Sábado, 13 de Dezembro de 2008

Olha para o Céu...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.691 – 3 – Janeiro - 2003

Conversas Soltas

 

Reparando bem, muitas coisas têm que ver umas com as outras sem que tenhamos disso dado conta.

Ao som das roncas, canta-se: olha para o céu, verás uma cruz, capela de rosas, Menino Jesus...

Meu pai, que Deus guarde, dizia: mesmo na mais funda miséria é o céu que está sempre por cima...

De um livro que há muitos anos li, salvo erro escrito por Françoise Sagan, intitulado: Un certain sourire, ou Bonjour tristesse, já não me recordo com nitidez, qual deles era, fixei uma passagem cuja mensagem me parece querer expressar o mesmo conceito.

O céu está sempre por cima que é como quem diz, a esperança de Redenção está prometida até ao último instante de vida.

Não sei se era da parte da escritora uma mensagem intencional e consciente, ou se era apenas a criação de uma bela imagem estética...

Não sei.

Guardo a lembrança de uma personagem afastada dos seus sonhados ideais, que na cama de um quarto vulgar deixa, com indiferença e abandono, marcar as formas do seu corpo sob peso do homem que a possui. E, enquanto os pensamentos rodopiam na sua mente atordoada ela vislumbra por uma janela entreaberta uma nesga de céu.

O céu que está sempre por cima...e, assim, lá do fundo do poço se

“Fala” de esperança.

Alguém me perguntou recentemente, o que era ter mãe na minha idade. Não que seja tão antiga como Mathusalém, mas os oitenta vão sendo meus vizinhos...

Como era?

Fiquei um pouco confusa, e a única resposta que me ocorreu foi que era- também- ter ainda a possibilidade de olhar para cima.

No sentido de conservar uma certa consciência de que se é protegido por quem está acima de nós na idade. De que se tem direito à condição bem aventurada de ser filho, de ter ainda, a mãe a zelar, ou a sofrer, por nós. 

Depois, desde então, várias vezes esta pergunta me tem voltado à consciência, talvez até na procura de resposta mais coerente.

Ninguém comanda os pensamentos, mas todos nós os relacionamos.

Então, de achega em achega comecei a construir a pirâmide do amor humano e a sentir na alma o calor de termos família, amigos e todo o mundo de afectos que nos ajuda a viver, mesmo quando as nossas idades já nos situam no vértice da tal pirâmide, e todos nos olham de baixo.

solidao.jpg

E percebi que por maior que seja a solidão humana e o desconforto, a todos é dado entender a mensagem que saída da alma popular se reza cantando na noite de Natal:

Olha para o céu – verás uma cruz...

Sofrimento e Redenção...

Ao alcance de todos.

Sempre, sempre, e em qualquer circunstância, o céu à nossa vista acima de nós.

 

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:04
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4 comentários:
De Gustavo Frederich a 13 de Dezembro de 2008 às 02:17
Querida Tia
Lindo texto sobre Natal, na verdade estava mesmo
a ver se neste natal não apareia uma maravilha...
afinal apareceu agora...

Gostei imenso.
Os seus textos são sempre muito bonitos, já não são
surpresa para si as minhas palavras - sempre que
são assim... maravilhas de literatura -cá estou eu
caidinho lendo e relendo o que escreve.

Tenho de lhe contar que o meu amigo padre, é um
homem muito lucido e culto. Tem uma certa paixão
por poesia e textos poeticos.
Já lhe levei alguns textos seus, que eu traduzi, para
o efeito.
Deixei-lhos lá por uns dias - pois eram um numero
razoavel - em três dias telefonou-me para marcar
uma reunião para falar dos textos.
Não foi surpresa - já que percebi o grande
entusiasmo da parte dele.

Pois foi Tia - o meu novo amigo sacerdote adorou
e pediu-me copias de todos e outros que eu
por ventura tivesse.
O homem está a gostar imenso e diz que a sua
forma de escrever é cativante, os quadros que
ilustra são deveras especiais e as palavras para
si são olhares seus - que transmite perfeitamente
- tanto que nós seguimos os seus passos olhando
tudo o que a deslumbou...

Levaria aqui mito mais tempo, gastava os 3.000
caracteres em menos de nada... mas - o nosso
novo admirador da sua prosa e poesia - Gostou
e quer ler mais e muito mais...
encarregar-me-ei que lhe não falte o que deseja.

Beijinhos Tia querida
e muitos Parabens por mais esta maravilha.
Li o livro que menciona e adorei.

Muitos beijinhos e Bom fim de semana.
Feliz dia de Santa Luzia.

Seu sobrinho

Gus


De mariajosé a 13 de Dezembro de 2008 às 23:45
Quereria falar sobre tudo quanto me conta - porém estou cansada.
Vou rezar e dormir.Estive a enfeitar a casa. Até
àmanhã se Deus quiser
Beijinhos
tia Zé


De Adalgisa Alexandra a 13 de Dezembro de 2008 às 02:19
LINDooooooooooooo Tia
Mais um texto brilhante.
Adoro o Natal e como diz o Gus eu estava mesmo
a espera que nos desses textos sobre o Natal.

Gostei muito.
Parabens Tiazinha

Gisa


De Xavier Martins a 13 de Dezembro de 2008 às 02:22
O Natal aproxima-se - e os textos bellos -
como este começam a ser publicados e eu
devodizer que os aguardava.
Não sou o unico e não serei, obviamente o ultimo
a dize-lo.

Parabens minha Amiga
Pelos textos lindos que nos mostra todos os dias.
É optimo esta actualização diária do seu blog e a
cada dia está mais LINDO.

Muitos Parabens e bom fim de semana

Xavier Martins


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