Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Actualidades 2003

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.722 – 8 – Agosto - 2003

Conversas Soltas

 

          

Quer queiramos, quer não, o impacto dos noticiários, intromete-se nas nossas vidas.

São os fogos, quase sempre de origem criminosa, são as guerras, criminosas também, são os acidentes de viação, em suma: são as desgraças umas atrás das outras, e, qual delas, mais trágica que a antecedente...

E, como se não bastasse, até a maneira de veicular as notícias, algumas vezes é provocatória para a sensibilidade de quem as escuta.

Cada “estação” em jeito de quem exibe um trofeu, grita aos sete ventos e repete até ao cansaço que foi a primeira, senão a única, a saber da desgraça que conta e reconta com um gozo doentio.

Parece até haver um certo sadismo em exibir imagens pungentes de corpos desfeitos, estropiados, irreconhecíveis quase, como seres humanos.

sadam-hussein.jpg

Recentemente, o verdadeiro festival de alegria por terem sido mortos os dois filhos de Saddan Hussein foi arrepiante.

Penso, que quando aos homens parece como única solução matar outros homens, todos deveríamos sentir, não um frémito de sucesso em situações como esta, mas, sim de vergonha.

Vergonha, remorso e frustração, por nos ter sido impossível, por não termos sido capazes, de resolver os problemas com respeito pela Vida do nosso semelhante.

Onde deveria estar espelhada a dor da nossa derrota, exibe-se a glória de resolver matando, aniquilando, destruindo...

As guerras sucedem-se.

Já era tempo de se ter entendido que, ainda, nenhuma delas, por mais cruel e sanguinolenta, resolveu o que quer que fosse.

Nem na antiguidade o engenhoso logro do cavalo de Tróia, nem a experiência arrasadora de Hiroxima, ou, mais recentemente, o espectáculo televisivo da sofisticadíssima guerra no Iraque, nenhuma forma de guerra, jamais, resolveu os problemas entre os homens e instaurou uma Paz definitiva.

O ódio não se dilui em ódio.

O único solvente do ódio é o perdão, é o amor.

Em qualquer tempo, afirmações destas parecerão sempre utópicas, serão sempre polémicas.

São as chamadas verdades de trazer por casa...

Todos o sabemos.

Porém, quantos de entre nós nos afirmamos como cristãos e o esquecemos na prática.

Afinal, o Amor, a Fraternidade e o Perdão são a essência da religião a que chamamos nossa e em teoria defendemos...

Utópica deveria ser considerada a filosofia que pretende justificar o ataque de umas nações a outras, a destruição de uns povos por outros.

Antecipar o flagelo de uns, para evitar o flagelo de outros... que até poderia não chegar a acontecer, não é utópico, é uma realidade terrífica.

Guerras fazendo vítimas. Imagem: www.tamandare.g12.br

A lógica das guerras, será sempre a ausência de lógica.

Faz-me lembrar a tola anedota do indivíduo que angustiado com medo da passagem do cometa, se matou para não morrer...

E, assim segue o homem seus caminhos de ambição, perdido do Homem, perdido de si próprio...

Os mortos são apenas números de estatísticas...

Inimigos para uns, heróis para outros.

Sempre gente.

Eu, tu, ele...Sempre gente.

Apenas gente.

E, em jogo – sempre – um valor único – A Vida!

Dois mil anos depois de Cristo, é esta – ainda – a nossa actualidade.

 

 

 Maria José Rijo

estou: vida-morte

publicado por Maria José Rijo às 00:09
| comentar | Favorito
partilhar
7 comentários:
De Aristeu a 12 de Novembro de 2008 às 01:32
Olá Tia
Estive a ler com muita atenção, é de 2003 mas eu
considero um bom texto e que não perdeu a
actualidade e é isso que eu gosto dos seus textos,
podem ter vários anos mas mantêm a actualidade.
Este é prova disso mesmo.
As guerras não terminam e a tendência, como da
violência, é de aumentar... uma lástima mas é
mesmo assim.

