Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

E, porque não?

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.709 9 / Maio / 2003 

 

 

E, porque não falar do “labirinto” da Casa Pia?

Quem se esconde, quem se mostra, quem mente, quem fala verdade?

Se calhar ao certo ninguém o saberá!

Uma coisa, porém me parece fora de dúvidas todos, mais ou menos, já pensamos no assunto, e, no fundo do nosso coração, afagamos, um pendor, uma tendência, para acreditar neste ou naquele, às vezes, sem bem saber as razões porquê.

Em família, entre amigos, emitem-se pareceres, arriscam-se opiniões.

Em publico, não.

O tema é melindroso, ninguém está disponível para sofrer por conta dos problemas de outrem. Bem basta o que bate directamente à nossa porta e a que não se pode fugir.

Tudo isto é certo.

Tudo está de acordo com os cânones...

Pois, também eu, já cheguei a “uma idade canónica”, em que a nossa verdade é tão imprescindível de ser assumida, como o ar que se respira. Assim sendo comentarei o que me parece certo que seja comentado.

Por exemplo: como é que a Senhora Drª Catarina Pestana, tem a certeza que os meninos que sorriram baixando os olhares quando tiveram conhecimento de certas decisões dos juízes estavam felizes porque isso era prova da eficiência da justiça no nosso país?

A mim, quis-me parecer que eles escondiam os olhares “talvez” porque estando a mentir, ficaram mais tranquilos por ainda não terem sido desmascarados!...

Ou, ser, ou ter sido, menino da Casa Pia, torna as crianças impecáveis ou incapazes de mentir, ou de se desculparem atribuindo as culpas a outros ou de inventarem ou fantasiarem histórias?!

Ter sido Menino da Casa Pia, torna as crianças TODAS, puras como anjos e diferentes, para melhor, de todas as demais?

Porquê então o percurso do Bibi? - Que lá foi criado?...

Tentemos pensar como poderia ter sido o trajecto de Vida de qualquer um de nós, se aos quatro anos, sem Pai nem Mãe, nos víssemos fechados numa Instituição, um, perdido, entre muitos, querendo ganhar o seu espaço, à toa, como uma borboleta que se queima procurando a luz nas chamas.

Aí está mais um infeliz que chegou a carrasco pelo caminho do martírio em que cresceu e se formou...

Então se assim é, ou sempre foi, porquê o drama, a tragédia, com que nos confrontamos, senão e só, por culpa de quem tudo sabia e não escalpelizou...de quem ao longo de gerações, fingiu tudo ignorar?

casa-pia.jpg

Estava a olhar a televisão e, apanhou-me em cheio, de olhos nos olhos, a pergunta daquele Pai, a quem uns rapazinhos de quinze anos, brincando com uma arma atingiram a sua pequena filha com um tiro na cabeça.

O infeliz repetia: - então uma criança desta idade, não sabe o que faz?

Dou a minha resposta: pode não avaliar bem a responsabilidade e eventuais consequências dos seus actos.

- Pode!

Mas, sabe perfeitamente distinguir o bem do mal.

Essas situações, sem dúvida, que identifica.

Fico por aqui. Isto dava pano para mangas. Porém, o jornal não vive de conversas...e, a minha, já vai tão extensa que receio já ter esgotado os limites que me foram imposto.                 

                                                          

 

 Maria José Rijo

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 20:29
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15 comentários:
De António Piedade a 23 de Fevereiro de 2009 às 21:26
Boa noite
Concordo consigo.
É um assunto que já deveria estar concluido mas nem
será por estes anos mais proximos...
Grandes trapalhadas...

Parabens por mais esta visão daquele imenso
"Labirinto".

Um abraço

António Piedade


De artesaoocioso a 23 de Fevereiro de 2009 às 21:32
Um dos mistérios deste caso é precisamente a nomeação da senhora Catalina Pestana, quadro da casa
que nunca viu nada.
Quando prosperava o «negócio» da compra de depoimentos dos alunos, a senhora jurava que «os seus meninos» nunca mentem.
Todos sabemos que as crianças mentem.
Naquele caso especifico até recebiam dinheiro para inventar versão.
Nunca percebi a sua nomeação para provedora -funções que não desempenhou - e nunca acreditei nela.
Cumprimentos


De maria José a 25 de Fevereiro de 2009 às 21:37
artesaoocioso -
às vezes penso que tudo quanto deveria ser resolvido em tempo aceitável e de forma aceptica se deixa diluir no tempo e consporcar - mais - no trajecto
Cumprimentos
Maria josé rijo


De Amilcar Martins a 23 de Fevereiro de 2009 às 22:05
Concordo com os comentarios anteriores.
E como sempre um texto excelente, com uma
visão sempre lucida - dos acontecimentos.
Os meus Parabens
por mais esta sua visão.

