo, ainda pode estar a fome, ou qualquer vicissitude que possa tornar humanamente desculpáveis pequenas infracções desse tipo. Porém, quando é com astúcia, perfídia até, que se forja e propaga a mentira, que denigre as ideias alheias só por não serem coincidentes com os interesses de quem detém o poder e os meios para amordaçar quem não fala a sua própria linguagem - então, essa, é a mais torpe das desonestidades , porque é a desonestidade intencional e intelectual.

              

         Ouvi recentemente numa entrevista televisionada alguém de mérito afirmar, com muito bom senso e, bastante coragem, (na minha opinião), que para os políticos não é condição básica serem bons gestores. Essa será uma virtude a exigir aos gestores: - que sejam capazes, lúcidos eficientes.

         Aos políticos, deve pedir-se, inteligência dos problemas do seu tempo, visão de futuro. Capacidade, coragem e honestidade para investirem no desenvolvimento dos povos que governam, nas Câmaras que dirigem, nos serviços que dependem das suas direcções, nas obras em que investem os dinheiros públicos.

 Pela independência e despojamento que mostrarem escolhendo - não o melhor para a sua reeleição - para a sua popularidade - mas, o melhor para servir o IDEAL que os deve nortear no desempenho das suas funções, - por essa bitola é que seria justo medir o mérito dos políticos.

Estava a ouvir e pensei que essa espécie deve estar em extinção. O que é absolutamente deplorável. Embora ainda haja alguns exemplares, claros!

Não fora assim e o Porto não teria a sua “ Serralves” que tanto prestígio lhe dá e dará, por certo, com um museu de arte moderna que está dando cartas na península, e todas as outras estruturas culturais que comporta e enriquecem a cidade que dele se orgulha.

Se calhar, nesse espaço, tinha uma serie de bairros residenciais, sem mais ou menos mérito que outros de outras cidades; e, os responsáveis pela troca diriam: - (como se estas coisas se fizessem por acaso, ”ab ovo” sem o sua intervenção, e não por interesses imediatistas): - tínhamos que evitar que isto se tornasse um vazadouro público!

joaquim_serralves_foto_by_luis-duarte_final.jpg

O que é tão desonesto como dizer: - ou o fruto do meu bestunto ou o caos!

Por comodismo, muitos fingiriam acreditar. Outros poderiam ainda interrogar-se: - não haveria outras ou melhores opções?

Outros, mais reticentes e menos acomodados talvez comentassem: - o idealismo na política existiu no tempo em que nela ninguém enriquecia, pelo contrário...

Desta forma, com os interesses económicos, de alguns, pressionando; - com o desinteresse e o cansaço de outros - tirando escusa de actuar - pela convicção, de que já  nada vale a pena...pela acomodada negligência de outros, que apenas e sempre só conhecem os seus interesses particulares e ignoram a causa publica, as cidades se vão anquilosando, tornando vulgares e defeituosas, sepultando sob cimento, - história, alma, e tudo que as diferenciava e distinguia das demais. O que as tornava raras, diferentes, apetecíveis – notáveis!

         Penso que vale e valerá sempre a pena reconsiderar. E intervir. Intervir ainda que se saiba que nada se possa alterar no momento, porque o registo do alerta persistirá. Ainda que se saiba que a resposta imediata possa ser apenas o desagrado de quem manda, a vingança mesquinha, a frase mais ou menos grosseira que nos possa ser dirigida, o remoque virulento de quem reage incorrectamente por falta de capacidade, talvez, para agir com correcção, com dignidade.

                         Clicar para ver imagem em tamanho real

         Vale a pena reconsiderar se a gradezinha, o repuxo, o arrebique piroso, tem alguma coisa a ver com a nobreza sóbria da pedra vetusta e nua.

         Vale sempre a pena reconsiderar. E vale porque Vida e Serviço podem ser sinónimos.

         Servir o próximo é servir a Deus; e só com a coragem da nossa verdade, da nossa honestidade, da autenticidade que imprimirmos à nossa Vida serviremos a Deus e alcançaremos a plenitude da nossa própria existência.

Ninguém pede a ninguém que esteja contra quem quer que seja! - Não! Não é disso que se trata

Pede-se a cada um que não se omita, que reconsidere, - que não esteja contra si próprio - pense, e saiba e sinta que somos, cada um ,parte de um todo, onde tudo o que acontece tem, quer queiramos, quer não, o selo da nossa conivência ou da nossa rejeição.

Nisso deveremos, penso, muito seriamente, reconsiderar.

        

 Maria José Rijo

 

estou:
música: Reconsiderando

publicado por Maria José Rijo às 20:23
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1 comentário:
De Dolores a 15 de Agosto de 2008 às 21:23
Minha tia tão querida
Mas por onde anda?
Já se esqueceu desta sua familia?
Anda doente e sem vontade de caminhar aqui
junto de nós?

Volte tia, volte a este nosso convivio.
Precisamos de si, das suas palavras.
É mesmo verdade.
Gostamos muito de si.

A Luisinha está a arrumar a arquinha das roupinhas
da Magé. Mais uma vez o médico lhe disse ser
mesm uma menina e só pode ser linda.

Saudades para si tia
Volte até aqui.

Beijinhos

DO LO RES

Ah hoje o nosso jantar foi uma açordinha
das suas.
A sogrinha gosta imenso, todos nós.

Beijinhos

DO LO RES


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