Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Considerações avulsas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.947 – 13 de Dezembro de 2007

Conversas Soltas

 

Começo por agradecer a prontidão da resposta de Miguel Mota, que confesso me aqueceu o coração.

Muitas vezes penso em mim, quase, como uma sobrevivente, tantos dos que enchiam o “meu mundo” já partiram.

         

Dos amigos comuns, que Miguel Mota recorda, conservo um agradável e enriquecedor convívio com João Pinheiro, a quem, para além  do muito de bom que dele se diga, devo a companhia que fez a meu marido ao longo da sua doença e que estes quase dezasseis anos de “distância” não conseguem apagar do horizonte de cada dia.

Outro amigo é o “tal jovem muito habilidoso” – que o tempo transformou no artista notável de que falei – O Cadete.

                              

(Tela de Bento Coelho da Silveira (1620-1708)

 

Hoje celebra-se Nossa Senhora da Conceição – Mãe do Céu – Mãe de todos nós. Padroeira de Portugal.

É dia de festa na cidade. Nunca pensou voltar a Elvas?

Invoco-A, dando-LHE graças e desejando também para si, todo o bem.

  - ECOLOGIA E MODELOS POLÍTICOS

Muitas vezes, mais do que supostamente seria normal, se fosse evidente a honestidade e clareza de atitudes dos políticos, dou comigo a pensar: - afinal que espécie de democracias governam no mundo?

Faço um balanço, penso, comparo e, não sei se encontro alguma em estado de pureza – sem contaminação de prepotência ou trejeitos de ditadura...

Segundo a minha óptica, cada vez há mais monarcas “ auto - proclamados” e, reconheçamos, monarcas absolutos, ou, dissolutos! Vá-se lá saber...

Se bem calhar – ainda - onde há mais democracia é nos países onde as velhas e tradicionais monarquias subsistem.

 

 Os políticos – todos os políticos, de carreira ou ofício – nem sei como os designe, arvoram-se em campeões dos valores da liberdade e da democracia.

Todos.

Porém, mal chegam ao poder, muito embora eleitos pelo povo, arranjam formas mais ou menos encapotadas de se conservarem no comando e agem como soberanos absolutos cerceando liberdades, coagindo e submetendo à sua vontade quem neles acreditou e os elegeu.

Em quase todos eles, é evidente, a preocupação de tornar vitalício um cargo para o qual foram escolhidos – à experiência...

Perseguem quem os contesta.

Tornam-se fundamentalistas ferozes.

Querem ser seguidos como os cães atrás da caça, pelo rasto.

Arvoram-se em infalíveis. Não admitem diversidade de pareceres.

Só reconhecem uma pista – a que eles traçam e trilham.

Consideram-se intangíveis, insubstituíveis.

Chegam tarde aos encontros, às cerimónias.

Ignoram a obrigação do cumprimento rigoroso de horários em espectáculos e exibem, sem pudor, o seu desrespeito por artistas e público fazendo-se aguardar como se deles dependesse o ciclo dos astros e das marés...

         

Brincam aos donos do mundo porque são “donos” do emprego...

Servem-se dos lugares – não servem o seu verdadeiro Patrão – o Povo – que os elegeu e lhes paga.

Nunca pedem desculpa, porque culpados são os outros, sempre os outros, até da sua falta de cortesia, de pontualidade...

Desmentem e calam pela ameaça quem os contesta.

  Usam palavreado cuja “latitude” está ficando tão abrangente, que vai da grosseria galhofeira – de chamar castrado ao povo a que pertencem – perfilando-se eles, como “sementais” corajosos – só – porque dispõem da força de poder que lhes permite ofender “por graça” - até ao “didáctico” discurso - já célebre - de quem , classificou as eleições do seu país – como qualquer um de nós classificaria a sua desfaçatez e educação, se tivéssemos igual privação de decência ...

 

Penso: - porque cada um de nós sacode os ombros com um desinteressado: - não é comigo! - Que já vai sendo opressora a soma das parcelas cujo total todos teremos que pagar – caro – muito – muito caro...

  

 Maria José Rijo

estou: considerações avulsas

publicado por Maria José Rijo às 21:36
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6 comentários:
De Xavier Martins a 13 de Novembro de 2008 às 01:14
Texto excelente.
Como sempre no seu blog a prosa é de belissima
qualidade e tem comentadores que gostam realmente
do que aqui se diz.
Acho que parecemos uma familia, todos afastados,
sem mesmo nos conhecermos, mas que convivemos
consigo, aqui dia a dia.

Gostei imenso da realidade deste texto.
Nada mais do que a verdade, é só meditar nas suas
palavras e eis o que eu também acho.

Gosto imenso deste seu olhar pela politica nacional e
os politicos.
Parabens por mais esta verdade On-Line.

Seu admirador

Xavier martins


De Dolores a 13 de Novembro de 2008 às 01:24
Minha querida tia
Ca estamos nesta nossa vida-sem vida, mas é o que
temos.
A nossa menina lá está a engordar devagarinho,
sempre sob os cuidados das enfermeiras que são
tão carinhosas com aquele, nosso, pedacinho de céu...
Oh tia estou desejando poder te-la nos meus braços.
Mas tenho que esperar.
Se a tia visse o quartinho que a Luizinha tinha
preparado para ela, enquanto as coisas estavam
normais :( - está um apetite, os seus quadrinhos,
os desejos, os poemas, tudo o que a tia aqui punha
no blog ela cobiçava e pregava nas paredes...
um dia esta menina vai saber que a mãe muito gostava dela, este quarinho é um mimo.
As roupinhas... tudo...
Nós aguarda-mo-la com ansiedade...

Tia já cá tenho os primos de França, os nossos
unicos parentes nesta terra.
Eles querem que nós partamos com eles , que
deixemos tudo, vendemos esta casa e rumo a
França, o primo cultiva cerejas... o meu Avelino
gosta da ideia, ele adora o trabalho do campo.

Deixe ver como tudo resulta.
Eu nem sei... voltar para Braga, já não me
alegra o coração, são muitas desgraças... aqui
aspas aspas...
Consigo teremos sempre este contacto e segue
este anizade...

Já viemos longe - a tia e eu...
Agrada-me te-la como tia do coração.
Só tenho e quero agradecer-lhe tanto carinho
que nos deu.
Obrigada

Muitos beijinhos

DO LO RES


De Adalgisa Alexandra a 13 de Novembro de 2008 às 02:03
Adorei tia
Realmente a tia tem muito lógica e lucidez para estes
assuntos.
Quando pense nesles , ajudada por si, entendo mesmo
muitas coisas destas politicas e politiquices.

Gosto muito de si.
Muitos beijinhos

Gisa


De António Piedade a 13 de Novembro de 2008 às 02:07
Excelente observação da actualidade politica
nacional e do mundo.
politica e politicos - tal e qual - concordo consigo
em género, número e grau...

Lucidez acima de tudo.
É isto que eu aprecio nos seus artigos e opinião.
Optimo texto.
Este blog é um BOM blog - digam lá o que disserem.
A escrita é fluentemente lucida e objectiva.

Parabens

António Piedade


De Maria José a 18 de Novembro de 2008 às 19:02
António Piedade
muito obrigada pela sua presença sempre reconfortante para mim
Um abraço grato
maria José


De artesaoocioso a 16 de Novembro de 2008 às 23:42
Tomei a liberdade de «roubar» este post para o meu blogue.
Cumprimentos


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