Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Por osmose...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.866 – 18 – Maio – 2006

Conversas Soltas

 

Inesperadamente veio-me à memória esse fenómeno que no Liceu se aprendia nos rudimentos da física e, veremos porquê.

Elvas é uma cidade ímpar no panorama português.

            É impar, muito principalmente, porque dada a sua situação geográfica foi necessário fortificá-la, dentro do espírito de várias épocas, para evitar os perigos de guerras e conquistas que alterassem as fronteiras de Portugal.

Elvas tornou-se diferente, porque foi imperioso evitar o perigo de osmose que agora se está a perpetrar –(se levarmos em conta afirmações recentes do ministro Mário Lino)– quase se poderia dizer que, deliberadamente.

Eu não sei até que ponto estas decisões de fecho de Maternidades resultam de imposições e subservientes submissões a directivas provenientes dessa Europa – não direi a que pertencemos – porque se temos por lá, tão pouca voz activa, é porque, então, nela, apenas nos submergimos e afundamos...

O que eu julgo saber, porque acredito na sabedoria da história, é que cada caso é um caso, e Elvas, se bem pensado, deveria ser, talvez, a excepção que confirma a regra.

Não é por acaso que Elvas tem seus Fortes, suas Muralhas, seus Baluartes e Contraminas.

Elvas, teve tudo isso porque lhe foi necessário ser diferente.

Porque tinha que estar couraçada, não por Ela apenas, mas por um País de que era guardiã, vigia e limite

 

“CHAVE, DEFENNÇA E ESCUDO

SOU DO REINO LUZITANO,

FREYO SOU DO CASTELHANO

ELVAS SOU E DIGO TUDO “

 

Os séculos têm-se esvaído no tempo que imparável vai correndo.

Elvas, não precisa mais dos seus Fortes e Muralhas para se defender de ser sitiada por hordas de soldados ameaçadores.

Mas, Elvas – que com os seus vizinhos a que hoje chama de irmãos na reciprocidade dum convívio sadio – continua a querer ser Elvas, ela própria, com o brio da sua matriz portuguesa, com os seus costumes, as suas diferenças a sua distinta forma de ser e estar do lado de cá deste Guadiana que, se nos une, também nos separa e nos diferencia!

Daí que Elvas não entenda que lhe sejam negadas no século XXI as condições necessárias e imprescindíveis para garantir o seu direito inalienável de ser Portugal – porque continua a ser a primeira cidade portuguesa que encontra quem quer que vindo da Europa, por estrada, forçosamente depara.

Elvas precisa e merece a sua Maternidade, o seu Regimento, tudo quanto lhe foi subtraído, e tudo o mais que constitui a “Fronteira Muralhada” desta era global e obsta à desertificação, chama industrias, pode promover progresso e, pode obstar à sangria que a passe, desta vez “por osmose,” para o mesmo destino que teve Olivença.

Elvas, enfrenta agora a endo e a exosmose que a podem reduzir a subúrbio de Badajoz. O equilíbrio das finanças de um país não pode ser feito à custa da morte das

 cidades do interior, onde só os detentores de cargos políticos prosperam; nem da insegurança e empobrecimento das suas populações.

Só a soma da esperança de todos, num projecto de futuro credível, pode inverter este deslizar para o abismo e libertar-nos desta condição de parente pobre que pedincha ao vizinho, tudo, da água ao sal, para por ao lume a enganosa sopa de pedra...

Acabo de ver e ouvir o Senhor Primeiro-ministro (ironizar? Não acredito!) sobre a possibilidade de, nem só “as Mulheres Ricas” puderem agora ir ter filhos a Badajoz!

Dói ouvir afirmações assim. - Sendo o partido socialista defensor do aborto, (o que só posso traduzir, como eliminação de Vidas de crianças) como se arvora em melhor defensor da Vida dos filhos, do que as próprias Mães, que os geraram - e temem perde-los dando à luz  nas precárias condições das  ambulâncias – como lhes querem impor eliminando os recursos de que dispõem , em lugar de os privilegiar optimizando-os como ELAS PEDEM e MERECEM ! E o futuro das cidades do interior justifica e necessita.

 

Maria José RijoBebê de Marzipan                                                                                                                                                               

 

 

estou: 2006
música: Fotos Palixa

publicado por Maria José Rijo às 21:22
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13 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 5 de Novembro de 2008 às 23:33
Lindo tia.
Mais um texto excelente - com imagens altamente
belas - Muitos Parabens.

