Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Ângulos diferentes

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.642 – 25/ Janeiro /2002

Conversas Soltas

 

Valendo, embora, como sempre, a sabedoria popular de que a cada cabeça cabe dar uma sentença, acho que a história das formigas que uma rajada de vento assoprou para cima dum elefante pode, melhor, servir de exemplo

Quando se observam por ângulos diferentes, os mesmos acontecimentos.

 Na verdade, a que caiu sobre a tromba, contava depois, esbaforida de medo, que uma serpente lhe saíra ao caminho e a lançara com violência pelos ares.

A que pousou numa perna, narrava, quase incrédula, que descera por um tronco tão grosso e áspero que nem parecia real e, que se movimentava...

Já a que dera voltas e reviravoltas primeiro que conseguisse sair da orelha do paquiderme, falava dum entontecedor passeio num redondo planalto de onde se avistava quase toda a floresta em redor...

Todas falavam de um mesmo animal, só que, cada qual tinha apenas a perspectiva da parte que conhecera.

Em política, muito se passa deste modo.

Perde-se a perspectiva do todo, e puxa cada um a brasa à sua sardinha, tirando conclusões precipitadas, ou as que melhor lhes convêm.

 

 Olhar cada um só o seu pedaço, transforma a política num compadrio, numa tarefa menor, bem longe da nobre arte de governar. A percepção dessas situações torna o povo desconfiado, descrente, e convida à generalização que o faz olhar a parte, como um todo, classificando os políticos, sem excepções, de mentirosos e falsos, o que, parecendo lógico é injusto, porque sempre houve e haverá bom e mau, na política, como em tudo.

As manipulações de resultados e de percentagens se não sugerissem a manipulação dos destinos das pessoas dariam para rir...assim, não.

Contam-se maiorias absolutas que, bem feitas as contas nunca existiram.

Quando num todo, quase cinquenta por cento se abstém; uma boa percentagem vota branco, onde vão buscar essas tais maiorias?

Como tal pode acontecer, não entendo.

Ou será que um país se pode assim fraccionar, deixando de se considerar o valor e peso numérico – maior às vezes – dos que se calam e não pactuam -  do que, daqueles outros,  que se submetem e , mesmo descrentes, vão colaborando?

Como se podem ignorar esses indicativos e, não os contabilizar?

Vejamos:

Em 19.875 eleitores, votam – 10.975. Alheiam-se 8.900.

Juntando a esse número 354 que votam branco, temos 9.254 eleitores que explicitamente voltam costas ao sistema.

O P. S. ganhou com 8.085.

Sem precisar de mais números, fica evidente que ganhou a indiferença!

Haverá lugar para festejos perante tais resultados? - Creio que não.

Não será, antes, altura para que cada um procure entender e ler, o todo, da voz de um povo, em lugar de só fixar a fatia que lhe é favorável? – Julgo que sim.

Num qualquer clube de futebol os adeptos estão filiados. Podem contar-se.

       

A direcção do Benfica é eleita por benfiquistas, no Sporting, por sportinguistas...etc...etc...etc...

Num partido político, não é assim. Os partidos políticos, como os tubarões, trazem atrás de si cardumes de peixes miúdos que vivem parasitando, alimentando-se do que catam dos grandes. São uma chusma omnívora, voraz e flutuante que corre para onde algo lhe escorra para o papo.

Só têm um fito: - fartar-se – não importa de quê, nem à custa de quem.

Tendo aprendido isso, com a sua inata argúcia, o Povo, desiludido, abstém-se. Reprovando assim as malfeitorias que em nome da política se perpetram e recusando a cumplicidade do seu voto explícito.

Fazendo uma leitura autista dos resultados há lugar para foguetes.

Há sempre lugar para foguetes, para quem os queira deitar...

 Não faço futurologia, mas, creio firmemente que a chusma flutuante que já vi noutros séquitos, se a maré virar, também virará. Porque isso de convicções, fidelidade, princípios, honestidade, firmeza de carácter, ideais, em conclusão: - vergonha! – Está com muito baixa cotação na bolsa de valores correntes.

              Caos nas bolsas de valores do mundo todo

E, filiados na cor, haverá, tantos assim?

Dizia-me outro dia, pessoa amiga, a propósito destas massas flutuantes, que hoje há poucos homens a quem se possa e deva tirar o chapéu!...

                    

Se calhar é por ter perdido essa nobre função de mostrar deferência para quem possuía tais (perdidas) virtudes que o costume de cobrir a cabeça caiu em desuso!...

 

 

Maria José Rijo

 

estou:
música: Angulos diferentes

publicado por Maria José Rijo às 22:39
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5 comentários:
De Flor do Cardo a 19 de Agosto de 2008 às 01:17
Sim Senhora
Um bom texto, gosto muito deste seu tipo de texto.
Como sempre afirmo - a Senhora tem bom gosto
e sabedoria para a escolha de assuntos.

