Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Um sarau com “ Prata da Casa”

Se é sempre bom um pretexto para falar de outras coisa, que não a subida de preços e preocupações quejandas, melhor ainda para qualquer de nós quando a ocasião nos aporta conhecimento de novas pessoas, novos assuntos, e novos livros.

Assim aconteceu. No auditório, chamado muito recentemente de São Mateus, anexo ao Museu da Fotografia João Carpinteiro.

Um Poeta – José Corrêa Guerra – lançou - um  livro –“Palavras Convexas” o segundo de sua autoria; e, uma figura incontestável da cultura elvense – Doutor Moura Fernandes - fez  em seu jeito erudito, para a interessada assistência, a  sua apresentação.

Uma Senhora que não foi apresentada, leu, e muito bem, alguns poemas do livro estreado; e, uma Menina, também não identificada para o público, tocando piano, emprestou beleza à festa que, assim, com música encerrou.

Foi agradável, e os dois pequenos reparos que aqui deixo, visam apenas ajudar para que, em idênticas circunstâncias, no futuro, não fique incógnito qualquer interveniente no desenvolvimento cultural do nosso meio.

O sarau, começou com o autor do livro a dissertar sobre esse tema inesgotável que é a tentativa de definir – o que é a poesia - a que eu junto aqui uma achega, talvez menos estudada,  de Adolfo Casais Monteiro:

 

A poesia, não é voz – é uma inflexão.

Dizer, diz tudo a prosa. No verso

nada se acrescenta a nada, somente

um jeito impalpável dá figura

ao sonho de cada um, expectativa

das formas por achar. No verso nasce

à palavra uma verdade que não acha

entre os escombros da prosa o seu caminho,

E aos homens um sentido que não há

Nos gestos nem nas coisas:

Voo sem pássaro dentro.”

 

Usou da palavra, em representação da Câmara, o senhor vereador Bagorro, que, com simplicidade, disse o que era certo para a circunstância, e falando embora dos méritos da instituição que ali representava, como se esperava e era justo que o fizesse, não caiu na tentação de enveredar para o pendor político transformando em comício, uma festa de diferente temática, que honrou com a sua presença. – Parabéns!

 

Comentar os poemas do livro, que já li, é tarefa a que não me abalanço.

Falta-me, para tanto “ engenho e arte ”.

Até porque, cada poema, em princípio, para mim é sempre um estranho que cruza o meu caminho.

Pode até seduzir-me, intrigar-me a forma, a musica das palavras, a mensagem que pressinto que me traz, pode…

Mas ninguém se familiariza, por norma, à primeira vista, com o que lhe era desconhecido, sem tempo, sem identificação...

Eu explico o que pretendo dizer: a primeira vez- muito nova ainda - que li os Lusíadas, logo no final do primeiro verso fiquei a pensar: - “As armas e os barões assinalados?”

Então as armas eram um exército, os barões outro? - E assinalados como? – Com que sinais?

E, a “ocidental praia lusitana”, onde seria? – Sendo lusitana era nossa, mas onde seria? - Mais a sul? – Ou, mais a norte?

            Lembro-me de concluir que aquilo era demais para mim. E, era.

O tempo passou e, com ele veio o conhecimento, o enlevo, o deslumbramento, a compreensão, a paixão pelos Lusíadas.

Já os barões se apresentavam como os lusíadas, que somos, já os assinalados, não eram marcas físicas mas carisma de valentia e grandeza. E, já repetia de cor versos e versos sem pensar o que quereriam dizer, mas sentindo-os, já sendo conhecidos e reconhecidos, da minha, da nossa colectiva, alma lusíada.

Evidentemente que o tempo, nesse “tempo”, não é o “meu” de agora, mas, mesmo assim, ainda preciso “dele” para chegar, por vezes, ao lugar de entendimento, onde os poetas, põem o coração nas palavras, de modo a permitir-me descobrir o mundo através da sua linguagem simbólica e misteriosa.

 

Aproveito para agradecer com muito carinho o livro “ Íntimos Afectos”- de José António Chocolate –outro poeta que nessa mesma noite conheci. Livro que já li – e com muito apreço vou relendo -  e, que,  também , aqui ,recomendo.

 

Mais uma nota, mas, depois de tratar de coisas belas, não poderia deixar de mencionar a iluminação do Convento de São Francisco, verdadeiramente preciosa.   

