Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Estruturas, vigas e goteiras

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.955 – 7 - Fevereiro de 2008

Conversas Soltas

Quando a casa se torna desconfortável porque o desgaste dos tempos, a falta de assistência, ou as obras feitas, sem critério, à pressa – os chamados enxertos – já não escondem a decadência do edifício, não adianta eliminar uma ou duas goteiras e querer que se acredite que limpando o algeroz, e mais isto, e mais aquilo, até a formiga branca que, vive minando e corrompendo os alicerces, vai passar a gostar de tomar banhos de sol...

Impõe-se verificar as estruturas, estudar se têm condições de dar suporte a novas vigas e, em caso de dúvida, prevenir piores males substituindo todo o telhado, para segurança e conforto dos moradores. Como nenhum edifício se reduz a um telhado, também é de boa prudência, vigiar as fundações e, escavar, escavar com tacto e competência como na arqueologia, para encontrar a origem, a matriz de males, por vezes já tão antigos, como perversos pois que até já se afiguram como padrões de normalidade ao cidadão comum, o que sempre constitui um grave risco.

Evidentemente que antes – sempre antes – há que cuidar que não fiquem ao relento os utentes do edifício durante o saneamento imprescindível.

Não se pode actuar como nos bairros de lata - que a televisão mostra a serem destruídos, por maquinaria, moderna, poderosa, como que de países bem apetrechados, desenvolvidos  e civilizados, com operários fardados com capacetes luzentes a manobrar com perícia tais mastodontes – indiferentes às mulheres fugindo com enxergas às costas e crianças a chorar apertando nas mãozinhas encardidas de mexer na terra brinquedos esfrangalhados, porque  tudo se deita a baixo, a eito – mesmo não tendo - casas de substituição para compensar toda a miséria que assim se expõe...

             

Método, aceite tão democraticamente que também foi usado com igual estrondo e impacto na implantação do novo “sistema de saúde” que, como qualquer eficiente escavadora, fez o arraso do que havia sem nada – capaz – deixar em troca, a não ser a esperança de cada qual decidir se deseja morrer em ambulância, à porta de casa esperando - horas - em vão, o INEM – como, há um ano, também aconteceu a gente minha – ou – sobre, ou, sob - o conforto de uma maca, em qualquer corredor de acaso de qualquer instituição onde o tempo de espera não se conta...

             

Hipóteses não faltam.

Tenho na minha frente a revista Sábado que traz na capa quatro cabeças com as verbas que receberam os seus donos, para sair dos seus poleiros.

Juntando-se-lhes o que deverão ter recebido para entrar, mais o necessário para lá terem permanecido, estarão encontradas razões mais do que suficientes para entender porque um dos poucos socialistas – autênticos - que ainda

                                            

sobrevivem, embora se chame Manuel Alegre,  não esconda que perdeu a alegria de viver, o Socialismo, “sui generis” deste “Jardim à Beira Mar Plantado!” onde uns tantos, vivem à tripa forra, e o povo  seca , espalmado pela injustiça, como o pichelim sobre os tabuleiros, expostos nos areais à vista do mar imenso onde a rede os apanhou.

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:16
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5 comentários:
De Gustavo Frederich a 10 de Janeiro de 2009 às 22:02
Tia querida
Mais um excelente texto, como aliás aqui muito
se diz e se repete constantemente - a minha Tia
escreve mesmo muito bem - num português excelente
que agrada por inumeros motivos.

Desculpe só vir hoje mas tenho andado muito
ocupado na protecção do jardim japonês - a neve
está por todo o lado.
Está tudo vestido de branco, um frio imenso - mas
eu gosto de passear pelas ruas e sentir, no rosto, o
vento gélido.
Adoro.

Estou agora, sentado, bem defronte para a lereira
que emana um calorzinho gostoso o Picolino dorme
no braço do sofá, mesmo aqui ao lado.

Muitos beijinhos Tia e que tenha um Feliz domingo

Seu sobrinho

Gus


De Maria José a 13 de Janeiro de 2009 às 19:23
Meu Sobrinho Querido
Passeio algumas vezes pelo seu jardim com o picolino ao colo.
Depois, o frio empurra-me para casa. Então sento-me à lareira, pego num livro e fico a olhar as chamas, sem ler, pensando um mundo de coisas e esperando o seu regresso para falarmos um bocado antes que as horas me recordem que devo regressar à minha realidade.
Nestas e noutras evasões onde me passeio a contento, se não é o telefone é o bater das horas que me acorda.
Meu Marido gostava de relógios.Tinha alguns.
Um de caixa alta, na entrada da nossa casa, posso dizer que pontua a minha vida, a tal ponto que, se me esqueço de lhe dar corda e ele pára,se estiver a dormir acordo.
É curioso como estas insignificâncias são também elementos do nosso quotidiano.
Olhe, não era nada disto que pensava dizer-lhe, nem isso importa.
Desde que saiba que gosto de si - já fico contente.
Beijinhos - tia Zé.


De Adalgisa Alexandra a 10 de Janeiro de 2009 às 22:10
Olá Tiazinha
Cá estou eu. Hoje estive um bom bocado a caminhar
pela neve, a brincar na neve, como todas as
crianças.
Sou uma apaixonada pelos mantos brancos que ela
deixa.
Mais um lindo texto Tia, como sempre - aqui vive-se
dos magnificos artigos que fazem deste blog a
maravilha que é.

Mil beijinhos tia
Ah e por favor não fça como eu, não se ponha a
andar na neve, não se deixe constipar. Está bem?

Muitos beijinhos

Gisa


De Aristeu a 11 de Janeiro de 2009 às 00:36
Olá minha querida Tia Zé
Cá estou eu para ler com alegria os seus textos.
Esta semana não recebemos os jornais nem outro
tipo de documentação dái - porque o Capitão Luis
Manuel morreu - ele que era a nosso pombo correio.
Veja lá como estamos tristes.
Mas o Tio Américo já falou com outro amigo e talvez
se consiga alguma coisa.
Depois lhe contaremos.

O Gílio tia agora quer casar com a namorada...
Deixe ver...

Beijinhos tia e passe um bom domingo
Por favor cuide-se e não se deixe constipar.

Gosto muito de si

Aristeu


De eva a 11 de Janeiro de 2009 às 15:49
Maria José, o meu comentário desaparaceu e não sei se ficou perdido ou se vai a caminho do seu blog.
Repetindo o essencial: embora tenha respondido nos "Escritos" não quero deixar de lhe agradecer aqui, nesta sua casa, as palavras que me dispensou.
Obrigada e Bem Haja!


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