Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

PRESENÇAS

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.000 – 23 de Dezembro de 2008

Conversas Soltas 

 Quanto mais tempo se vive mais premente é a sensação de como o tempo é fugaz.

Enquanto que na infância e na juventude as distâncias entre as datas de festas e aniversários se nos afiguram substanciais, imensas, passadas essas épocas, das nossas vidas, temos cada vez mais a consciência de, como tendo, embora, a mesma cadência no tempo se nos afiguram tão próximas umas das outras, que quase parecem contínuas.

É exagero, eu sei, mas, enquanto a criança exclama: - Tanto!

Quando a esclarecemos do que terá que esperar por outro Natal; o adulto dá consigo a dizer; - Já! – Quando compulsa o calendário…

Rememorava estas e outras ideias fazendo a distribuição das minhas tarefas obrigatórias pelos escassos dias que faltam para a celebração do Natal, neste tremendamente difícil ano de 2008.

                            

Então, dei-me conta das ausências que o meu coração já regista quando toca a reunir para este ritual de afecto entre a família e amigos. Dei-me conta e comecei a apurar essa contabilidade.

Percebi então que cada um dos presentes tem um lugar que ocupa.

Que é o seu.

Destina-se-lhe a cadeira, que se coloca no local mais privilegiado para se lhe dar conforto, prazer, para que se sinta querido – amado, respeitado, insubstituível…

Escolhe-se-lhe a prendinha do seu agrado.

Mas é esse apenas o espaço da sua presença física, que é visível para todos, tão visível, que se identifica ao olhar.

Já assim não é com os ausentes.

Porque desses, é todo o espaço, a todas as horas.

Não precisam de cadeira, de prato, para que as suas ausências ocupem toda a alma de quem os recordar.

Pode o Natal reunir famílias, amigos, parentes.

Pode o tilintar dos copos fazer a música das saudações, dos bons augúrios que se trocam entre emoções, risos ou lágrimas que tanto ou mais do que os presentes, o Natal é também a sublimação da saudade que faz que os ausentes, sem estarem visíveis ocupem até os lugares de cujas almas são pertença.

         

Natal, com presenças!

Natal com ausências!

Natal de coração cheio – de ambas as coisas – mas, ainda e sempre Natal – com Fé – com Esperança – com Fraternidade…

          

Que o sentimento de que o outro é nosso irmão preencha os nossos corações e, que seja – como uma oração sentida – o simples desejo que se repete:

BOAS FESTAS!

FELIZ NATAL!

 

Maria José Rijo

 

estou: Natal 2008
música: Natal 2008

publicado por Maria José Rijo às 16:23
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8 comentários:
De Dolores a 29 de Dezembro de 2008 às 17:17
Minha querida Tia
Que alivio para mim - hoje - já pensava que a Tia
já não queria saber de nós...
Tantos dias sem nada... nadinha de nada...
O Avelino sempre disse que a Tia estaria a descançar,
pelas festas e por isso é que não nos mostrava nada.

Graças a Deus que Hoje temos texto.
Gostamos todos muitos.
Estive a ler para todos nós. Os primos
também gostaram
e apreciam muito, como nós, esta sua forma
sublime de escrever.
Muitos Parabens por este texto - sei e entendo do
que fala.
Presenças e ausencias...

Gosto muito de si. Pode acreditar porque é verdade.
Fique com Deus Tia querida

DO LO RES
Avelino e Magé


De maria José a 2 de Janeiro de 2009 às 22:08
meus queridos
Voltei a este texto só para vos dizer que, nunca, nunca saem do minha lembrança e do meu coração.
Adorava abraçar ao colo essa Menina querida para quem desejamos toda a felicidade do mundo.
Ainda ontem me confidenciou a Paulinha que sente a ausência dos comentários da Luizinha.
Deus vos ajude e dê força como pela vossa coragem e bondade merecem.
Um ano feliz na medida do possível deseja-vos de todo o coração com beijinhos para os três a - tia Zé


De poetaporkedeusker a 30 de Dezembro de 2008 às 00:04
E agora que o Natal passou, a voar, a voar... desejo-lhe um bom ano de 2009! Cheio de Paz, Saúde e Amor. Cheio dessa sua maravilhosa escrita e da esperança que ela nos vai transmitindo.
Um grande abraço!
Maria João


De Gustavo Frederich a 30 de Dezembro de 2008 às 00:48
Tia querida

Como sofre de saudade, pelas ausencias dos seus
mais queridos.
Uma alma grande que compreende a vida dessa
maneira, como a tia faz - é de saudar - não é
para todas as pessoas.
Por isso, também, eu gosto muito de si.

