Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

O São Mateus e as vozes... - 2008

18 de Setembro de 2008

Nº 2.986

Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

 

A procissão dos Pendões é longa...longa...longa...

Repete-se na sucessão dos tempos.
Começou há séculos, talvez... e, ainda hoje serpenteia pelas ruas da cidade, em filas de gente, desde a antiga Sé, até ao Senhor Jesus da Piedade.

Às vezes é tão extensa que se cuida que ainda está a começar na Praça quando já está abraçando - a rezar - o Santuário.
A procissão dos pendões é 'a maior oração colectiva' do povo do Alentejo e redondezas, a Deus Pai, Nosso Senhor.
Na abertura das festas de São Mateus, fica visível para naturais e forasteiros - na forma de procissão - mas, durante o resto do ano ela está,- como uma reza, que é - recolhida, mas viva, no coração de todos nós, como a fé que a sustenta.

Depois, quando Setembro chega, quando chega o seu dia, de sair à rua, não há elvense que não solte da sua alma a lembrança de quem amou ou estimou e a deixe assomar aos olhos nem que seja numa lágrima furtiva que um qualquer sorriso sempre pode encobrir e o faz acender uma vela, a vela - a simbólica chama - da sua fé a arder, a aquecer-lhe a alma ao longo da vida.
Setembro traz mais nítidos os cortejos das lembranças.
Traz as imagens dos Irmãos da Confraria em aprumo de gala nas funções das Festas representados, hoje, pelos que antes o fizeram, em sucessivas gerações, através dos tempos...

Cada um de nós recorda quem conheceu mais de perto.
O Doutor Pires Antunes - Humanista de fé inquebrantável.
Mestre Laranjo - Homem de honra e brio - artista de alto gabarito, talvez, para mim, os mais emblemáticos com quem convivi.
Para outros, outros serão, e, assim, lá permanecerão todos onde nunca faltaram e, agora os coloca a nossa lembrança.

De pé, contornando o altar, suas sombras projectadas pelas luzes, sobre os panejamentos de damasco vermelho, como sempre.

O Hino, no vigor do canto, estremecendo o espaço, saindo porta fora - arraial a dentro - até se perder na confusão das vozes, no estralar do foguetório...
Mas, hoje venho sentar a esta mesa, de comunhão na saudade, a lembrança se 'uma voz' que não estará ainda perdida da nossa memória colectiva.

Era por ela, escutando-a, que em todas as casas, pela rádio, se seguia o desenrolar dos acontecimentos festivos.
No seu belo timbre, na sua perfeita dicção, pausadamente contava, contava, contava...e comandava, até, as famílias nas tarefas de última hora:
Já não dá tempo!...
O Catela já disse:
- os Pendões estão a sair...
- ... Ainda é tempo – é sempre tempo - para recordarmos ainda mais, neste São Mateus - João António Catela Nunes, o Amigo de todos e cada um de nós, que foi 'a voz' da sua e nossa cidade até, quase, àquele dia 30/6/ 2004 - em que passou a ser, também para todos nós uma saudade.
A procissão dos Pendões é longa... longa... longa...

Repete-se na sucessão dos tempos e... prolonga-se e alonga--se como doces ou amargas recordações no segredo dos nossos corações.

 

 

Maria José Rijo

 

estou: O São MAteus e as vozes
música: São Mateus - 2008

publicado por Maria José Rijo às 21:27
| comentar | Favorito
partilhar
17 comentários:
De Gustavo Frederich a 18 de Setembro de 2008 às 22:22
Querida Tiazinha
Li o seu comentario e agradeço do fundo da minha
alma...
Obg pelo seu abraço - tanto que precisava de si aqui
... bem junto de mim.

Já estou junto do meu (nosso) amigo...
... não posso... depois falo ...

Não se preocupe comigo... tem de ser assim...

Um grande beijinho tia
Obrigado

Gus


De maria José a 18 de Setembro de 2008 às 22:43
Andei todo o santo dia com a sua lembrança no meu espírito e, se lho venho dizer é para que sinta como a sua amizade me é preciosa e, como lamento não saber o que dizer ou fazer que o possa ajudar .
Quero-lhe muito bem e, salvas as devidas proporções, também eu sinto ter perdido um Amigo especial que chegou a mim pelo seu coração.Um abraço imenso, grande, grande, até dele precisar
beijinhos - tia Zé


De Gustavo Frederich a 19 de Setembro de 2008 às 16:14
Apesar de estar desfeito...
agradeço o seu carinho de que tanto necessito
neste momento, porque é perdido que estou, neste
lugar de fé...

Mais que tudo - agora - queria muito deixar-lhe aqui
um grande beijinho - já que a hora da sua exposição
se aproxima a passos largos - com desejos de
muito êxito e acredito que a sua exposição seja -
em beleza -um pedaço dessa sua alma tão Bela.

É uma pessoa única, de uma capacidade imensa
de se dar ao outro, como é imensa a sua fé na
vida, na beleza da vida e da humanidade.
É certamente - disso tenho certeza - uma pessoa
muito querida - tanto - que eu daqui - de tão longe
tenho que dizer - preciso de si.
Obrigado pelas suas palavras e pelo abraço.
Seu sobrinho e amigo

Gus


De Adalgisa Alexandra a 18 de Setembro de 2008 às 22:37
Querida Tia
Amanhã já tem a sua exposição inaugurada.
Depois conta-nos como foi?
Estou tão curiosa, que nem imagina.

