Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

O Linhas de Elvas - 2002

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.674 – 6 – Setembro-2002

Conversas Soltas

 

 

O “Linhas de Elvas” faz anos, e em festas de aniversário, ou em quaisquer circunstâncias especiais, sempre parentes e amigos aparecem para fazer a festa do coração.

É o abraço, a prenda, a flor, a presença discreta ou exuberante, o simples aceno, o jantar de festa, a petiscada, o brinde, ou, os dois dedos de conversa de quem não sabe de outro modo dizer: - estou aqui!

Esse, é o meu jeito, cavaquear um pouco, caminhar lado a lado, e, para isso, rompendo o meu forçado silêncio, aqui vim.

Junto-me a todos os outros amigos para festejar.

Olho para o percurso do Linhas e, vejo-o com orgulho a crescer com o correr dos tempos.

Medito em como os jornais, ao invés das pessoas, percorrem os seus caminhos.

O tempo passa e, com ele a Vida humana, como um rio, procura inexoravelmente a foz.

Para um semanário que já cumpriu mais de meio século, o tempo que passa promete-lhe, ao contrário do que se passa na existência humana, mais vastos horizontes de Vida.

É como que uma afirmação de capacidade.

Se a Vida humana é o rio que corre em busca do mar, e que em cada dia vivido, mais perto se aproxima do seu mergulho no Infinito; um jornal que persiste em vir à luz semana a semana, ano após ano, não envelhece, renova-se a cada número, a cada exemplar, afastando-se do fim á medida que vence o tempo, e o contabiliza como capacidade e força de viver.

Arvore

O jornal é mais como a árvore. Enraíza com os anos. Fortalece-se com o tempo.

As árvores, renovam-se em cada raminho que nelas brota. Refrescam-se em cada folha, cada flor. Engrossam seus troncos, ganham porte e estrutura. Tornam-se frondosas. Impõem-se pela majestade, embelezam-nas as marcas das tormentas, dão-lhe expressão como as rugas num rosto.

Consolida-as o tempo.

Tornam-se protectoras na oferta da sombra. Marcos, às vezes referenciando caminhos.

Dizia-nos em certo dia, dum passado já longínquo, uma velha habitante duma pequena aldeia do Minho a quem solicitamos indicações para chegar a uma Quinta situada naquela zona:

- Não tem mais que saber, meus senhores,... Caminhai e lá adiante depois da curva, encontrareis uma carvalha gigante, – vereis logo o portão, é aí.

Os jornais são um pouco assim.

Como elas, as árvores, não são eternos, mas podem ser muitas vezes centenários.

(Em Guilhafonso, pequena povoação situada, ao pé da cidade da Guarda há um castanheiro onde se vai em visita de reverente admiração.

É que ele já existia no tempo das Descobertas.

Só Deus sabe se seus iguais não sulcaram os mares feitos caravelas e, só ele, ficou para disso dar testemunho...

Aqui, ao pé de nós quem sabe se algumas das oliveiras que a eito se arrancam não serão milenares!!! – Eu, não juraria...)

Aos jornais, também o tempo os consolida. Dos seus percursos, da forma de noticiar, do porte que adquirem por “seus feitos”, sua coragem e honestidade, seu culto pela verdade, nasce e se forma a sua auréola de respeitabilidade, o seu bom nome, a sua relação com as terras a sua intimidade com as pessoas.

           

Os jornais preservam a história do dia a dia. Os jornais de província são a memória do nosso quotidiano.

De há mais de meio século para cá, quem quiser saber, qualquer coisa de interesse ou importância sobre a cidade Elvas não pode fugir à sua consulta.

Tal como a velha habitante da aldeia do Minho, referenciava o carvalho gigante, aqui, qualquer interlocutor, ao acaso, só poderá responder: - Consulte o Linhas Elvas!

Não tem mais que saber.

 

 

 Maria José Rijo.

 

estou: 2002
música: Aniversário do Jornal linhas de Elvas

publicado por Maria José Rijo às 19:34
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4 comentários:
De Anónimo a 11 de Setembro de 2008 às 20:11
Os seus textos são sempre uma maravilha.
Oh Tia
gosto tanto da forma como escreve.
Parabens
SEMPRE por este blog Lindo.
Gosto muito de si.

Gisa


De Xavier Martins a 12 de Setembro de 2008 às 00:48
Cara Maria José
Ilustre escritora e poetisa.
É sempre um prazer poder ler os seus textos.
Gosto imenso dos seus 3 blogs mas que dizer se o
Ficou Escrito é o meu favorito.
É verdade.
Aguardo, pois, que volte para ele - compreendo
que com a exposição o tempo é bem pequenino,
menor que o costume - devo confessar-lhe que
conto ir ver a sua exposição.
Deixe ver se nada atrapalha os meus planos.

Com MUITA admiração por si cara amiga

Bem haja pelos blogs
Xavier Martins


De Maria José a 15 de Setembro de 2008 às 21:59
Xavier Martins
se puder, não deixe de vir. Não pela exposição, em si, mas pela opotunidade de lhe agradecer pessoalmente o apoio que me tem dado.
U abraço grato
Maria José


De Gustavo Frederich a 12 de Setembro de 2008 às 11:10
Querida Tia
Passei para deixar um grande beijinho e dizer que vou
passar este fim de semana a Pietrelcina - vou ver o
nosso amigo que está adoentado - parece que levou
grande parte da noite a rezar na igreja - o frio não
lhe fez bem...

Beijinhos Tia

Gus


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