Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Santa Luzia

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.999 – 18 de Dezembro de 2008

Conversas Soltas

 

 

13 de Dezembro  de 2008.

- Chove copiosamente! – Que, Inverno, que se preze, não deixa os seus créditos em mãos alheias.

E, isto de chuvas e ventos em dias de santo, é uma forma que o tempo sabe para gravar as datas nas nossas recordações.

É dia de Santa Luzia.

Assim sendo, não se poderia exigir um dia vulgar.

De duas, uma: - ou teria que estar iluminado por um sol resplandecente, ou, então assim – um dia de ventania, cinzento, chuvoso e frio como o que temos hoje.

Os mais antigos, dirão: - bem desejei ir à igreja rezar a Santa Luzia! - Bem desejei! – Mas a chuva... o frio... o vento...

Já os jovens poderão contar rindo: - era cá uma chuvada! – e, o vento? – Andava tudo pelos ares! E, completarão divertidos: - molhamo-nos todos! – Foi cá uma paródia!

– Será sempre assim. Cada qual, conforme a distância a que estiver do seu próprio Inverno – fará a sua história. Contará os seus passos com disposição diferente, com entusiasmo, com saudade, com graça, num lamento, consoante a idade, a maneira de estar na vida e, dessas formas distintas se gravam as recordações, as memórias.

                      

Ainda que o quisesse, tenho consciência que me seria difícil controlar o mundo de reminiscências que estes dias de santo fazem emergir do meu arquivo de lembranças.

Então Santa Luzia, tal como o dia de Nossa Senhora da Conceição, que sendo a oito, o antecede, são como as primícias do Natal.

E o Natal è um marco em qualquer vida, por boas ou más razões.

                   

Pela Senhora da Conceição se faziam as searinhas que se punham a germinar no escuro, debaixo dos armários, nas despensas, debaixo das cómodas nos quartos das Avós e das Tias, e que iam crescendo durante as semanas do advento para embelezar, depois, o presépio que como um fruto de amor eclodia do conteúdo, sempre precioso, das caixas onde gerações sucessivas iam juntando as figurinhas que contavam a história do Deus Menino. Isto, antes das renas e dos pinheiros aparecerem como moda perturbadora da lição que São Francisco de Assis nos deixou.

DVD São Francisco de Assis

Mas...falemos hoje de Santa Luzia que foi virgem mártir a quem segundo uma oração “ Vu e approuvé par Mgr. l’Évêque de Metz le 17 de juin 1872 se rezava assim:

“Ó Deus vós que sois o nosso Salvador, dignai-vos atender-nos, e fazei que venerando a memória da bem- Aventurada virgem e mártir Luzia, o nosso coração seja fortificado por sentimentos duma santa alegria e duma terna devoção. Nós vo-lo pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor.

Assim seja .”

           

 As idas à missa – o pagar de promessas que a luz dos olhos é uma graça do céu. Um bem sem preço.

Preservá-la – será sempre – um milagre a agradecer em cada ano a Santa Luzia. A linda tradição de Elvas na igreja da Misericórdia.

 A esmola, que as freirinhas recebiam na penumbra das igrejas, com seu jeito manso e beato e, a que davam retorno com bolachinhas escuras, como cartões de visita feitos de papel pardo, mas finas como massa de hóstia e bem apaladadas a canela.

O tilintar das grossas contas e dos Cristos pendurados ao peito ou à cintura a cada gesto.

O vaivém incessante de velhos e novos, de netos pela mão de avós aprendendo a tradição de manter a fé como chama acesa.

 E, no seu cancioneiro popular, nos cantes das romarias, nas falas de amor, as vozes que se alevantam cantando:

 

Para que quero eu os olhos

Senhora Santa Luzia?

Se não vejo o meu amor

Nem de noite, nem de dia!

 

Ainda aí, estão rezando...

 

Maria José Rijo

 

 

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 10:20
| comentar | Favorito
partilhar
8 comentários:
De Dolores a 21 de Dezembro de 2008 às 17:13
Minha querida Tia
Gostamos todos muito deste seu texto de Santa Luzia.
A minha Prima, imagine, costuma fazer umas
bolachinhas, que lhe ensinaram em Portugal e este
ano fez para nós provarmos. Gostei imenso e eu para
compensar fiz o almoço - e fiz uma açordinha à
sua moda - não imagina o que eles adoraram.
Conheciam mas nunca lhes deu para fazerem.
Mostri-lhes então as suas receitas - as 4 coleções
porque a Luizinha fez copias de tudo, com carteirinhas
... estavam uma belezinha.
Ficaram encantados.
Com isto tudo o meu Avelino lembrou-se do "Paxão"
e voltou a chamar-me assim. Lá contou a historia
aos primos.

