Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Mandos e Desmandos

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1728 – 30 Março de 1984

 

 

 

Parece que por pura impossibilidade de serem atribuídos efeitos retroactivos a lei do aborto – teremos que ser penalizados apenas pelo facto de existirmos.

Senão, vejamos como o espectro da multa, do castigo, passou a estar sempre à nossa vista, como a famigerada palmatória estava, nos velhos tempos, sonsa mas ameaçadora, sobre a secretária das escolas…

-É só pensar:

-Esqueceu-se de pagar a água ou a luz, ou não estava em casa no dia (que nem sequer é certo) em que para tal foi procurado?

-Espera ser avisado?

-Julga que o aviso volta à sua presença na cobrança imediata?

-Desilude-se! – Quando menos esperar cortam-lhe a água ou a luz ainda que tenha satisfeito todas as cobranças seguintes.

-Esqueceu-se de pagar a Previdência?

-Espera ter tolerância de, pelo menos, 24 horas?

-Espera pagar com um pequeno agravamento de juro relativo ao atraso?

-Desiluda-se! Paga juros (não que não paga!) mas paga também 3.000$00 de multa porque foi honesto.

Porque se você inventar um ardil bem forjado, se disser que esteve uns na China – já tem hipótese de não pagar…

No entanto, se for o poder instituído a faltar com o seu ordenado no dia certo, com a pensão de sobrevivência ou de invalidez – ninguém o indemnizará dos danos sofridos. Você já devia saber que a única responsável é a Burocracia. Ora como a burocracia, tal como os fantasmas dos velhos castelos, não tem rosto, embora – como a multa – tenha o dom da ubiquidade, para estar acoitada em todas as repartições - você nunca ganhará!

Jamais alguém encontrará a burocracia ao votar da esquina para lhe por a faca ao peito, como lhe fazem a si, a mim, a nós, a vós, a eles… que somos o contribuinte numerado, bem identificado para ser alvo fácil, passível, parceiro deste jogo arbitrário e desigual que não tem tempo limite, nem intervalos…

 

Quando o mando é de justiça

Calado o povo obedece!

- mas se o mando é de desmando…

Só Deus sabe o que acontece.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:44
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5 comentários:
De Ana Maria Lourenço a 4 de Março de 2009 às 20:23
Minha boa amiga
E o Carnaval terminou, a minha festa correu muito
bem o que me deixou muito contente.
Agora a Pascoa está a caminho e cá em casa tudo
é seguido a rigor.
É assim a nossa vida.
Só hoje consegui ter de volta o meu tempo e o no
meu tempo está a visita a este espaço, a que não
falto um único dia.
Como sempre, um bom texto, um texto com
alguns anos, mas um texto excelente, sem duvidas.
Muitos Parabens e MUITO grata por ter a
oportunidade de nos mostrar a sua obra magnifica.

Muitos Parabens

Ana Maria Lourenço


De Adalgisa Alexandra a 4 de Março de 2009 às 21:02
Oh Tia
Que gatinho tão Lindo que tem aqui.
Acho-o Lindoooooooooooooo.

Sempre bons textos e fantasticas imagens que
fazem com que o texto se leia tão mais facil.
mais um beijinho de Parabens
Este blog está fantastico.

Desta sua sobrinha

Gisa


De António Piedade a 4 de Março de 2009 às 22:43
Excelente Texto
Mas todos os dias temos um texto com grande
qualidade.
Os meus Parabens D. Maria José Rijo por este
magnifico blog.

Um abraço

António Piedade


De Dolores e Avelino a 4 de Março de 2009 às 23:37
Querida tia
A tia nem imagina como é bom esta ligação de
amizade consigo, é tão saudavel, tão querida e
necessária para nós.
Realmente a Tia é um ser muito querido, muito
afável, atencioso e sabe-me bem tanto apoio e
carinho que nos tem dado, nestes tempos dificeis
das nossas vidas.
É da nossa familia sim, e a nossa menina é também
é a sua menina.
Desejamos que esteja bem e esteja feliz.
Gostamos muito de si
Muitos beijinhos
Dolores
Avelino e Magé


De Gustavo Frederich a 5 de Março de 2009 às 00:15
Poema do silêncio


Sim, foi por mim que gritei,
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que eu não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
Que ergui mais alto o meu grito,
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de vícios e grandezas,
Foi a razão das épi-trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Alevantei com ironia, sonho, e fumo...

O que eu buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febre de Mais, ânsias de Altura e Abismo
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

E só por me ter vedado
Sair deste meu ser pequeno e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano,
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés abro o meu seio:
Procurei fugir de mim,
Mas eu bem sei que sou o meu único fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir,
Sofro por ter prazer em me acusar e em me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu - sou eu chegado à perfeição...)
Senhor! dá-me o poder de estar calado,
Imóvel, manietado, iluminado!

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que eu levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Também sei bem que embora trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Que a própria dor
De compreender como é supremamente egoísta
A minha máxima conquista!

Senhor! que nunca mais meus versos sôfregos e impuros
Me rasguem, e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida:
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome!

José Régio, Presença nº4
---------------
Muitos beijinhos Tia

Gus


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