Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

De visita

Jornal O Despertador

Nº 228 – 5 Março de 2008

A Visita 17

 

De visita, aqui estou mais uma vez, para dois dedos de conversa, que hoje, tem que ver com um assunto que diz particularmente respeito à nossa cidade.

 Numa destas noites em que a insónia me atormentava, para ajudar a queimar horas, liguei a televisão.

A minha primeira reacção foi de espanto pela qualidade de alguns assuntos que vi tratar fora de horas, quando no horário dito nobre, por vezes o enfoque vai para cada rubrica que nem lembraria ao mafarrico.

 No programa – Mundo das Mulheres – o tema, era: - Livros de A a Z. Não reparei se era repetição, mas porque a conversa, era precisamente – bibliotecas, arquivos e seu funcionamento, fiquei atenta aos depoimentos dos vários intervenientes. Um deles, um sociólogo – Dr. Jorge Martins a certo passo, afirmou: “- uma biblioteca ou um arquivo sem técnicos é como um hospital sem médicos”

Biblioteca Municipal de Elvas - Sala Eurico Gama

 

Achei a comparação bem pertinente e veio-me à lembrança a queixa de desconforto do Dr. Rui J. a quem ao visitar (muito recentemente) em missão de estudo o Arquivo em S. Francisco, foi dito para consultar o arquivo de Lisboa, porque – em Elvas – de Vitorino de Almada – nada consta!!!

Claro que, quem lá estava, não sendo “médico” nem sequer enfermeiro seria. Eram apenas O.M.T.J...a quem a muito boa vontade de que disponham não supre o desconhecimento.

Como se vê, nem só no Hospital faltam valências...

 Reconheçamos, que entre o espalhafato para inglês ver, e, o amor, o respeito e o entendimento que se tem, ou não tem – de verdade – pelas causas, há uma grande distância.

                    Arquivo do Intermat

Fiquei, ao ter conhecimento de MAIS (há tempo fui procurada em minha casa para ajudar sobre outra pesquisa, também inviabilizada no Arquivo, e a que pude valer com um trabalho da Professora Dra., Maria Augusta Barbosa e do Senhor Cónego Alegria, editados na Câmara de João Carpinteiro) este incidente a pensar na defesa que foi necessária para manter o arquivo em Elvas quando em 86, se sucederam as arremetidas para o tirar de cá. Luta, de defesa já mantida, também, por Câmaras anteriores.

Foi, então, que citando Eurico Gama, no prefácio da sua obra. –“Catálogo Dos Livros Paroquiais Da Biblioteca Municipal de Elvas” – Eurico Gama – o Homem – cuja sala (feita a seu pedido com os 6.ooo livros que deixou à cidade) – agora foi desfeita, que se conseguiu, o milagre, de o Arquivo ficar em Elvas de vez.

Que mais não fora – por isso - a sua memória deveria ter merecido desta Câmara uma atitude mais justa e respeitosa.

Mas, como as coisas vão, ainda me sujeito a, ser eu, acusada e presa por tráfico de influências, dado que estou citando ajudas de outros, em defesa do meu pensamento!

Talvez este não seja um tema muito pacífico para visitas, mas...

Quando tudo muda tão rapidamente que já são as mulheres que carregam os andores nas procissões, que sejam ainda as mulheres a lembrar a quem, e como, de que forma, está entregue e é respeitado, o testemunho histórico da cidade...

Até sempre

 

Maria José Rijo

 

estou: visita nº 17
música: Jornal o Despertador - 2008

publicado por Maria José Rijo às 22:38
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5 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 15 de Fevereiro de 2009 às 23:14
Querida Tia
Mais um texto de grande qualidade.
São sempre assuntos interessantes a que se deve
a sua opinião.
Bem haja tiazinha

Gisa


De Xavier Martins a 15 de Fevereiro de 2009 às 23:24
Cara D. Maria José Rijo
Finalmente hoje consegui aparecer por aqui...
tenho estado muito ocupado e nem imagina
em que me meti.
(meti-me a fazer um trabalho que me dá imenso
prezer.)
Pois sim - pedi a um amigo que me copiasse todo
os textos que tem aqui on line (é verdade) e com
a intenção de mandar encadernar - o que já está.
São vários volumes que ficaram maravilhosos.
Espero que esta noticia não a deixe ficar triste, mas
é uma forma de manter a salvo um espolio que
vale a pena ter em casa.
Bom seria que o jornal fizesse volumes para que
quem desejasse os pudesse adquirir - mas como
procurei e não encontrei resolvo desta maneira.
As paginas são os posts que aqui publica diariamente.
Ficaram um primor - são no momento os meus
livros preferidos MAS queria confessar que cobicei
esta ideia do Gus e da luizinha - que aqui li terem
feito volumes.

Gosto - adorei - e tudo por causa deste blog
fantastico - que nos dá o prazer de podermos ler
os seus diversos artigos e pensamentos.

Os meus Parabens e muito grato
Seu admirador

Xavier Martins


De António Piedade a 15 de Fevereiro de 2009 às 23:58
Mais um excelente texto.
São formidáveis os seus artigos.
Uma lucidez constante em cada artigo.
Muitos Parabens

António Piedade


De Miguel de Barros a 16 de Fevereiro de 2009 às 00:46
Excelente Tia
Mais um texto magnifico.
Gosto imenso da forma como consegue "falar" e
"dizer" desta lucida maneira.
Era assim que eu gostaria de saber escrever e quero
muito aprender de si.
Estou atento.
Um beijinho grande
deste seu mais novo sobrinho

Miguel de Barros



De Nuno a 23 de Fevereiro de 2009 às 17:17
Não posso deixar de comentar o seu post ", alusivo ao Arquivo Histórico Municipal de Elvas, já que partilho da sua opinião.
Frequentar o referido arquivo, em detrimento de varios estudos de investigação que realizei, continuo a frequentar e espero frequentar muitas outras vezes, pelo que tenho o conhecimento efectivo do seu funcionamento. Salvaguardando, desde já, a funcionaria, que simpaticamente me acolhe, demonstrando sempre uma atenção para com as questões que lhe coloco, respondendo a algumas, sempre que a experiencia lhe permite, não obtendo outras, quando se exige um conhecimento mais técnico
Curiosamente, da parte CME , quando me candidatei na condição de licenciado, tive a resposta de que o arquivo estava a ser trabalhado e organizado devidamente, por técnico especializados, pelo que não me poderiam satisfazer o meu "desejo".
Esquecendo esse "desejo", o meu percurso foi sendo feito aos poucos, por outras paragens, ainda que quase sempre tenso presente ELVAS e, em particular o seu arquivo, que com o tempo me deu a percepção, de que alguma coisa tinha sido feita, mas a sua organização (catalogação de documentos) esta ainda longe de estar concluída , experiencia que me foi dando o entendimento necessário para perceber, que a resposta que tive havia sido uma mera desculpa, que aceito, entendo e até respeito ao nível pessoal. Tecnicamente, não entendo que o dito arquivo pelos fundos que encerra, se mantenha por organizar verdadeiramente.
O recente AHME , merece sem qualquer duvida, os parabéns de todos ao Sr.º Presidente da CME , mas nos estudante, investigadores, pessoas, deveríamos merecer mais alguma atenção por parte da mesma instituição, podendo usufruir e rentabilizar melhor o tempo de trabalho que disponibilizamos no arquivo.
Fazer é essencial, mas manter é sempre mais difícil




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