A nossa menina cresce a olhos vistos e está uma
beleza, a nossa Magé.

E a Tia como está?
Espero que bem e que o Natal leve alegria ao seu
coração.

SEus sobrinhos amigos

Dolores
Magé e Avelino


De Maria josé a 22 de Dezembro de 2008 às 18:55
Olá, meus queridos!
Estou a aproveitar este serão para vir matar saudades da minha família da net, agradecer a companhia e apoio que me têm feito ao longo do tempo e, prometer que, pelo menos por este meio, enquanto a saúde mo permitir aqui irei confraternizando convosco.
Tenho sentido ultimamente que "o tempo" que vai fazendo a Magé cada vez mais querida, também vai dando paz aos vossos corações - o que me conforta a alma.
Orgulho-me da "cozinheira dos petiscos alentejanos" que tão bem utiliza o nosso receituário tradicional.
Parabéns.
Que a Sagrada Família vos olhe com amor e proteção
e o vosso primeiro Natal de Avós vos encha de esperança.
Beijinhos para os três da
tia Zé
Se quiser mandar fotos basta que as envie - em meu nome -para qualquer dos jornais para onde escrevo para que me sejam entregues.Proponho esse meio para que não haja divulgação de dados pessoais de qualquer espécie .
Valeu?
obrigada.


De Adalgisa Alexandra a 22 de Dezembro de 2008 às 15:40
Boa tarde minha Tia
Mais um texto lindo.
Já nem sei como dizer-lhe o muito que aprecio a sua escrita, que gosto imenso de tudo o que a tia escreve.

Mas gosto.
Muitos beijinhos e boas Festas

Gisa


De Maria José a 22 de Dezembro de 2008 às 19:40
Querida Gisa
Pesa-me sempre um pouco na consciência quando estou muito tempo sem vos dar sinal de que leio com muito interesse e gratidão os comentários que assinalam as vossas presenças na minha vida.
Creia que nunca é falta de interesse.
Acontece que deve ter existido um ligação directa do pensamento para a mão, que se perdeu...
Há uns anos, não muitos, pensar e executar era uma rápida sequência.
Agora, não.
Esses circuitos devem estar desligados porque entre pensar e fazer vão sempre crescendo as dificuldades...
Bom Natal ! - Boas Festas e muitos beiinhos da tia Zé


De Aristeu a 22 de Dezembro de 2008 às 16:08
E o Natal está aqui mesmo...
Minha querida tia hoje estivemos a decorar a casa
como faziamos em Elvas.
Ainda temos coisas da minha Mãe. A casa ficou linda
- mas uma casa cheia de homens... pode calcular
como estamos.
O Tio Americo - meteu-se na cozinha e com as
empregadas - imagine - fizeram os nogados ontem
e hoje estão com os fritos - a azevias e as filhós -
sempre quero ver o que vai sair dali.

Mas estamos bem - a saudade é que nesta época
é bem maior.
A minha mãe tocava piano e cantava as musicas
de natal - tenho tantas saudades desses tempos.
Recordo-me de si num qualquer Natal - nem sei
quando - mas foi numa loja - a minha mãe
comprava qualquer coisa e eu estava ali, junto da
montra a olhar quando a vi passar - corri para a
porta para a olhar e a Senhora sorriu-me, fez-me
adeus e eu fiquei tão feliz.
Acredito que não tenha memória disso - mas eu
nunca me esqueci - até hoje - nesta época
recordo-a sempre - de braço dado com o seu marido
.
Bom minha querida Senhora e Tia
Espero que esteja também a preparar o seu Natal,
na companhia da sua querida familia, com o
carinho daqueles que tanto a amam.
Espero que seja um Feliz Natal para si, cheio de
carinho e harmonia.

Beijo-lhe as mãos minha querida
Seu sobrinho

Aristeu

(vou já a correr parece que o Gílio apareceu com o
pinheiro...)