Muitos beijinhos para si e agora vai ter as festas
da sua cidade. Que seja muito feliz.
Desta que muito a admira
sua sobrinha

Gisa


De Maria josé a 18 de Setembro de 2008 às 23:14
Querida Gisa - estou muito cansada. Hoje chegamos a casa para jantar, quase às 10 horas. Tem sido um pouco excessivo para a minha resistência, mas...
Aproveitei o seu comentário para deixar um grande beijo aos meus queridos sobrinhos -Todos -porque necessito imenso de descansar.
Não fora, desta vez, tocar-me a dor de um de vós e nem abriria a Net.
A exposição está bonita, graças a Deus, eu é que já resisto mal a stas "faenas"
Obrigada pelos bons votos
Um aceno especial ao som do hino do Senhor da Piedade, à minha Família "elvense"" exilada no Brasil
Abraço-vos a todos -com carinho - Tia Zé


De Amilcar Martins a 18 de Setembro de 2008 às 23:46
Que texto LINDO.
Até estou comovido.

Os meus Parabens pelo blog.
A sua forma de escrever é Linda.
parabens.

Amilcar Martins

Ah... e que amanhã a sua exposição seja um
grande êxito


De Maria José a 5 de Outubro de 2008 às 13:12
Amilcar Martins - só hoje venho agradecer os seus bons votos para a exposição e o seu muito delicado comentário. Obrigada por ambos. Na verdade a exposição tem corrido bem, e fóra a enchente da inauguração tem tido uma média de dez visitas por dia o que para o meio é francamente muito bom.
Um abraço grato - maria José


De Aristeu a 18 de Setembro de 2008 às 23:54
Minha tão querida tia
Li e reli e voltei a ler estas suas lindas palavras.
Acredite que estou comovido. As minhas recordações
aproximaram-se deste meu presente e veja - recordei
uma vez que a vi na igreja, sentada junto de seu
marido a rezar.
Nem sabia que dentro de mim guardava esta linda
imagem até ao instante em que ela se formou no
meu coração.

É verdade e estou mesmo muito comovido.
Parabens por este texto tão especial e grato, muito
grato pr me dar a oportunidade, através do blog
de dizer que gosto muito de si.

Seu sobrinho

Aristeu
- flores
para receber na inauguração da exposição
que peço à Paula me faça esse favor de entregar
por mão.
Obg. paula


De Dina a 18 de Setembro de 2008 às 23:56
Que saudades do Catela.
Anos e anos a trabalhar com ele. Nos últimos anos o Catela fazia sempre esse trabalho a partir de uma das varandas da Av. da Piedade. E as suas palavras levavam até aos que estavam em casa por diferentes razões a imagem da procissão descendo a avenida e entrando no Santuário. Fazia-o como ninguém.
Bons tempos...


De Flor do Cardo a 19 de Setembro de 2008 às 01:35
Amiga Maria José
Chorei comovidamente ao ler este seu texto...
as saudades que ele ma causaram foram enormes.
O amigo Catela. Era muito meu amigo e partilhavamos
o apreço pelos seus textos.

MAgnifico.
Especialmente emocionado hoje gostaria imenso
estar em Elvas, não imagina as saudades que tenho
da minha casa... de tudo o que era a minha vida
nessa cidade.

Aproveito para pedir à sua sobrinha que nas flores
que no bouquet que fizer para o seu sobrinhos Gus
(se ele não se importar) poderia incluir os nomes
desta sua familia no Brasil (Gílio,Cilene,Aristeu e
Luciano).
Fazia isso por nós Paula?
Funcionaria como uma espécie de "presença"
aquando da inauguração.
Pode ser?

Grato. eternamente.

Luciano



De Dolores,Avelino,Luizinha a 19 de Setembro de 2008 às 01:41
Ah Paulinha - nós também gostariamos que o nosso
nome constasse no cartãozinho - do bouquet de
flores para a tia.
Pode ser?
Dos sobrinhos e amigos - Dolores, Avelino, Luisinha
e sogrinha.
Ficar-lhe-iamos muito gratos já que não vamos poder
estar na inauguração da exposição.

A qual contamos ver aqui.

Tia este texto é Lindo.
O Avelino leu-o em voz alta e todos nos comovemos.
A tia escreve tão bem.
Parabens
e desejos que amanhã fique imensamente feliz
(eu sei que sim) pelo sucesso da exposição.

Gostamos muito de si

DO LO RES
Avelino
Luizinha
Sogrinha


De Anónimo a 19 de Setembro de 2008 às 11:01
Parabéns pela exposição.

É JÁ AMNHÃ . . .

www.cidadelvas.blogspot.com


De Maria José a 5 de Outubro de 2008 às 13:20
Obrigada!- obrigada, mesmo! e, de todo o coração
Maria José


De jpnp2007@hotmail.com a 19 de Setembro de 2008 às 11:41
Bonita descrição do sentimento que enche o coração dos elvenses com o aproximar de cada 20 de Setembro...
Desejo-lhe um bom e santo São Mateus e que logo mais tudo corra na perfeição quando der a conhecer ao mundo a sua exposição. Não vou faltar.
Beijinhos
dualidades np


De Natércia Nogueira a 19 de Setembro de 2008 às 16:48
passei para reler este texto que é fantástico, de
uma sensibilidade e bom gosto que arrepia a alma
de quem lê.
Aliás o seu blog é lindo. Tanto anivel de escrita como
de visualização de imagens que nos projectam para
o contexto do texto.

Gostei imenso e já agora muito êxito para a sua
exposição.
Um abraço e um beijinho

Natércia Nogueira


Comentar post

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Junho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
23
24

25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Parabéns Luciano

. CONVITE

. Cá Estou ... - 2

. CORAL PÚBLIA HORTÊNSIA DE...

. CRIANÇA - 1990

. Parabéns

. A afilhada da Tia Zé

. Páscoa - 2017

. Homenagem a Maria José Ri...

. Cá Estou ... - 1

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@