Beijinhos

Gus


De Zélia Fragoso a 30 de Dezembro de 2008 às 09:01
D. Maria José
Um grande beijinho pelo lindo blog que tem.
Fiquei enternecida com os seus belos textos.
Gosto muito de andar por aqui.

Um grande, grande beijinho e que em 2009
continue a escrever coisas tão maravilhosas como
as que tem aqui nesta maravilha de blog

Bem haja
querida Senhora

Desta sua e muito admiradora

Zélia Fragoso


De Xavier Martins a 30 de Dezembro de 2008 às 23:37
D. Maria José
Realmente a Senhora merece a nota 10*
Todos os temas que trata têm uma dimensão muito
maior do que qualquer pessoa seria capaz de dizer.

É assim mesmo que eu também sinto e penso, no
entanto não teria como expressar - assim - desta
forma sublime.

Como eu a compreendo tão bem, ora se a
compreendo bem...
A dor é funda, a saudade um espinho a doer...
Obrigado
por mais esta maravilha.

Beija-lhe as mãos

Xavier Martins


De Flor do Cardo a 30 de Dezembro de 2008 às 23:50
Minha Amiga
... Pensava a Senhora que eu não mais voltaria a
escrever, aqui, no meu cantinho preferido?
Pois enganou-se - cá estou eu de pedra e cal.
É verdade que tem sido o Aristeu a comentar mas
eu não falhei um único dia aqui - neste nosso blog
preferido... Não escrevi porquê?
Perguntar-se á --- pois... sabe que ultimamente o
azar corre atras de mim - mas como eu já nem posso
correr - quando eu chego - pimba - a armadilha já
lá está e o negocio está estragado...
Pois bem - aqui o taronjo do seu amigo - andou a
mecher no lume e queimou-se...
pois... queimei as mãos (agora já estão bem
melhores, até já posso escrever) - pois - eu sei -
não soube porque proibi o meu filho de lhe contar -
que diria a Senhora - que tenho um íman que
agora só atrai desgraças...umas atras das outras...
Coisas dos velhos como eu...
O Américo está aqui para as curvas - pois imagine
a minha amiga - que enquanto o Gílio anda lá com o
gado - o Américo - tem já uma hortinha - nem
imagina - para lá anda metido no campo e eu que
pensava que tinha aqui um amigo de longas
conversas ... olha o que me saiu na rifa...
Mas chega de falar de mim...
E a Senhora o que tem feito nessa Nossa Elvas?
Cá tenho recebido a papelada - não por meio do
Américo - mas por um amigo dele ...
E o seu Natal?
Espero que tenha sido excelente, que se sinta bem,
com saude e com alguma ponta de alegria para
continuar a caminhada- sim porque ainda temos
uma caminhada pela frente - que eu espero ainda
nos seja larga.

E agora voume embora porque o Américo já ali vem
para lanchar as sopinhas de café...

Um grande abraço deste seu muito amigo
do Brasil

Luciano


De Maria José a 31 de Dezembro de 2008 às 21:29
Meus queridos Amigos
Guardo com enternecida gratidão o sinal das vossas presenças nas mensagens de Boas-Festas que me deixaram junto ao Menino Jesus. A essas, somo agora, estas últimas que também venho agradecer.
Gostaria de escrever directamente a cada um de vós a contar como vos aprecio e como cada qual com as suas próprias idiossincrasias faz o encanto deste convívio entre pessoas que estando distantes se juntam pela comunhão de ideias ou, até de ideais ou gostos e, seguem juntas - neste pequeno fragmento de caminho comum- das suas várias trajectórias .
Gostaria... mas não sendo capaz de o fazer, venho deixar um abraço para cada um de vós com desejos de que se concretizem todos os vossos sonhos de felicidade .
Entretanto partilho convosco a forma como passei esta última tarde deste fim de ano 2008.
Agazalhei-me, muni-me do chapéu de chuva saí para a rua e fui pisando as folhas douradas, caídas das árvores, que alcatifam o chão nestes dias.
Gosto muito de passear à chuva
Fui comprar flores para levar de presente a alguém que faria àmanhã o seu aniversário e esteve na minha vida desde os meus 17 anos.
O dia esteve escuro e baço , como eu,também, me sentia.
Reparei que algumas casas tinham as luzes acesas.
Pensei então em minha Mãe que tendo ficado quase invisual, dava graças a Deus todos os dias por conseguir distinguir a noite do dia.
Senti melhor como o ar era fresco e perfumado, e gostei de o perceber.Pareceu-me tudo diferente.
Voltei para casa com flores também para encher as jarras . Ficou tudo mais bonito.
Bom ano para todos!!
Um beijo - Maria José


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