Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Pausa - 1996

 

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Há sempre um momento na vida em que se pára para pensar e reflectir.

O que fiz? – Perguntamo-nos

O que deverei fazer?

Terei procedido como devia?

Que prioridades deverei considerar nos meus objectivos futuros?

Que objectivos me norteiam?

objectivos.jpg

Serão válidos, esses objectivos?

É, como que uma espécie de balanço que  a todas as consciências se impõe.

A mudança de ano envolve, por norma, um renovar de esperanças e de empreendimentos.

“Este ano tudo muda de figura...”

“No ano novo dou uma volta a isto...”

“Se até ao fim do ano, tal, não acontecer, não esperarei mais...”

E, assim, por aí fóra...

Depois!... – Bem, depois, a um dia segue-se outro dia e a ronceirisse do rame-rame, a pasmaceira do comodismo vão roendo migalha a migalha a panóplia dos bons intentos e, o ano dos gloriosos auspícios, quase sempre termina tão pobre e esfarrapado de bons feitos como outros e mais outros que o antecederam.

Evidentemente que não é fatal que assim seja. Acontece até, que aquilo que não se nos afigurava promissor, às vezes se revela de resultados esplendorosos e oportunidades felizes. Como também acontece que o ruir de muitos bons intentos, não nos faça soçobrar e dê lugar a um proliferar de novas esperanças que inesperadamente floresceram.

Tudo dependerá das circunstâncias e de nós próprios.

         marketing-politico.jpg

“Questões de conjuntura” como usam dizer os políticos...

Ora, vinha eu, não a falar de mim, dos meus sonhos ou pesadelos. Esse é o meu canto privado, aramado e armadilhado, contra a curiosidade alheia. É onde cresce a força que me sustenta, me impulsiona e me consome.

Vinha sim, a falar, do meu envolvimento com o colectivo. Com a Cidade onde vivo, e a que com desvanecimento chamo de: - minhaonde quereria morrer e a que, como tal, e por tal, inteiramente me devo.

- Vinha assumir mais uma vez a incómoda e desgastante posição de alertar para o terrível e perigoso descuido que impende sobre a Biblioteca Municipal de Elvas...

- Vinha lembrar que enquanto eu viver – se Deus quiser – darei testemunho de que “os nove grossos volumes manuscritos da genealogia dos Vasconcellos de Elvas – foram prometidos pela Senhora Dona Cremilde Gonçalves a Eurico Gama e, a sua oferta confirmada à minha pessoa, no primeiro mandato de João Carpinteiro.

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- O senhor Cónego Dr. Silvestre – que os conserva consigo – também não o desconhece.

- Vinha pedir coragem à Câmara para indagar como “vê” este Governo – tão atento à cultura – um caso como o da Quinta do Bispo – por exemplo...

- Se o futuro não obriga inevitavelmente ao respeito pelo passado!

- Vinha alertar para a agonia da Escola de Música – vítima de imerecido desterro!...

- Vinha expandir-me sobre tudo isto...

- Vinha! – Pois vinha – mas... Repensando ocorreram-me nomes, pessoas muito mais capazes do que eu.

- Kuski – (com quem trabalhei).

- Carlos Manuel Correia Dias – tão sensível.

- Arlindo Sena (a quem gostava de mostrar o projecto museológico de Elvas).

- Patacas Caladosempre atento a todas as efemérides.

- Eduardo Proença Mamede – desenterrando história.

Jacinto e Julio César  (que conheci “Julinho” e com tanta ternura vi crescer) e hoje se debruça valentemente sobre o drama dos Fortes da sua cidade...

- E então, sentindo que estas pessoas, que citei ao correr da pena, e outras, que de momento não recordo ou ignoro – se preocupam com o livro, a cor da casa, o portal, a pedra da muralha – a calçada por onde os seus antepassados pisaram no rasto da memória de reis:

“Nos pz fazermos e de feito fazemos a dita Villa/ÇYDADE” como mandou D. Manuel.

De Bispos e demais clero que a ungiram de bênçãos.

De freiras fechadas em Conventos que inventaram suas rendas de papel e doçuras de guloseimas.

Do povo que com a força do seu sangue a enobreceu, com ela se enobrecendo também.

Que se fez soldado e aqui garantiu a Portugal a sua Liberdade...

Pensando e sentindo que esta cidade será por todos entendida como “Cidade Museu” – muralhas adentro...

Que isso há-de fazer que quem cruzar o limiar das suas portas não se possa mais furtar à percepção dum reencontro com a nossa história...

Pensando em tudo isto – dei-me ao luxo de registar este breve sumário e, passar adiante.

