Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

De vez em quando...

Jornal O Despertador

Nº242 – 26-Novembro de 2008

A visita

 

Quer por visita, quer pelo telefone, de vez em quando, mais ou menos, todos vamos contactando uns com os outros.

 Assim se faz o sustento da amizade, ou, até do dever cívico de boa educação, entre conhecidos ou afectos aos mesmos ideais, projectos, ou crenças, sejam elas religiosas ou outras quaisquer.

Hoje, calhou-me vir bater a esta porta, porque sei que há sempre, por detrás dela, alguém com quem trocar dois dedos de conversa.

É domingo, estou só, e apesar do dia estar lindo, com um sol resplendoroso, apetece-me a serenidade do aconchego da minha casa, a minha música, o rememorar das minhas saudades, os meus pensamentos.

Assisti à missa pela televisão, e deixei-a aberta a fazer presença de fundo, enquanto cumpria obrigações domésticas inadiáveis.

Quando me dispunha a silenciá-la fui surpreendida com uma entrevista, bem interessante, com o Comendador Nabeiro, que me prendeu a atenção e, até porque o tema era sobre diferentes maneiras e usos de consumir café, quer como bebida, quer como condimento para receitas culinárias do maior requinte, vi, até final, com muito interesse.

            

Fiquei depois a pensar na homenagem que o povo de Campo Maior, sua terra natal, prestou a Rui Nabeiro, com a colocação, numa bonita praça, de uma estátua com a sua figura.

Como em tudo nesta vida, haverá quem goste e concorde, e quem tenha atitude contraditória.

Não é disso que venho falar, nem me caberia o mau gosto de emitir qualquer opinião sobre o assunto.

O que defendo, no meu ponto de vista é que estas atitudes quando se tomam, devem servir para dignificar a personagem eleita, como aconteceu no caso vertente.

A alguém que ultrapassa a medida comum presta-se uma homenagem acima da vulgaridade, como é certo, e não caberia nas conjecturas de quem quer que fosse escolher para o efeito um beco ou um a viela.

“ Se uma coisa merece ser feita, merece ainda mais ser bem feita” – diz a sabedoria popular.

Neste ponto da minha reflexão, pensei nos nomes de ruas que, na nossa cidade ultimamente têm sido como que semeados no vento, quero dizer: - não se entende com que critério de selecção acontece.

Deixam-se no olvido nomes de gente “grande” – que em vários ramos se notabilizaram – e gravam-se nomes de quem cruza connosco na rua e, se calhar até se sente constrangido por tão descabida e incómoda celebridade, quando às vezes, nem os vizinhos lhes sabem o nome...

Fixemo-nos então na nossa cidade.

Imagem

Não se erigiu estátua ao rei Senhor Dom Manuel – que todos sabemos ou deveríamos saber, quanto peso de história tem em relação a Elvas e, há gerações e gerações que é grosseiramente esquecido – mas, um dia, alguém lembra que é quase um pecado não remediar tamanha falta.

Então o que acontece? – A sua figura ímpar – é homenageada.

 Mas como? – Afixa-se o seu nome numa rua qualquer, dum bairro qualquer, lá onde o diabo perdeu as botas...

E, é esta a justiça que se lhe presta.

Falta de noção de proporções, talvez...

Falta de sentido de justiça, talvez...

Falta de não sei quê mais, talvez...

Será porque alguém (alheio ao poder) mas com saber e responsabilidade, lembrara há pouco tempo, que o lugar ideal para lhe ser honrada a memória – com uma estátua – era, a praceta entre o Aqueduto e o hotel D. Luís – que teve que acontecer com a mesquinhice que se conhece o triste e humilhante remedeio?!...

Oxalá se retome a noção de proporções e os que se crêem grandes, consigam assumir dimensão superior, dignificando quem, na verdade, tem lugar de honra na nossa história e, neste caso – também - na nossa terra.

Dar a uma rua, ao acaso, nesta cidade - o nome do rei Dom Manuel - é como negar-lhe a entrada pela porta  principal, e mandá-lo ir de volta, pela porta de serviço .  

Melhor fora, fingir que não se lhe conhece a estatura.

Elvense sofre...

