Domingo, 12 de Outubro de 2008

Do Amor

.

Era pequeno o menino!...

 

Na mão dum outro, na rua,

Viu um pobre passarinho!

 

Doeu-se o seu coração

Voltou p’ra casa à sucapa

Foi quebrar o mealheiro

E  deu todo o seu dinheiro

Por uma ave implume

Que não sabia voar

E não lhe quiseram dar…

 

Era pequeno o menino!...

 

Pé ante pé, qual ladrão,

Andou de casa p’rá rua,

Sabendo que o castigavam

Porque faltava à lição!

 

Era pequeno o menino!...

 

Chegou à escola tarde,

Não recreou nesse dia,

Viu zangar-se o professor,

E o menino chorou!...

-- Mas calou-se, não contou

Que sofria por amor,

Que só lhe doía a dor

De não ter asas, não ter ninho

Para dar ao passarinho!

 

Era pequeno o menino!...

 

Tinha asas, não as via

Porque elas não serviam,

P’ra voar, ao passarinho!

 

Era pequeno o menino!...

Porque morrem os meninos?...

 

… E morrem sempre os meninos!

 

Maria José Rijo

2 – Julho – 1956

.

Livro paisagem

II Livro de Poemas

Poema nº 22

Pág .- 99

 

estou: Livro Paisagem
música: II Livro de Poesia - poema - nº 22

publicado por Maria José Rijo às 20:06
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16 comentários:
De Gustavo Frederich a 12 de Outubro de 2008 às 21:21
Lindo tia
Os seus poemas são-me sempre especiais, sinto-os
dentro de mim e é curioso, quando os leio parece
que ouço, dentro de mim.
Não sei o que é isto mas a poesia aproxima-me
de si, a sua sensibilidade é um sol na minha paixão
pela poesia.

Sinto muito não ter o nosso amigo padre para lhe ler
mais este poema.
Estou já na casa nova - ainda um pouco diatante,
a maioria do recheio da minha casa chega amanhã
num Tir especial que aluguei para o efeito.
Antares já está comigo e imagine consegui um
jardineiro japonês para o meu jardim.
Oh tia gosto muito de si.

Seu sobrinho

Gus


De Maria José a 14 de Outubro de 2008 às 11:16
Gus - quando penso que pode parecer por qualquer pormenor que prestei menos atenção a qualquer coisa que me tenham contado, fico um tanto pesarosa. Depois, penso que não é culpa minha encadear umas coisas nas outras e partir do ceu para a terra ou ao invés.Acho que as nossas almas são um pouco como caleidoscópios. Qualquer movimento gera uma imgem diferente.
Não sei porque escrevi isto.
Beijinhos tia Zé


De Adalgisa Alexandra a 12 de Outubro de 2008 às 21:48
Que poema bonito.
A tia tem mesmo uma grande alma de poeta.
Adoro a sua sensibilidade.
Parabens

Gisa


De Maria José a 14 de Outubro de 2008 às 11:21
Gisa, sabe que nunca, nunca mesmo, pensei que a minha poesia pudesse merecer tanto apreço?
Acredita que isto me parece ficção e não realidade?
pois, creia que lhe estou falando de uma surpresa verdadeira.
Beijinhos - tia Zé


De Aristeu a 12 de Outubro de 2008 às 22:27
Minha querida Tia
já sei que já sabe o que aconteceu por cá.
pois é... parece que Deus não queria... assim não
foi...
O Gílio está preocupado porque a menina não está
muito bem, mas o médico garantiu-me que tudo vai
ficar nos moldes do costume, mas eu creio que não
será bem assim...

O Senhor Luciano hoje esteve a falar com o tio
Américo, um Senhor que fez a tropa com o meu
Pai e ambos quando casaram, quase no mesmo
dia. Curioso é que elas a minha Mãe a D. Lucinda,
Luci - era muito amiga da tia Fernanda - a Nanda.
E sempre muito amigas toda a vida.
Ambas partilhavam o gosto pelas artes e cultura.
Ambas, também, liam os seus artigos
e estavam sempre presentes nas suas exposições.
Mas também a morte levou-as no mesmo ano.
Estranhas coincidencias.

Tia querida mais um bello poema.
Beijinhos

Aristeu
nas suas exposições


De maria José a 14 de Outubro de 2008 às 01:27
Meus Queridos Avô - Pai - Filho
A partida de minha Irmâ que regressou a sua própria casa a visita dos amigos que a vieram buscar e todo o mundo de pequenas coisas que rodeiam estas circunstâncias alteraram ainda mais o meu dia a dia. Depois este sentimento de solidão que as ausências mais aguçam em nós quer se queira quer não, desestabilizam um pouco. Estive,no entanto atenta ao tremendo contratempo que motivou o acidente de cavalo e as suas tristes consequências.
Peço que dêem por mim um grande beijo à Cilene.
Neste momento mais do que ninguém, ela precisa de apoio. Deus queira que recupere bem. Pois a consciência de que um pouco mais de prudência talvez tevesse evitado este precalço não vai ajudar
muito.Tão novos e já a viver tamanho desaire.
O que lhe vale é ter o Gilinho.
Beijinhos para os dois e coragem.
De qualquer modo a um dia segue-se outro dia.
Também quero agradecer a companhia que dia a dia me fazem e que muito aprecio.e as coisas que me contam e me comovem porque me mostram, como desde sempre estivemos tão perto.
Só lamento todo o tempo que perdi do vosso convívio.
Ao meu amigo Luciano agradeço a sugestão que me ofrece quanto às épocas e quantidade dos artigos.A Paulinha tem tudo isso mais ou menos organizado e vai seguir a sugestão.
A todos vós agradeço o encorajamento que me dão para escrever e a lembrança que guardam das minhas exposições e tudo o mais.
Ainda hoje, fui à Piedade a pé para espantar a solidão que a partida de minha irmã acentuou como contei . vejam só como era bom ter os meus queridos amigos por perto para visitar.
Verdade! - quando chegam os meus retratos?
Quando á impressão do vosso amigo Américo na visita ao Museu - pelo que aqui no blog se lê - é comum.
Beijinhos para todos da tia Zé