Fiquei a recortar ternamente o retratinho da Preciosa e a pensar no meu bom amigo Álvaro Abreu – a quem me apetece dizer: - já não sei o que é pior companheiro de mágoa? Se partir ou ficar – quando a morte quebra laços tão antigos.

E, também, da tristeza que colhi da poética homenagem que o Sr. Doutor Martinho Botelho prestou a sua querida Irmã.

Senhora que não conheci, mas, de quem guardo cartões, doces como o seu coração, quando algum “A la minute” dos meus, mais a sensibilizava

É bom fazer uma pausa de vez em quando.

Só sentindo o passado se pode respeitar o futuro.

 

                                         Maria José Rijo

@@@@

 

 

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.335 – de 26 de Janeiro de 1996

Conversas Soltas

estou:
música: Pausa - 1996

publicado por Maria José Rijo às 22:54
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8 comentários:
De Gustavo Frederich a 3 de Setembro de 2008 às 00:09
Mais um bom Texto - dentro destes MUITOS
que aqui aparecem a cada dia.
É verdade que são belissimos - são todos eles
MAS
MAS para mim - a minha alma aprecia,
sinceramente - a sua Poesia, o que ´sái da sua
alma, da sua linda sensibilidade, que nas nessa
sua alma gentil, desse seu ser que tudo é
ternura e candura.

Realmente a Tia é um ser especial.
Muito especial.
Gosto muito de si.

Gus


De Adalgisa Alexandra a 3 de Setembro de 2008 às 01:48
Passei para deixar
muitos beijinhos e desejar-lhe um Setembro
muito Bom - com a sua exposição no museu.

Beijinhos

Gisa


De Dolores e Avelino a 3 de Setembro de 2008 às 01:52
Hoje estou muito cansada minha tia.
Estive toda a tarde na paróquia com o Sr. Padre
para ajudar na decoração da igreja.
O Avelino ofereceu um vazinho de orquideas de
sapatinho para o altar do santissimo.

Sabe, gosto de ajudar o Sr. padre porque é gratificante
para a alma.

Muitos beijinhos

Dolores e Avelino.


Tiazinha
venho agradecer os seus beijinhos.
Gosto muito de si.

Luisinha


De Luis carlos Presti a 3 de Setembro de 2008 às 01:55

Voltei a este seu cantinho
onde as actualizações são dia a dia, o que é muito
bom.

Continua a ser o meu blog favorito.
E a tia a minha tia Favorita.

Muitos beijinhos

Luis Carlos Presti


De Fisga a 3 de Setembro de 2008 às 11:51
Olá Sra. Dona Maria José Rijo. Adorei ler o seu exame de consciência. Eu não sou de Évora, e nem sequer Alentejano, sou beirão Castelo Branco, Teria muito orgulho em a ter na minha Câmara em qualquer um pelouro, se não pudesse ser em presidente. É muito bonito ler e sentir a paixão com que fala das coisas e a força que lhe imprime. Do mal, o menos mal, Não é na minha câmara mas é em Portugal. E numa província que precisa muito de gente séria honesta e de pulso. Parabéns. Um abraço Eduardo.



De maria José a 15 de Setembro de 2008 às 22:18
Eduardo -Não é que lhe atribua qualquer obrigação para comigo!
Mas, na verdade se o seu silêncio pode ter várias razões, que não seja por pensar que não sentimoa a sua falta e, muito principalmente que não seja por falta de saude.
Um abraço
Maria josé Rijo


De Zé de Mello a 3 de Setembro de 2008 às 21:33
Como sempre é um prazer lê-la, ou rele-la e a semana passada ouvi-la comentar a nossa Elvas na RE.

Venho solicitar-lhe que me faça chegar uma pequena nota biográfica afim de coloca-la no blogue Os Grandes Elvenses.

Espero com ansiedade a exposição dos seus retalhos!

Receba um abraço,

Zé de Mello
zedemelo@gmail.com


De Fisga a 16 de Setembro de 2008 às 12:17
Olá Sra. Dona Maria José Rijo: Antes do mais as minhas desculpas pelo meu comportamento pouco louvável, Mas isto são as facturas que eu tenho que pagar por querer dar o passo maior que a perna. Eu meti-me em coisas que não me devia ter metido, e agora estou a rebentar pelas costuras, com falta de tempo, porque eu, fruto da minha pouca experiência, levo mais tempo que o normal a fazer as coisas. Quanto à minha já longa ausência na sua página, eu confesso o meu pecado: Eu nunca iria comentar só para cumprir protocolo, e a Sra. Tem feito umas postagens tão extensas, que eu, fico assustado quando vejo tanta coisa para ler. Mais uma vez as minhas desculpas, eu voltarei logo que possível. Prometo até porque admiro muito o seu trabalho. Um grande abraço. E o meu obrigado. Eduardo.


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