Bem haja por mais este texto, devo dizer que até
na escolha das imagens tem tido muito gosto.

Agora, sobre nós, sabe que como o meu filho está
de férias levamos muito tempo na quinta, já que o
Gílio agora quer fazer vida de fazendeiro.
Imagine a nossa vida.
Mas está feliz.

Um abraço

Luciano


De Maria José a 20 de Agosto de 2008 às 21:23
Já tinha saudade de vir conversar com o meu amigo. É verdade - porém tenho estado muito atarefada com a exposição de São Mateus. Como sou terrivelmente distraída não reparei no tempo que a exposição vai estar patente e agora que tive isso em conta não sei como vou suportar a minha casa despida dos seus pertences por período tão longo.
Não sei se é a brincar que dizem vir às festas da cidade...com os aviões não há distâncias, é certo.
Diverte-me a ideia de pensar que acompanha o seu neto na experiência de ser fazendeiro.
Que bom que é ser jovém!Que bom quando todos os sonhos e aventuras cabem na alma da gente.
Que Deus vos guarde e proteja. Nem avaliam como me faz bem comunicar convosco
Beijinhos Maria José


De Gustavo Frederich a 19 de Agosto de 2008 às 02:01
Querida tia
Já voltei para a vida diária, o trabalhinho hoje foi
em cheio, mas quando fazemos do que gostamos...
leva-se bem neste dia a dia da vida.

Hoje mostei o seu blog a um colega português que
veio trabalhar para a Suiça e ele Lisboeta de gema
ficou encantado com a sua forma de escrever, esta
sua forma bonita e poética de falar da vida - das
coisas da vida.
Achou muito interessantes as suas poesias e diz que
são como musica nos ouvidos de quem lê.

Fiquei feliz e ele comentou-me que pretende entrar
para esta nossa familia - de amigos seus - on line.
Se não vier - eu cobro - a visita. Ai se cobro!

Acho sinceramente que as pessoas deveriam
comentar os blogs porque é importantes as opiniões
de quem lê - para quem escreve.
è sempre bom sentir que temos alguém sentado a
nosso lado, que nos ouve e até nos pode falar.
Como o nosso caso tia.

Ah queria perguntar-lhe - tinha lido por aqui que
estava a preparar uma exposição e fiquei com
curiosidade - é sobre pintura - os seus quadros?
E quando e onde é?
É verdade que eu não conheço a cidade - só pelo
o que a minha tia aqui nos conta - mas certamente
será nalguma boa galeria - aí nessa sua cidade.
É tia?
Gosto muito de saber que esses temas a interessam,
assim sinto que os nossos caminhos não só se
cruzam pelos da poesia ou poeticos.

Beijinhos tia
Gosto sempre muito de falar consigo aqui neste
mundo da rede.
Gosto muito de si.
Seu sobrinho

Gus


De Dolores e Avelino a 19 de Agosto de 2008 às 02:21
Nossa querida Tia
Hoje já cá não temos a Luizinha - foi para Lisboa
com a avó tratar de certas coisas relacionadas com
a casa e deixou para si um grande beijinho.
A sogrinha é uma pessoa mioto válida capáz de a
ajudar na tarefa difícil que tem por diante.
Eu e o meu Aveino não podemos sair daqui - temos
os nossos meninos leitõezinhos - o quinzinho, o
pedrinho e o Tiaguito para
alimentar, mais os canitos o Sávio e o Ruivo, ainda
a gata mariazinha - ah e o canário Alípio (que era o
nome de um tio do Avelino) - como vê temos a casa
cheia de "gente" - o nosso mundo de criação.

A tia continua, graças a Deus com uns textos
maníficos - o avelino gotou imenso deste e até
tirou uma cópia para ele mostrar aos amigos.

Tia agora vou dormir e amanhã volto (claro).
Gostamos muito de si.
E a tia está bem de saúde? Esperamos que sim,
que tudo esteja bem consigo.

Seus sobrinhos
DO LO RES
e Avelino


De Maria José a 20 de Agosto de 2008 às 21:50
começo por me desculpar por não ter dado os parabens ao meu sobrinho Avelino no dia 18, data em que presumo terá feito 50 anos...
Mesmo com atraso aqui ficam e de todo o coração
Acontece que me tenho metido de cabeça a trabalhar, primeiro porque estou preparando uma exposição e, depois porque temos vivido com muita preocupação os problemas das nossas meninas.
Os tempos são muito diferentes e a forma de agir da gente nova por vezes surpreende-nos. Assim, minha irmã e eu, quietas no nosso canto rezamos e esperamos - confiantes que tudo se recomponha, mas cada uma a seu jeito cá nos vamos atordoando
com os nossos afazeres.
Ainda bem que a Luisinha vai abrindo de novo o seu caminho.Também eu espero com muita alegria que pelo Natal já tenham não só o coração mais cheio, mas o colo também.
Obrigada por pensarem em mim

Beijinhos para todos tia zé


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