Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Reminiscencias - 6

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.491 – 12 - Fevereiro -1999

Conversas Soltas

 Reminiscencias - 6

      Illumination_morgan_estill

Convivi e estimei profundamente, com respeitosa admiração, um homem bom que discretamente ajudava e protegia todos quantos à sua porta batessem. Viúvo, muito novo ainda, criou sem madrasta uma ninhada de seis crianças, das oito, que do seu casamento lhe nasceram.

Pois esse Homem que foi meu sogro, com coragem se dirigia a qualquer individualidade quando estava em causa a justiça.

                       File:Braga Banco Portugal.jpg

Assim o fez ao Administrador do Banco de Portugal ao perceber que por razões políticas obstruía a carreira de um filho seu dizendo-lhe frontalmente que chegara à velhice com a consolação de nunca ter prejudicado qualquer soldado que sob as suas ordens tivesse servido, e que lhe oferecia esse exemplo, que considerava o maior orgulho da sua vida, atitude que a sua provecta idade lhe permitia. Como resposta recebeu do Senhor Administrador com um cortês pedido de desculpas a promessa de que a justiça seria reposta, o que veio a acontecer de imediato e que ele comentou, dizendo apenas: - quando as pessoas têm carácter, não há grandes nem pequenos, – há pessoas de bem.

Pois esse homem por ter uma alma pura, tinha um humor de criança e divertia-se com historietas brejeiras que muitas vezes encontrava impressas, me mostrava e fui guardando.

Assim, hoje, aproveitando a maré destes carnavais tão modernistas cá vai uma graça de outros tempos.

           

Acordão da relação do Porto de 11 de Novembro de1793 sobre o conflito de uma das Freiras d’Amarante com os frades da mesma Vila

Acordão em relação, vistos estes autos, etc. etc.

As autoras, D Abadessa, Discretas e mais religiozas do real convento de Santa Clara de Amarante, mostram ter um cano seu próprio por onde despejam as suas imundices e enchurradas, o qual atravessa de meio a meio a Fasenda dos Frades dominicos da mesma vila.

Provam elas autoras a posse em que estão de o limpar quando precisam.Os reus Prior e mais religiozos do Convento de S. Gonçalo, assim o confessam e se defendem disendo : que lhes parece muito mal que lhes bulam e mecham na sua fazenda sem sêr à sua satisfação: que conhecendo a sua necessidade da limpeza do cano das Madres tinham feito unir o seu cano ao delas para mais facilmente se providenciarem as couzas, por cujo modo vinham a receber proveito.

         

Portanto e o mais dos autos; vendo-se claramente que aquela posse só podia nascer do abuzo: vendo-se a mais boa vontade com que os reus se prestam e obrigam a limpar o cano das Madres autoras e que outrosim da união resulta conhecido benefício , conclue-se visivelmente que tais duvidas e questões da pare das autoras só podem nascer de capricho sublime e temperamento ardente que precisa mitigar-se para bem d’ambas as partes.

Pelo que mandam que o cano das Freiras autoras seja sempre conservado corrente e desembaraçado, unido ou não unido ao cano dos réus, segundo o gosto destes e inteiramente à sua disposição, sem que as freiras, autoras possam intrometer-se no dia e na hora nem nos modos ou maneiras da limpeza a qual desde já fica entregue à vontade dos réus que a hão de fazer com prudência e bem por terem bons instrumentos seus próprios o que é bem conhecido das outras que o não negam nem contestam.

              

E quando aconteça, o que não é presumível, que os réus, de propósito ou omissão, deixem entupir o cano das autoras, em tal caso lhes deixam o direito salvo contra os réus, podendo desde logo governar na limpeza do dito seu cano, mesmo por meios indirectos e usando de suspiros, ainda usando do cano dos réus, precedendo primeiro uma vistoria feita pelo Juiz de Fora com assistência de pritos louvados sobre os canos das autoras e réus e pagar as custas de premeio etc. etc

                         

É esta a cópia fiel do Acordam da Relação do Porto de 11 de Novembro de 1793, não deixando dúvidas a ninguém que houve freiras em Amarante e que os doces regionais d’Amarante, da Confeitaria Amarantina de Alcino dos Reis são provenientes de receitas do Antigo Real Convento das Freiras de Santa Clara de Amarante.

 

Era assim, aproveitando circunstâncias por vezes pícaras ou pitorescas, que se fazia noutros tempos a propaganda das particularidades de cada terra. Neste caso focavam-se os doces conventuais de Amarante.

Confessemos que não calha mal juntar à doçura o riso mesmo sendo à custa do desnaturado “pretuguês” com que foi redigido o hilariante acordão...

