Sábado, 15 de Novembro de 2008

Ponderemos

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.993 – 6 Novembro de 2008

Conversas Soltas

 

 Li com a maior atenção a entrevista que o Senhor Presidente da Câmara deu ao jornal Linhas de Elvas.

Li, e acredito que o mesmo terá acontecido com a maioria dos elvenses, e, como eles, fiz os meus juízos e tirei conclusões.

Nestas épocas em que se aproximam eleições é costume vigorar o - a mim – a mim - e mostrar-se cada qual de santo milagreiro, o que afinal nenhum de nós pode ser.

E, porque a época é de assinalável gravidade, manda-me o bom senso da minha já longa caminhada ponderar sobre o que li.

Não sou, nem me considero inimiga de ninguém, menos ainda do Senhor Presidente, a quem reconheço qualidades de liderança, raras pela determinação e coragem com que empreende e executa os seus desígnios.

Também sei a pouca importância que tem o meu parecer, porém, por dever de cidadania, não me escuso a torna-lo publico pois que não tendo eu compromisso com qualquer Partido, nem dependendo da Câmara a minha subsistência, nada me vincula a algo mais do que a liberdade de o fazer com consciência e respeito pela minha verdade, e pela verdade alheia.

Há “factos” indesmentíveis que na entrevista são apontados – a saber: - o saneamento financeiro, as infra-estruturas enumeradas, e muito mais que está à vista de todos.

O Senhor Presidente Rondão Almeida, deixa atrás de si vastas obras.

Só há um mas...qual a utilidade de algumas delas e, porque preço e, à custa de quê, e de quem, funcionam.

Quando o Senhor Presidente afirma com orgulho que não paga horas extra, não está esquecido que em publico confessou ter começado as suas poupanças – o fermento da sua fortuna - por esse meio...

Então! - é bom ? - Ou mau?

Nem sempre, nem nunca! – Seria o certo.

Todos sabemos à custa de quem funciona o seu Coliseu.

Mas, alguém sabe quanto custaria o seu funcionamento e manutenção normais? - E, será justo que - os funcionários do Município -  em dias de feriado, sábados e domingos, - cumprem 10 e mais horas de trabalho  “forçado”  sem receber, sequer, ajudas de custo – quando a Câmara oferece banquetes, por deita cá aquela palha, a meio mundo ?...

Havendo tanta abundância, porque está o centro histórico a cair? Então porque não há verba disponível para guardas que mostrem os monumentos – que continuam encerrados?

Porquê e para quê transferir para fora de portas toda a vida activa e deixar esboroar o castro?

Havendo tanto - porque foram precisas as mais valias dos empreiteiros que permitiram arrasar quintas, hortas e olivais com tão discutível critério!

Deve-se filiar nesse excesso o facto de ser apontado – como refere - aos seus mandatos o tal exagero de cimento armado.

Ouço, afirma-se à boca cheia, que a construção é tão exorbitante, que mau grado as falências, nos próximos 50 anos nada se necessita construir em Elvas – tal o exagero cometido.

Às vezes, muitas vezes, sempre, no meu caso, os reparos não são mais do que DOR por ver vulgarizar, banalizar, o que era nobre, austero, mas distinto, e teria podido continuar a sê-lo, se, se tivessem procurado outros meios para atingir fins que são legítimos - como é o progresso - que por vezes, não é atingido da melhor forma - como é evidente, quando a cura deixa mais cicatrizes do que a doença.

Não me admira que renegue o “tal laguinho”. Eu própria, quando o vi a substituir o magote de contentores de lixo que por ali “estacionavam” o saudei! Terá acontecido, a mais gente, outro tanto. Porém, depois de bem pensado - ambos reconhecemos  (como agora confessa) que aquilo  foi, e é, uma obra descabida!

O mal? – São as decisões em cima do joelho... na humaníssima ânsia de fazer tudo, de vencer, ser o melhor, de encantar...e esse é um respeitável intuito que se lhe reconhece com justiça.

Mas, aquele, é mesmo o lugar da fonte que de lá era, e é, desde que pela primeira vez nela correu a “água das amoreiras”...e se aguarda lá retorne,

(nem sei quem de lá a tirou!)

São as tais boas intenções...que se esquecem de levar em conta que, aquilo que gostámos de ver algures, pode não servir à nossa porta, mas, em nenhuma circunstância – justificam -  ameaças e perseguições pelo “crime” de opinião divergente.

Cada caso, é um caso e Elvas é única!

Em Elvas tudo tem de ter a perfeição do cinzelado, do requinte, da minúcia.

Prédios como o que substituiu o do Grémio da Lavoura, logo à entrada, frente às Portas de Olivença – não mais, por favor, se é que ainda se quer Elvas, reconhecida, como Património.

Nem as desajustadas fontes da Rua da Cadeia...nem...nem...nem...

Enumerar para quê?