                            

Maria José Rijo

 

estou:
música: A visita nº

publicado por Maria José Rijo às 19:12
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6 comentários:
De Xavier Martins a 26 de Novembro de 2008 às 21:54
Sim Senhora
Mais um excelente texto ao qual eu assino
(se me permite) - por baixo - já que é isto
mesmo o que eu também penso.

As pintas nos iiss - como se costuma dizer.
Sabe que gosto imenso das suas opiniões nestes
artigos. Sim porque a sua Lucidez não é comum
a muito boa gente (onde eu mesmo me posso
incluir - nesse número)

Bravo Sra D. Maria José.
Os meus Parabens por textos tão importantes
de opiniões sempre especiais e com imensa
actualidade.

Um abraço e por favor continue a emitir as suas
opiniões

Seu amigo e admirador

Xavier Martins


De Adalgisa Alexandra a 26 de Novembro de 2008 às 22:09
Boa noite
Minha querida Tia
Passei para ver (como todos os dias) as suas
actualizações e devo dizer que esta sua opinião
sobre o nome das ruas - vai de encontro ao que
eu penso.
Penso que as ruas devem ter nomes de gente
ilustre, que tenham feitos importantes, e que
já tenham morrido - não concordo nada que as
ruas tenham nomes de gente viva ou então
de gente que seja desconhecida da maioria...
Não acho mesmo piadinha nenhuma.

Por isso Muitos Parabens por colocar no papel
o que eu pensava desde sempre, mas que seria
incapaz de assim o dizer.

Gosto muito de si.
Gisa


De Gustavo Frederich a 27 de Novembro de 2008 às 01:01
Querida Tia
Vim ver de si para deixar um grande beijinho
e dizer também que a sua Lucidez é de uma
dimensão incrivel.
A sua mente é brilhante.

Parabens Tia querida.
Muito beijinhos
Gosto muito de si.

Gus


De António Piedade a 27 de Novembro de 2008 às 01:09
Excelente.
Minha cara amiga junto da sua opinião fica a minha
que é igual à sua.
Claro eu concordo consigo.
Não há lógica nenhuma em atribuir nomes a ruas,
de gente que esteja viva ou até que tenha morrido
mas que não seja conhecida...
Por exemplo, para falar aí dessa sua zona - se
o Comendador Rui Nabeiro tiver uma rua com o seu
noma, ou mesmo uma estátua - consigo entender
e até aceitar - porque afinal o homem é como um
Pai para Campo Maior e do seu dinheiro, ou fortuna
pessoal ele ajuda Xs pesoas e familias.
Assim concordo.

Não sei se me consegui explicar, mas a ideia é mais
ou menos esta.

Vou-me repetir - como em comentarios anteriores
- a sua LUCIDEZ é bem especial, bem natural na
sua pessoa de grande inteligência.
Este blog consegue mostrar - fazer chegar a cada
um de nós que cá vem todos os dias - a Senhora
é um ser muito especial.

Bem haja por este blog existir e levar a tantos
lugares do mundo esta sua forma de ser e escrever.

Muitos Parabens
Seu amigo on-line

António Piedade


De Maria José a 2 de Dezembro de 2008 às 22:56
António Piedade
Claro que estou absolutamente de acordo consigo.
Uma é coisa é uma pessoa que dispõe dos seus bens pessoais em prol da comunidade ,e é realmente um benemérito que tudo merece e, outra...é aquela conversa que se sabe.
Um abraço amigo
Maria josé


De Aristeu a 27 de Novembro de 2008 às 01:38
Olá Tiazinha querida
Desculpe não lhe ter dito nada, nestes dias mas o
meu pai esteve muito doente - foi mordido por uma
cobra na fazenda e foram uns grandes trabalhos
mas agora já está um bocadinho melhor. Graças a
Deus. Desta o Sr. Luciano parece ter escapado.

E a Tia como está? Já está melhorzinha da sua saude?
Esperamos que sim.
Vejo que tem sido muito bons os seus ultimos textos.
O meu Pai que os ouvir ler (pela boca do Gilio) que
anda sempre (se não está na fazenda) a imprimir
todos os textos, poemas , imagens... tudo tudo...
A dua familia do Brasil adora ler o seu blog.

Um grade beijinho
Aristeu


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