De Miguel de Barros a 13 de Outubro de 2008 às 01:13
Olá
Voltei de novo para ver se haveria alguma novidade
no agora meu novo blog de preferencias.

E Havia esta maravilha de poema.
Gostei imenso. Tem mesmo muita garra de poetisa.
É um lugar mt bonito, onde se está muito bem.
É como estar sentado num banco de jardim, a ouvir
a Senhora a ler e ao mesmo tempo a ouvir Chopin.
Digo este compositor porque é o que meis me fala
na alma. A musica, o piano de Chopin embala a minha
alma e leva-me a sonhar por caminhos do sonho...

Muito obrigado por ter este blog on-line.

Mts beijinhos e até amanhã

Miguel de Barros


De Maria josé a 14 de Outubro de 2008 às 11:28
Miguel de Barros
Confesso-lhe que muito pouco entendo de musica - mas tenho que lhe confessar também que a linguagem musical de Chopin chega dentro de mim como se fora uma revelação segredada dos mistérios da Vida. Peturba-me, mas encanta-me.
Um beijo - Maria José


De Luis carlos Presti a 13 de Outubro de 2008 às 01:22
Querida tia
Desculpe esta tão longa ausencia. Estive bem no
inicio da sua exposição e nunca mais apareci por
aqui. Deve ter pensado que me tinha esquecido de
si, mas não e nem por nenhum dia mas tive
um acidente de carro e estive internado no hospital.
Parti uma perna e 2 costelas, fiz uma grande ferida na cabeça, levei 15 pontos.
Parti-me um bocadinho - e só hoje regressei a casa.
Não consegui estar mais tempo sem vir cer o que a
minha querida tia tinha postado nesta maravilha
de blog.
Adorei imenso a sua exposição.

É mesmo uma maravilha
e aconselho a quem ler este comentário
que não perca tempo e vá ver todas as obras de
arte que a minha tia tem no Museu de Fotografia em
Elvas.


Tiazinha um grande beijinho
do seu sobrinho

Luis Carlos Presti


De Maria josé a 14 de Outubro de 2008 às 01:39
Luis Carlos - já tinha estranhado a sua ausência e, não fora a alteração do ritmo do meu dia a dia e teria sido eu a perguntar por si. No entanto julgava-o algures em viagem e, nunca num hospital como infelizmente aconteceu. Ainda bem que tudo se está compondo, mas, faz favor de ter todo o cuidado do mundo com a condução está bem?
Vá dando notícias sempre que puder sim?
Beijinhos e as melhoras
Gosta muito de si a tia Zé


De Dina a 13 de Outubro de 2008 às 13:22
Os meninos só morrem porque a sociedade os faz acreditar que para serem homens têm que matar os meninos que um dia foram...puro engano.


De Maria José a 14 de Outubro de 2008 às 11:36
O seu coração de Mãe e de Avó atenta não deixaria passar em branco os problemas e mistérios do Amor...
Verdade , verdade, depois de tantos anos e contra todas as espectativas eu creio - que - afinal - muitos meninos sobrevivem no coração dos Homens.
Não fora assim o mundo teria já acabado
Beijinhos, minha querida Amiga
Maria José


De Fisga a 13 de Outubro de 2008 às 18:50
Olá Sra. Dona Maria José. Que lindo poema. E dedicado a quem? Ao que de mais belo o mundo tem. Parabéns. Um abraço e boa noite.


De Maria josé a 14 de Outubro de 2008 às 11:46
Meu amigo Fisga - esta história, contada como poema foi, era, o dia a dia de um sobrinhito meu, de meu marido.
Parecia um São Francisco em miniatura.
Gato estropiado, cão rameloso, pombo de asa ferida - tudo me trazia para " consertar" como se eu fora mágica...
E, a vida bem mal o tem tratado.
Vão-se lá entender tais designios...
Um Abraço - Maria José


De Ana Maria Lourenço a 13 de Outubro de 2008 às 19:26
São LINDOS os seus poemas.
Adoro o seu blog, é o meu favorito - dos
favoritos.

Beijinhos


Ana Maria Lourenço


De Maria josé a 14 de Outubro de 2008 às 11:50
Ana Maria - tenho um mundo de tarefas a cumprir, mas resolvi começar o dia falando com os meus amigos.
Quebra a solidão e dá força.
Beijihos e obrigada pelos seus generosos comentários

Maria José


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