Bem basta o que já é irrecuperável, e a todos doe.

Espero que se entenda que - não é a pessoa - que essa respeita-se e, até pela coragem e determinação se admira – o que está em causa - é  o preço a pagar pela atitude violadora dum futuro que assim se compromete - de um todo - que se queria harmonioso e puro e alguns arrebiques  descabidos  vão destruindo... Trata-se de ELVAS.

  Ás vezes, é melhor nada fazer, do que fazer obra atabalhoada de encher o olho, mas fora do contexto e atentatória de um formal equilíbrio que existia e, se perde irremediavelmente.

Creio que o Senhor Presidente, também se terá arrependido de outras coisitas mais...

Li algures que, em algumas cidades, se estão ligando por dentro pequenas casas contíguas, que modernizadas no seu interior propiciam espaço e conforto e, porque as obras não alteram as fachadas, não atentam contra o genuíno da época a que pertencem, assim se respeitando a sua clássica fisionomia.

Poderá ser uma solução! - talvez...quem sabe?...

Mas... o que aqui me trouxe foi, e é, a minha inquietação pelo Parque da Piedade e a pressão que, do que leio e ouço, verifico pesar sobre a Confraria.

Sempre os Irmãos zelaram com honra e brio pelo património à sua guarda. Sempre o cuidaram e engrandeceram através de gerações.

Não se puderam defender daquele “chapéu” de casario que puseram ao Santuário, – e o IPAR – já condenou, nem do “susto” de fealdade que é aquela escadaria...é certo!

Que os guarde Deus de perderem da memória o que foi e agora é a Quinta do Bispo, e mantenham o seu rumo com coragem, não vá o pavimento duma romaria secular - no campo, a céu aberto - –  virar calçada ou alcatrão...ou outras coisitas mais que depois serão irreversíveis...

Que se reflicta com bom senso, são os meus votos.

Que não haja braços de ferro, que esses não abraçam fraternalmente ninguém...e o Homem é irmão do Homem...

Elvas, merece o nosso amor e a nossa conscienciosa humildade

Ponderemos.                                       

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:13
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6 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 15 de Novembro de 2008 às 02:08
Passei para deixar um beijinho
de Bom fim de semana.

Sua sobrinha
Gisa


De maria josé a 18 de Novembro de 2008 às 13:55
Querida Gisa
Finalmente arranjei espaço entre as minhas "obrigações"para vir dizer à minha família do Blog que já conto com as vossas presenças.
Achei muito engraçado que tivesse escolhido para o seu novo bichano o nome do meu .
Na verdade entre Banbinas e Picolinos fui sempre resolvendo esse problema.
É bom lembrarmo-nos assim uns dos outros , é sinal que nos queremos bem. Obrigada pela sua presença.
Beijinhos tia Zé


De Xavier Martins a 15 de Novembro de 2008 às 02:14
Cara Maria José
Mais um texto excelente e muito actual, diria
actualissimo, pela data e pelo assunto.

Realmente Maria José Rijo tem uma facilidade de
assuntos e de esta forma especialissima de os
comentar.
A sua Lucidez é prémio pra quem lê. E acredite que
a sua forma de escrever e falar, aqui, nos mostra
a excelente pessoa que é. mente e coração firme
sobre a verdade dos factos nacionais e locais.
Os meus muitos Parabens

Seu muito amigo

Xavier Martins


De Maria José a 18 de Novembro de 2008 às 14:04
Xavier Martins
Não faz ideia de como aprecio e agradeço a sua presença. Muitas vezes me lembro que prometi - e queremos cumprir - voltar ao "ficou escrito"mas, creia que não tem sido viável por enquanto.
Várias vezes tenho dito que tudo isto depende em absoluto da Paulinha, e, eu nem sei como ela se desdobra para fazer o muito que já faz...
Ela tem um blog de fotografia que é um primor.
Um abraço grato
Maria José


De Dolores e Avelino a 15 de Novembro de 2008 às 02:19
Tia querida
Muito obrigada pelo seu comentário tão querido.
Realmente a nossa vida rodou para ambos os lados.
Agora já estou desejando ter tudo terminado para
me ir embora deste país e para sempre e nem creio que volte a Portugal...
Preciso de ar limpo, ar que lave o coração...

Duarnte a próxima semana vamos acompanhar os nossos primos em passeios nas redondezas, a
menina segue na sua luta pela vida.

Bom fim e semana.
Gostamos muito de si

Dolores


De Maria José a 18 de Novembro de 2008 às 14:11
Meus Queridos
Na medida do possível vamos seguindo o vosso percurso e, sempre pedindo a Deus que o vosso caminho vos traga serenidade e esperança.
Estou sempre confiante que as notícias da bébé irão aquecendo os nossos corações.
Que a companhia dos vossos familiares vos continue a dar alegria.
Beijinhos tia Zé


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