A tia escreve tão bem.
Adoro esta sua forma de contar, de falar. É como
estar a seu lado a ouvi-la conversar.

Um grande Beijinho

Da sobrinha

Gisa


De maria José a 6 de Novembro de 2008 às 19:05
Gisa querida - este convívio diário vai-se tornando quase um vício e, se algum de vós não aparece dou comigo a desejar que estejam bem, como se tivessem que assinar o ponto dia a dia.
Beijinhos tia Zé


De Gustavo Frederich a 6 de Novembro de 2008 às 01:25
Querida Tiazinha
A sua Cidade é mesmo muito linda. Estas fotos são da
sua sobrinha?
São muito lindas e a Tia tem uma capacidade incrivel
para escreber. A sua prosa é deveras fantástica,
transmite imagens que nos levam... por caminhos
verdadeiramente lucidos.

Nota-se em todos os textos, em que menciona essa
Elvas, o Grande GRANDE amor que sente por esse
lugar que a recebeu.
É bom gostarmos do lugar que nos acolheu, é como
estarmos em casa.
Muitos Parabens Tia por mais este olhar cheio de
verdade, cheio de sensibilidade e amor.
Parabens por ter on-line esta maravilha de blog.
Obrigado por me receber aqui nesta sua casa.
Gosto muito de si sabia?

No outro dia, fui cortar a barba e os cabelos e
ão é que a tia me falou se tinha ainda a barba.
Pois tia, não tenho, estou de cara lavada e sem
caracóis - como as tias gostam... o nosso amigo
padre muitas vezes me mandava cortar o cabelo
pois achava que eu parecia um querubim, um
anjinho barroco... muito nos riamos com estes seus
ditos... e eu lá ia cortar o cabelo.
Saudades....

Tia o formoso Antares está mais belo que nunca.
Todos os dias vamos passear e todos param para
o olhar. É mesmo uma estrela!

E a sua exposição tia?
Está a terminar e eu tenho pena - pena de também
não ter podido estar presente e abraça-la como a
tia merece.
Tenho pena que esteja a terminar. Gostaria eu, que
agora fosse convidada a expor numa galeria
imporatante de Lisboa, porque a sua exposião é
mesmo muito especial.
Sabe que quando eu olhava, vezes sem conta as
fotos, aqui no blog, imaginava-me a caminhar pelos
pequenos corredores entre paineis e tendo sempre,
no meu ouvido, o seu piano de Chopin, tocado pela
Maria João (como tem nencionado por aqui) e sabe
que eu incluiria a tia a ler os seus poemas, porque
imagino que os seus poemas lidos por si têm uma
força maior, um brilho, uma cor especial.
Não sei, mas numa expos~ição de pintura que certa
vez tivemos na galeria, a pintora, que também era
poetisa apresentou-nos um cd com os seus poemas
e todos ficavamos deveras felizes porque o publico
gostou imenso deste conjunto - telas, voz, piano e
poesia. Foi um êxito.
Não sei - estou já a divagar por caminhos da minha
imaginação fértil - a minha tia dizia que um braço
do Nilo corria para mim...

Querida tia
gostei muito deste pedacinho de conversa.
Voltarei brevemente.

Seu sobrinho que a adora

Gus


De maria José a 6 de Novembro de 2008 às 19:29
Gus - sabe o que era mesmo, mesmo, bom? -era poder mostrar-lhe Elvas como eu a sinto.Mas... há sempre um mas, entre o que se deseja e o que acontece.
Achei muito interessante a sua sugestão. Não é que o meu trabalho o mereça mas porque quando estava na cultura fizemos uma exposição de poemas e quadros da poetisa Luisa Branco ( que depois veio a fazer a tradução- considerada excelente - de ingles para portugues dos poemas de Fernando Pessoa) em cuja inauguração eu própria fiz as leituras , com musica de fundo, e resultou muito bem.Não é bem o mesmo mas é nesse caminho.
Faço ideia de como deve ser bonito ve-lo passar a cavalo nessa estampa que deve ser Antares .
Uma festinha para ele e beijinhos para si
Tia Zé


De Xavier Martins a 6 de Novembro de 2008 às 01:40
Parabens cara amiga
Este texto está mais que excelente.
É uma benção escrever como a minha amiga o faz.
Bem haja e boa continuação.
Sabe que já tenho varios amigos generais que gostam
imenso de caminhar aqui, lendo as suas opiniões e
em especial todas as de caris politico. Gostam
da sua forma lucida de abordar os assuntos.
E eu também.

