Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Velha História

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1933 – 25 de Março de1988

  

Contava-se entre as pessoas da minha família, uma história exemplar de humanidade e amor, que me lembrei hoje de recontar.

Um arquitecto,conhecido dos meus familiares levou serões e serões a fazer um trabalho que lhe fora encomendado. Quando, finalmente, o deu por terminado, sentou-se com a mulher a tomar uma reconfortante chávena de café, lá pelo meio dessa madrugada.

             

O filho, deficiente mental, acordou e vendo luz acesa levantou-se. Entrou à vontade no gabinete do Pai e deliciado, riscou, borrou, inutilizando todo o trabalho, depois, a rir, na sua feliz inconsciência foi chamar os Pais para verem a “sua obra”.

Então o arquitecto, pálido de desespero, levantou a mão para castigar o filho, mas parou, olhando-o com lágrimas e segurando-o pelos ombros, puxou-o a si, abraçou-o e foi repetindo piedosamente: coitadinho! Coitadinho!

Em seguida acompanhou-o ao quarto, ajudou-o a deitar e ficou a conforta-lo até ele voltar a adormecer.

Depois, heroicamente, começou a refazer todo o trabalho.

 

Ensinaram-me com esta história verdadeira, que as acções se devem aceitar também de acordo com a sua proveniência e que a medida dos homens se afere pela inteligência, sabedoria de vida, bondade, bom senso, respeito e prudência no julgamento dos outros.

                  sonho_2.jpg

Entre o que, às vezes, “apetecia” fazer aquilo a que o dever de consciência obriga vai a distância que medeia entre a bravata e a verdadeira coragem, entre a atitude néscia e a verdadeira sabedoria.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 21:38
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1 comentário:
De Adalgisa Alexandra a 5 de Março de 2009 às 22:42
Grande lição Tia.
Gostei imenso deste texto. Certamente cada pessoa
reagiria de forma diferente
Como sempre um tema actual.
Muitos beijinhos Tia querida

Adorei estes olhos de gato.

Beijinhos

Gisa


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