Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Não há bela sem senão

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2. 344 – De 29 de Março de 1996

Conversas Soltas

 

                Mário Soares

Ainda Mário Soares.

Nos últimos dias do seu mandato, muitos dos seus amigos e admiradores fizeram questão de o referir olhando-o à luz do seu afecto e, assim, foram a seu respeito, dizendo coisas muito bonitas.

Mais ainda! – Disseram-nas de forma emocionada, mas contida, com aquela firmeza de quem, com boa consciência, não admite dúvidas sobre o que afirma.

Os papéis e os recortes de Jornais e revistas são o meu flagelo.

                 

A minha casa é pequena. O meu espaço é limitado. Se não estiver atenta, qualquer dia, põe-se a questão: - eles ou eu?!

Lembro-me com frequência, frente ao meu “problema”, de um artigo de jornal que um dia li e se intitulava: “os insectos disputam ao homem a posse do globo”.

Parafraseando, eu poderia dizer que os papéis disputam o meu espaço.

É que o meu combate é contra a papelada...

...Mas, voltando ao “mote”...

Das coisas, quero dizer, das afirmações mais expressivas que ouvi, algumas fui anotando.

                            

Um homem, lá de cima, do Douro, médico, amigo e companheiro particularíssimo de Mário Soares, de nome – Luís Roseira – quando entrevistado, pelo telefone, com voz clara e segura – dele – afirmou: “Um homem fraternal, com um interior forte e chão. Nunca traiu os amigos”.

São frases curtas que definem nitidamente um perfil.

Quase se pode dizer: - dois perfis.

O de quem retrata e o de quem é retratado.

Aliás, isto é mais do que um vulgar retrato.

Estas palavras recortam tão perfeitamente uma personalidade como um cinzel talha uma figura em pedra.

Júlio Pomar, também em directo, pelo telefone, sem hesitações, lá de Paris, testemunhou:

“Ele nunca se confundiu com os cargos que teve.

Manteve-se sempre gente – capaz de rir, sofrer,

emocionar-se”.

Quem não “apanha” aqui a bonomia, o calor humano, a palmadinha nas costas, que o aproximavam da multidão anónima ou a qualidade de pessoa que o detinha na medida certa ao lado dos grandes com quem ombreava!

                        

Ninguém, de boa fé, pode negar que tudo isto são verdades.

Porém, também é verdade a tal história da amnistia.

A tal incontrolável vontade de, por vezes, ser mais papista que o Papa.

O tal calor humano que nunca o deixou confundir-se com os cargos que teve e fazia “o homem” sobrepor-se ao cargo levando-o a temeridades de consequências impensáveis.

“Oh, Senhor Policia – desapareça!” (lembram-se!)

A amnistia – foi outra “ coraçonada “ dessas...

Talvez fruto da alegria de voltar à liberdade!

Uma espécie de “partida” de fim de curso, meio irreverência, meio provocação com toda a ousadia que a circunstância proporcionava...

Realmente – não há bela sem senão!

                        

E esta soberana displicência modelou um senão que é capaz de resistir mais longamente que a própria bela...

Olhem o sarilho que por aí vai com as cadeiras...

Tanto tempo à espera de um governo socialista e, ao fim e ao cabo é um socialista que puxa fogo ao rastilho da bomba que lhe deixou nas mãos e tão estremecido o traz...

Sendo laico – não espera milagres.

Serão os socialistas super-homens?

Mistérios, que me fazem cismar!

Mistérios, que já nem espero entender.

Quem viver – contará.

Eu apenas tomo nota.

 

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:00
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