Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

“…Sei lá…”

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.879 – 13 de Março de 1987

Á La Minute

 

Talvez que a proximidade das suas origens, seja o que me encanta em objectos de uso corrente, como colheres de pau, louças de barro, cestos e canastras.

Gosto da natureza, e entre a terra de barro dos campos, onde o trigo cresce e a panela grosseira, de asa, como braço à cintura, onde o pobre cozinha a sopa no lume de chão da chaminé do monte… quase só vai a distância de um amassar, tender e ir ao forno, como se de pão se tratasse.

Entre o pinheiro que tomba no desbaste do pinhal, que se quer frondoso, e a colher de pau que mexe o caldo – vão apenas uns golpes certeiros de enxó, dados até, quem sabe, pela mesma mão.

Também a canastra da hortaliça, o cesto da vindima ou o cabaz das compras andam perto da força descontrolada com que a Primavera faz rebentar, à maluca, a oliveira, o salgueiro, o souto ou o canavial da beira de água.

Talvez esta proximidade evidente entre a obra e a sua matriz lhe dê essa feição vigorosa de povo, esse jeito inocente e sábio de cada coisa útil… esse ar de pretável serventia… que me cativa e comove.

               

Talvez que, a sugestão que oferecem de pioneirismo, de ponto de partida, no caminho da descoberta de porcelanas, talhas arredondadas, relevos, caprichos entrelaçados de tapeçarias preciosas, talvez, me toque a sensibilidade como os passos indecisos da criança que ensaia a aventura de andar pelo seu pé.

                         suri_cruise_7

 Não sei se tudo isto, ou nada disto, me liga a tais coisas… porque me é muito difícil descobrir as raízes, que alimentam o florescer do respeito e encanto pelo que se conhece de cor e nos cativa.

Talvez seja apenas e ainda, o ecoar do espanto porque se descobriu, sentiu, ou pressentiu apenas, que as soluções simples, às vezes nos roçam, e as recusamos por demais evidentes e nos embrenhamos depois em labirintos, onde não raro, nos perdemos.

Pode ser, talvez, sei lá… a convicção de que o deslumbramento, a dor, a esperança, todos os sentimentos verdadeiros… são filhos de elaboração interior e têm tanto a ver com o correr natural da vida… manso ou atribulado… como o leito dum rio que fatalmente o conduz à foz.

 

Maria José Rijo

 

estou: a la Minute
música: 13 de Março de 1987

publicado por Maria José Rijo às 18:33
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5 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 10 de Fevereiro de 2009 às 20:03
Lindo tia
Gosto imenso da sua prosa, como dizia um Sr aqui,
da sua prosa literária. Eu gosto e muito.
Parabens Tia querida

Gisa


De Virgilio Fernandes a 10 de Fevereiro de 2009 às 20:30
Olá minha queridinha tia
Hoje tive que cá vir e sem falta.
Não só para lhe dizer que gosto muito de si, do seu
blog, da sua maneira especial de escrever mas
também e principalmente para me desculpar pela
minha ausencia - mas tia tenho tido tanto que
estudar e que trabalhar que nem venho a esta
caixinha que é a net.

Mas hoje cá estou !
Muitos beijinhos deste seu sobrinho
do Brasil

para si
sempre o
Gílinho


De António Piedade a 10 de Fevereiro de 2009 às 22:44
D. Maria José Rijo
Que texto bonito este seu, curioso que é um texto
que tem 22 anos, mas um texto que continua
actual, como se pudesse ter sido escrito ontem.

Gostei mesmo muito, aliás os seus textos têm uma
caracteristica - de que nos dá a impressão (pelo
menos a mim) de que a Senhora está, aqui, sentada
a meu lado, conversando e olhando a paisagem que
nos rodeia.
Mais ou menos isto, de que a Senhora conversa e
nós ali a seu lado.
Gosto, o mesmo me acontece quando leio Isabel
Allende, essa mesma sensação que tenho nos seus
textos.

Muitos Parabens
António Piedade


De Lucas Marquês a 10 de Fevereiro de 2009 às 23:09
Excelente texto.
O seu blog é uma apresentação de textos bons.
Assuntos interessantes, num blog sempre
actualizado.

Gosto do seu blog e da sua maneira de escrever.
Gosto da sua Lucidez, da forma como olha e
encara a vida e como fala da vida.
Gosto da sua compreensão para com a vida e a
forma como a transmite.

Muitos Parabens
A Senhora deve de ser uma pessoa muito querida
pelos seus amigos.
Eu tenho 19 anos e adoro ler o seu blog, a sua prosa
e poesia.

Grato, por ter este dominio on-line.
Muito obrigado

Lucas Marquês


De Matilde Magalhães a 11 de Fevereiro de 2009 às 01:17
Excelente texto.
Muitos Parabens por este blog tão especial.
Posso repetir-me ao dizer o mesmo que outros -
mas não sei dizer de outra forma - que gosto
imenso de ler o seu blog.
Agrada-me bastante a sua poesia porque me
identifico com ela, gosto da forma bonita como são
apresentados os textos.
É muito agradavel ao olhar uma pagina tão bonita.

Muitos Prabens
desta sua admiradora

Matilde Magalhães


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