Com amizade me despeço.

XAvier Martins


De Maria José a 6 de Novembro de 2008 às 19:36
Xavier Martins
A sua simpatia e o seu apoio, se eu não fosse tão velhota ainda me tornavam vaidosa...
Acontece, que cada dia tenho mais consciência do que a palavra, principalmente escrita, representa e, isso não deixa espaço senão para uma tremenda responsabilidade.
Um abraço grato Maria José


De Dolores e Avelino a 6 de Novembro de 2008 às 01:50
Tia querida
Hoje tive mesmo de vir contar-lhe.
A nossa menina cruzou caminhos em que nem devia
ter pisado...
mas... está no hospital muito mal pois tomou droga
em demasia... ai tia que agonia. Amanhã terão que
lhe fazer uma cesariana, creio... eu já nem sei nada
do que faço ou digo.
A tia por favor reze aí aos seus santinhos para que...
eu nem sei... mas que seja o melhor...
O Avelino está calmo demais mas está lucido coisa
que eu não estou... Agora dorme sob calmantes e
eu nem consigo...
peroe-me o avançado da hora mas precisava de
desabafar coonsigo.
Peço-lhe que não fique preocupada - a vida tem
destes estranhos caminhos, percursos que parece
não fazem sentido... desgostos uns, atras dos outros,
que nos levam... a qualquer lugar com algum
propósito...
Que seja como o Senhor quizer... saberei e tentarei
perdoa-LO pela dor que me vai fazer sentir...
mas não vejo futuro para a minha Luizinha... mas e
a Magé... Meu Deus Tia que pensamentos escuros
os meus...
Perdoe-me tão más noticias... mas elas são ainda
assim... amanhã já não sei...

Espero que a tia se sinta melhor da sua constipação,
queria senti-la feliz para eu me tentar sentir um
pouco melhor...

Gostamos MUITO de si

Seu amigos
Dolores e Avelino


De Maria José a 6 de Novembro de 2008 às 19:50
Meus muito, muito, queridos
Todo o dia de hoje tenho perguntado à Paulinha se havia mais notícias vossas.
Estamos,a Paula, minha irmã e eu, suspensas dessa ansiedade de conhecer como tudo se está a passar e fazemos a única coisa que nestes casos é possível, rezar e ter fé que tudo se resolva da forma que menos sofrimento vos proporcione.
Gostaria de estar junto de vós porque em horas assim todas as palavras sobram e nenhumas chegam.
O calor de um abraço,sempre aconchega melhor o coração
Aqui lhes fica com a nossa solidariedade e ternura um grande, grande, abraço para todos e um beijo especial para a Luizinha a quem o sofrimento tanto perturbou.
Um abraço Tia Zé


De Mário Mateus e Sá a 6 de Novembro de 2008 às 13:41
Dona Maria José Rijo
Acabei de encontrar o seu blog e estou deliciado.
Boa prosa, belissima poesia, lindas imagens.
Gostei realmente do seu blog.
Vou passar a ser seu leitor assíduo.

Muitos Parabens por este belo blog .

Mário Mateus e Sá


De Maria José a 6 de Novembro de 2008 às 19:57
Mario Mateu e Sá
Obrigada por me ter contado que achou o meu blog
Assim eu também acabei de achar um novo amigo , o que nunca é demais.
Está-lhe grata pelo apoio
a Maria José rijo


De Fisga a 6 de Novembro de 2008 às 14:40
Olá Sra. Paula Trabelho Ou Maria José Rijo. Este grito de Aqui D’el Rei. Merecia tanto ou mais, ser divulgado e badalado, do que as Eleições Americanas. Até porque Elvas é só mais um caso. Um grande abraço e bom fim de semana. Eduardo.




De Maria José a 6 de Novembro de 2008 às 20:48
Amigo Fisga

Aqui ou ali a minha voz só tem eco no coração de alguns amigos...
Um abraço - maria José


De Fisga a 7 de Novembro de 2008 às 19:06
Olá Sra. Dona Maria José. Obrigado. Sinto-me muito honrado e orgulhoso por ser um desses. Porém, temo que não mereça. Um grande abraço e óptimo fim de semana. Eduardo.

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