Um grande abraço

Amilcar Martins


De maria José a 25 de Fevereiro de 2009 às 21:44
Amilcar Martins
È bom que nos entendam as pessoas que respeitamos pela maneira séria como encaram os problemas - sejam ou não da nossa opinião.
Um abraço grato
Maria José


De Adalgisa Alexandra a 23 de Fevereiro de 2009 às 22:07
Olá tia
Muitos beijinhos de Boa noite.
Amanhã é novo dia de folia, lá vou eu ver os
CArnavais.

Um grande beijinho Tia

Gisa


De Maria José a 25 de Fevereiro de 2009 às 22:19
Minha querida Gisa
É raro abrir o computador e não ter a alegria da sua presença.
Eu sei que tenho andado tão ausente que até entendo que só a vossa paciência para serem tão fieis na vossa visita.
às vezes o que me apetecia era estar junto a vós a conversar! - Mas... dos amigos o que pode ser.
Beijinhos - tia Zé


De Aristeu a 23 de Fevereiro de 2009 às 22:19
Boa noite Tia
Daqui de longe...
de alguém que ainda anda no Carnaval
O seu Gílinho - deixou este recado para si ->
"um grande GRANDE beijinho e muitos miminhos
para a Tia mais querida do mundo."


--
Beijinhos de todos nós

Aristeu


De Maria José a 25 de Fevereiro de 2009 às 22:51
venho agradecer e retribuir os miminhos do Gilinho.
Só lamento que estejam lá tão longe que que nem dê para uma boa conversa e para o tal abraço que ficou por acontecer quando cá vieram sem prevenir.
Era bom ter-vos por perto.
Beijinhos
tia Zé


De Gustavo Frederich a 23 de Fevereiro de 2009 às 22:31
A Minha Dor

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…

Florbela Espanca - O Livro das Mágoas

.........................

Muitos beijinhos querida Tia...
Gosto muito de si

Gus


De Maria José a 27 de Fevereiro de 2009 às 19:47
qualquer coisa me segredava que o "segredo" a anunciar era de Amor.
Acertei.
Relendo agora este belo poema que me ofereceu e relembrei, apeteceu-me dizer que também gosto muito de si - meu jovem poeta.
No domingo passado estive mais uma vez no tumulo da "Bela"e a escutar os seminaristas nos cânticos dasVésperas na igreja de Nossa Senhora da Conceição em vila Viçosa
Faça favor de ser feliz
Beijinhos -Tia Zé


De Xavier Martins a 23 de Fevereiro de 2009 às 22:42
Mais um excelente texto minha amiga
Adoro todos eles porque neles está sempre
incluida a sua marca de lucidez imensa.
Continue assim.
parabens por mais esta preciosidade.

Um abraço

Xavier Martins


De Maria José a 25 de Fevereiro de 2009 às 23:12
Xavier Martins
É-me sempre grata a sua presença e a sua opinião.
Ando, mais lenta do que um caracol a pretender fazer o que desejo e me atormenta, por desinteresse, de momento, não ser capaz de realizar.
Creio que me assustei verdadeiramente por sentir os receios de minha irmã em relação à sua saude. situação que ainda não ultrapassei.
Um abraço grato
Maria José


De Rosalina Pires da Gama a 24 de Fevereiro de 2009 às 14:48
Excelente texto.
Aliás excelente blog.
Muitos Parabens pela sua imensa lucidez e pontos de vista.
É um blog nobre, de qualidade e de grande honestidade.
Gosto especialmente porque se sente aqui o ar de
familia sem os intrometidos anónimos que só servem
para denegrir os blogs.
Mais uma vez
Muitos Parabens

Rosalina Pires da Gama


De Maria José a 25 de Fevereiro de 2009 às 23:52
Rosalina Pires da Gama
Obrigada pelas suas palavras amigas e pela simpatia da sua presença.
Um abraço
maria José Rijo


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