Tiazinha está tudo bem consigo?
Espero bem que sim e hoje Dia de São Martinho
não faltou com a praxe de comer umas castanhas
assadas ou cozidas.
Nós cá em casa tivemos das duas, cozidas e assadas
ao gosto de todos.
O nosso Américo trouxe a água pé e foi uma festa.
O Gílinho estava muito contente e também porque
nasceu, na fazenda, um potrinho muito lindo a que
ele deu o nome de Napoleão.

Um grande beijinho tia

Aristeu


De Xavier Martins a 12 de Novembro de 2008 às 01:38
Cara D. Maria José
mais um texto de relevante importância.
Concordo com o seu sobrinho Aristeu, na medida,
que eu também concordo que os seus textos estão
sempre actualizados, como é o caso.
O tema guerra será todos os dias, com mais ou
menos violência, mais ou menos mortes no dia a dia,
mas será sempre assim- sempre mais a cada dia,
destes dias que vêm pela frente, o que é uma pena
neste mundo que é tão belo e que a humanidade
está a deixar perder.
É a vida e a morte , deste vida que tem a vida...
Parabens pelo texto.
Um abraço

Xavier Martins


De António Piedade a 12 de Novembro de 2008 às 11:18
Um bom texto - sempre - é o lema deste blog.
Uma boa prosa acompanhada de optimas imagens.
Gosto iemenso de ler estes seus artigos de
opinião.

Bem haja por este blog on line e devo dizer-lhe que tem aqui na barra do lado excelentes blogs .
Consultei alguns .
Tem realmente blogs interessantes, destes por
onde costuma deambular.

Os meus Parabens

Seu admirador

António Piedade


De Helder Machado Assis a 12 de Novembro de 2008 às 11:31
Muito bom dia Sra. Dona Maria José Rijo

Concordo com o Sr. do comentario anterior,
realmente, aqui no seu blog sentimo-nos bem.
A prosa é optima, a poesia excelente e sempre boas
imagens que acompanham as suas palavras.

Sabe, eu todos os dias venho ver os seus blogs, os
três, e gosto de todos eles pena é que um deles
está agora parado, mas vi que vai retomar com
novo assunto.
Gosto.
Gosto desta sua forma lucida de falar, de entender
as coisas da vida e aprecio bastante a forma como
aparecem no papel, os seus lucidos pensamentos.
Sou deveras apaixonado por esta singular forma
de escrever.
Os meus PARABEns

Um abraço
Helder Machado A.


De Fisga a 12 de Novembro de 2008 às 17:43
Olá Sra. d. Maria José. que abordagem sublime, esta sobre o comportamento de pessoas que não merecem o nome de humanos, já que de humanos nada têm. Mas isto é tudo uma questão de principio, e de mentalidade: É muito antiga a frase e é bíblica, a que diz (olho por olho e dente por dente.) Um abraço Eduardo.


De Maria josé a 18 de Novembro de 2008 às 19:11
Meu amigo
Sempre atento e simpático.
Obrigaa pela sua presença
Um abraço
Maria josé


De Fisga a 19 de Novembro de 2008 às 10:38
Olá Sra. Maria José. confesso que nem sempre comento os seus belos trabalhos, pelas mais variadas razões, mas digo-lhe que sempre que posso, vou ver o que a Sra. nos ofereceu de novo. Lamento muito que haja neste País, diferenças tão abissais, entre o tamanho das barrigas. Mas felizmente que ainda vão aparecendo aqui e alem pessoas como a Sra. para ir atirando umas pedras para o charco. Um abraço Eduardo.


Comentar post

.Maria José Rijo


. ver perfil

. seguir perfil

. 53 seguidores

.pesquisar

 

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
19
21
22
23

24
27
28
29
30


.posts recentes

. São Mateus 2017

. Participação - Programas ...

. Programa de São Mateus 20...

. Carta aos meus queridos A...

. Aniversário do Linhas - 2...

. Viagem a Fátima

. Reportagem do Jornal Linh...

. Parabéns Avelino

. Parabéns Luciano

. CONVITE

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@