 

 

 

 

Maria José Rijo

 

estou: de 1999
música: reminiscencia - 6 - nº 2.491

publicado por Maria José Rijo às 21:14
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5 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 17 de Fevereiro de 2009 às 22:08
E eu adoro os doces de Amarante.
São mesmo uma delicia.

Gostei muito do texto - desconhecia tal acordão.
Muitos beijinhos Tia

Gisa


De António Piedade a 17 de Fevereiro de 2009 às 22:30
Excelente reminiscencia D. Maria José.
Os meus Parabens
São mesmo textos estupendos, os seus.


Muitos Parabens

António Piedade


De Dolores e Avelino a 17 de Fevereiro de 2009 às 23:03
Boa noite Tia
Passei para deixar um grande beijinho de todos
nós.
A Magé está linda e agora temos um gatinho que
lhe chamamos de Grilinho porque a Magé ri imenso
ao ouvir o nome.
É um gatinho amarelinho, muito bonito.

Gostamos muito do texto tia.
Muitos beijinhos

Dolores


De Aristeu a 17 de Fevereiro de 2009 às 23:22
Muito boa noite
Minha querida tia desculpe não ter aparecido mas
aqui agora já só cheira e se sente o Carnaval.
O Gílio e o grupo dele entram e saem - vestem-se,
despem-se, cantam, dançam... nem imagina a
confusão.
O Pai e o Tio estão muito divertidos com tanto
ruido, musica e cor. O samba parece que agora
vive aqui em casa.
Os tambores fazem ecos nos corredores... uma
loucura - mas então... que fazer...

Espero que a tia esteja bem e muito feliz.
Sorrir faz bem - manda para longe a tristeza (pelo
menos no Carnaval)
Beijinhos para a Tia Barbara.

Feliz Carnaval
Beijinhos do seu sobrinho

Aristeu


De Gustavo Frederich a 17 de Fevereiro de 2009 às 23:36
Mais uma reminiscencia.
Gosto das suas recordações com estes
enquadramentos especiais

Tia já estou em Veneza para passar o Carnaval,
fui convidado por uns velhos amigos de minha Tia,
estive quase para não vir, mas a minha Chefe...
deu-me uns dias de férias.
Vou aproveitar.
Espero e desejo que a Tia esteja muito bem, que
esteja muito feliz e de saúde optimamente.
Como diz o seu sobrinho Aristeu - sorrir faz muito
bem.
--
Eu li que:
--
Sorrisos de mulheres e de pessoas com mais
de 45 anos têm maior efeito terapêutico.
"Expressão facial positiva" reforça "bem-estar mental".

Os sorrisos são terapêuticos em pessoas
depressivas, de acordo com o estudo realizado
pelo professor da Universidade Fernando Pessoa, Armindo Freitas-Magalhães e pelo investigador
Érico Castro, do Laboratório de Expressão
Facial da Emoção, da mesma universidade.

Segundo as conclusões do trabalho, os sorrisos "largo" (quando os lábios deixam
ver os dentes) e o "superior" (que mostra
apenas os dentes de cima) são os de maior
efeito terapêutico.

"A visualização dos sorrisos largo e superior influencia a auto-percepção do seu estado
de saúde mental", explicou ao JPN o investigador Érico Castro.

As observações reforçam que "os
depressivos valorizam, em crescendo, os pensamentos positivos, em detrimento dos pensamentos negativos". O que acontece
devido aos dois tipos de sorriso se aproximarem
da construção da felicidade. "O bem-estar
mental é reforçado com o estímulo da
expressão facial mais positiva", conclui
Érico Castro.

Sorrisos femininos são os mais terapêuticos
A investigação mostra que os sorrisos
com maior efeito terapêutico na depressão
são os femininos, porque as mulheres
"são mais afectivas e comunicam melhor as emoções".

Foram também constatados efeitos
terapêuticos do sorriso em função da idade,
com índices de melhoria do estado de
saúde mental na faixa etária dos 45 aos
60 anos, em comparação com o grupo dos
25 aos 44 anos.

Érico Castro explica que quanto mais se
avança na idade, "mais se nota a influência
do sorriso, porque as pessoas estão mais
vulneráveis à emotividade e à labilidade
afectiva", sustenta o investigador.

O trabalho foi realizado entre 2003 e
2006, baseando-se numa amostra de
160 indivíduos diagnosticados como
depressivos (80 homens e 80 mulheres),
com idades entre 25 e 60 anos.

Os resultados da investigação vão ser
apresentados em Janeiro de 2007, na
reunião anual da Sociedade para a
Personalidade e a Psicologia Social em
Memphis, Tennessee, nos EUA, mas
Érico Castro crê que "há quase tudo
por estudar sobre o sorriso".

________

Muitos beijinhos tia querida
e Sorria

Gus




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