Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Entrevista-Set. 2008-Radio Elvas

Entrevista aos Microfones

Da Rádio Elvas

Entrevistou - Marina

Durante a inauguração da Exposição Percurso

No Museu de Fotografia

19 de Setembro de 2008

 

Procurei fazer, como que: um busquejo começando do princípio dos meus trabalho porque, tenho recordações, como toda agente afinal tem, mas às vezes têm só recordações, só a lembrança e não têm testemunho e eu, com a mania de guardar coisas, não é que eu seja coleccionadora, mas, junto coisas, tenho amor, aos papeis, aos trapos, junto, transformo, faço bonecos, faço coisas que então comecei a juntar desde há muito e portanto, é uma história contada, justamente por isso, com trabalhos.

 

QUAL A OBRA QUE DESTACARIA?

 

Penso que do ponto de vista da originalidade, seriam os trabalhos de conchas porque não são trabalhos feitos com conchas bonitas, é aproveitar as sugestões dos cacos, das conchas partidas, que são as que mais me falam, porque afinal de contas aquelas que têm mais história.

Estão partidas porque viveram, foram quebradas por alguma coisa porque já aturaram muita maré, muito céu, muito sol, muita lua e é aproveitar isso para dar-lhes formas novas

 

Agora, como trabalho, mais gratificante e realmente mais moroso e que a mim me deu mais emoção fazer – foram os trabalhos de madeira porque quando idealizava um boneco não sabia porque ponto havia de começar.

Ás vezes perguntavam-me assim – como é que fazes?

e eu respondia – corto o que me sobra.

E era realmente assim.

Eu via o boneco lá dentro e depois começava a tirar daqui, dalém, dacolá – chegava a ter febre – o meu marido as vezes dizia-me: “Não fazes mais nada!”

Cheguei a ter 38,5 de temperatura da excitação porque eu era a primeira pessoa a ver o que saía.

E era isso.

 

A SUA COLECÇÃO É MUITO VASTA DESDE CHAVES, A MADEIRA PASSANDO POR CONCHAS…

 

Eu acho que na vida é tudo bonito e não acho que as coisas quebradas sejam todas lixo e nem de deitar fora.

E depois, por exemplo, tenho ali um quadrinho, feito de quase nada. Eu tinha uma única sobrinha, como tenho uma única irmã e ela era de uma gentileza, extraordinária.

Uma vez cheguei lá a Lisboa, bati à porta e ela não estava. Eu esperei, um quarto de hora, até que ela regressou e abriu a porta.

Segunda vez, ela tinha a chave da casa, com uma etiqueta a dizer Casa de Lisboa – “nunca mais a minha querida tia, espera à porta”

 

Depois, eu podia deitar essa chave fora – já não serve para nada. Mas enquadrei, a fotografia dela com os filhos e agora vou dar, ao mais novo, que é o que vive mais só.

 

São estas coisas assim, porque são como mensagens de vida, de outros que a gente recebe e depois transforma e guarda ou dá.

 

estou: entrevista Radio Elvas
música: Exposição Percurso de Maria Jose Rijo

publicado por Maria José Rijo às 22:00
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1 comentário:
De Adalgisa Alexandra a 3 de Fevereiro de 2009 às 23:37
Olá Tia
Muito boa noite
Fiquei feliz ao ver que hoje tem on-line uma
entrevista.
Gosto de ler as suas entrevistas porque gosto
muito da forma como a Senhora conta as "coisas",
desta sua forma única, eu acho assim pelo que
leio e sinto do que leio.
Cada um acha o que acha - eu estou feliz por assim
sentir.

Muitos Beijinhos

Gisa


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