De Maria José a 22 de Dezembro de 2008 às 21:14
Meus queridos - Todos!
A primeira pergunta que me ocorre , é para saber se nessa mansão paradisíaca de mil estrelas, só se admitem elementos masculinos?
Sim! - porque, tenho que confessr que eu até pagava tributo para estar aí a assistir a tão doce confusão.
Como não sou natural de Elvas as tradições de doçaria são distintas das que sempre vi no Algarve de onde minha mãe ra natural e, da vila de Moura, terra de meu pai.Daí que quando se fala em nógados veja e ouça na minha saudade, meu querido sogro a explicar-me: - tende-se a massa como grossos cordões de ouro...
O Luciano conheceu-o?
Era como uma figura biblica, Criou seis filhos na sua viuvez, o mais novo,que foi meu marido, nem tinha dois anos...mas não lhes deu madrasta.
Realmente o Natal, abre as gavetas da memória e até o papel que as forra nos conta histórias.
Um Santo Natal para todos
Bons petiscos, e se eu me atrever a escrever: - saudades! - acreditam que também as tenho de vós?
Beijinhos - tia Zé


De Gustavo Frederich a 22 de Dezembro de 2008 às 17:08
Santa Luzia, Virgem e Mártir que tanto glorificastes ao Senhor preferindo sacrificar a
vida a lhe ser infiel, vinde em nosso
auxílio e, pelo amor deste mesmo Senhor amantíssimo, livrai-nos de toda a
enfermidade dos olhos e do perigo de
perde-los. Possamos por vossa poderosa i
ntercessão passar a vida na paz do Senhor,
e chegar a vê-lo, com nossos olhos
transfigurados, no eterno resplendor
da Pátria do céu.
Amém.

-
Era esta a oração de minha Tia.
Ainda a recordo, numa lengalenga ...

Beijinhos tia
Adorei mais esta sua maravilha.
Prodigiosos os seus textos, olhos do seu coração,
caminhos feitos de sabedoria, sensibilidade e amor.

Por vezes parece que a conheço de sempre, que
cresci junto de si (quem me dera) - mas a vida
tem estas coisas - almas grandes quando chegam
junto de nós - vem a sorrir como se o mundo
fosse o seu centro e nos apenas sorrimos a
escuridão dos nossos seres apagados.
Gosto muito de si, minha Tia querida
Que este Natal seja muito feliz - na medida que
a tia precise...
Muitos Beijinhos
Do seu
Gus


De maria José a 22 de Dezembro de 2008 às 22:30
Meu Sobrinho Querido
tanto tempo já passou sem que lhe desse a sugestão que me pediu para nome do bichano!- Não foi falta de atenção. Foi que tive que tomar algumas decisões contra a corrente e, fui a Lisboa matar saudades. Como já deve calcular vou recorrer aos nomes que sempre punha aos meus gatos.Quando eram meninos eram sempre - picolinos, se eram meninas gatas eram bambinas.
Depois, nas horas das mimalhads elas passavam a binas, e eles a picos. Desta maneira aprendiam a distinguir quando se portavam bem ou mal.
Não tenha hesitações em não aceitar as sugestões que ofereço. Se não lhe agradar não aceita.
Meu Pai costumava parodiar dizendo: - inter amicus non habet geringonças1 - é hora de parafrasear a brincadeira acrescentando: - inter sobrinho e tia, também não!
Não me admira que me sinta como tia de verdade porque, creia: - não me lembro de não o conhecer.
Entende?
Só me admiro que não me mandem fotos, mas deduzo que gostam de mistérios e, quem sou eu para questionar opções!
Adorei a oração a Santa Luzia.Obrigada.
Que tenha um Santo Natal.Saude por mim o seu amigo Padre.
Gostar de poesia é capaz de ser mais sinal de inquietação do que de felicidade...
Beijinhos. Quero-lhe muito bem.
Tia Zé


Comentar post

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
19
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Programa de São Mateus 20...

. Carta aos meus queridos A...

. Aniversário do Linhas - 2...

. Viagem a Fátima

. Reportagem do Jornal Linh...

. Parabéns Avelino

. Parabéns Luciano

. CONVITE

. Cá Estou ... - 2

. CORAL PÚBLIA HORTÊNSIA DE...

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@