 

 Maria José Rijo.

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 21:56
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8 comentários:
De Joaquim Gregório a 27 de Outubro de 2008 às 23:50
Belissimo texto.
Este blog tem aqui textos muito interessantes.
Num português fantástico, acompanhado com
imagens muito bonitas.
Lindo o seu blog.
A sua poesia.

Muitos Parabens

Joaquim Gregório


De Maria josé a 29 de Outubro de 2008 às 20:09
joaquim Gregório
Obrigada pela sua presença e pela sua generosa opinião. Saber que temos leitores ajuda a viver
Obrigada
Maria José


De Cilene a 27 de Outubro de 2008 às 23:56
Querida tia...
Pelo que pude ler aqui... neste cantinho lindo...
já sabe de mim... foi tudo pela janela... tudo...
mas parece que a vida tem destas coisas... um
buraco na estrada - por vezes temos de mudar de
caminho...
Mudei de caminho, de cidade e de vida... é estranho
ter de começar do zero... mas a decisão está tomada.

Só tenho pena é de a perder como tia...
Tinha já aprendido a conhece-la (um pouco) e
até de gostar muito de si.
Virei cá... de vez em quando.


Muitos beijinhos tia

Cilene


De maria josé a 29 de Outubro de 2008 às 20:30
Querida Cilene
Foi enternecedor reencontra-la. Obrigada por ter aparecido. Como calcula já sabia da vossa separação.
Se assim o dicidiram, terão tido fortes razões para o fazer.
Não posso dizer que entenda a velocidade a que estas coisas "agora"se dicidem. No entanto aceito que quem assim procede está lutando pelo desejo - humaníssimo - de ser feliz e, isso faz-me respeitar mesmo sem compreender
Uma coisa porém lhe garanto: - quando ofereço amizade a alguém, ou aceito a que me oferecem, isso só me traz um compromisso - ser fiel à minha promessa. Daí que o vosso rompimento que me surpreendeu e entristeceu - me doeu especialmente porque penso terá deixado marcas nos vossos corações tão jovens. Mas, o rompimento foi entre vós, não comigo que continuo a rezar para que consigam ser felizes como anseiam e merecem e, a estar disponível para agradecer e retribuir, sempre a vossa estima.
Um beijinho tia Zé


De Pedro Paulo Fonseca a 27 de Outubro de 2008 às 23:59
Um texto muitissimo interessante, com livros que
vou tentar comparar.

Muito obrigado por esta dica.
O seu blog é uma Maravilha, muito lindo.
Gosto muito de vir aqui ler.

Parabens

Pedro Paulo Fonseca


De Maria José a 29 de Outubro de 2008 às 20:41
Pedro Paulo.
Era médico,tinha o consultorio na Avenida da Liberdade um grande amigo da minha família com um nome igual ao seu.
Obrigada pela visita. Quem sabe se com o tempo não seremos também bons amigos já que o nome tem esse registo na minha lembrança.
Um abraço - Maria José


De Dolores a 28 de Outubro de 2008 às 10:33
Nossa queridinha tia
Parece que a nossa vida está a tomar um rumo...
nem quero falar para não assustar o caminho...

E a tia? Está bem de saúde?
A sua exposição ? Continua?
Não nos mostrou nada mais, espero que ainda esteja
patente ao publico para que as pessoas possam
apreciar a artista que a Tia é.

A Luizinha cá vai... menos mal...
e nós também...

Muitos beijinhos tia
Gostamos muito de si

Do lo res


De maria José a 29 de Outubro de 2008 às 20:58
Meus queridos
Embora reconheça que vos sinto com mais coragem ainda registo a falta de alegria que é apanágio da minha querida Dolores.Ultimamente porque tenho estado um bocadinho constipada , canso-me um pouco e tenho descurado estas conversas, mas creiam que muito me lembro de vós e espero em Deus que a pouco e pouco vão recuperando o vosso ritmo de vida.
A minha exposição vai bem e graças a Deus está quase a fechar o que me vai permitir restaurar o ambiente da minha casa. Já teve mais de quinhentas visitas e, à vezes lá tenho que ir porque amigos de lonje têm tido a paciência de aparecer, o que me tem dado muita alegria.
Um abraço grande para os quatro e muitos beijinhos da tia Zé


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