Sábado, 14 de Março de 2009

Reminiscências 12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.697 – 14 – Fevereiro – 2003

Conversas Soltas

Reminiscências 12

                 

 

Gosto do número treze.

Gosto de bruxas.

Melhor, penso que gostaria, pois, ao que julgo, ainda não conheço nenhuma.

Gosto das sextas-feiras, e de tudo o que gera arrepios de medo a quem cultivar superstições.

Assim sendo, ao reparar que a evocação das minhas reminiscências já passara o número doze, logo me apeteceu para o décimo terceiro lugar, procurar no meu arquivo das lembranças alguma história, tanto quanto possível divertida, para espantar o agoiro.

O que vou contar com seu quê de anedótico, também serve para provar a força das aparências.

Morávamos nas Caldas da Rainha.

A cidade então, aí pelos anos sessenta, mantinha, (oxalá os conserve) costumes de um pitoresco irresistível.

Eram os mercados diários na Praça principal com as vendedeiras e vendedores transportando em burros e carroças as mercadorias que descarregavam espalhando-as no chão, sobre a calçada.

Eram os burros ajoujados com enormes cestos de grossa verga, onde vinham patos, frangos, frutas, hortaliças, e, até as crianças, os filhitos mais pequenos, anichados dentro deles, indiferentes ao balançar cadenciado da passada dos animais, sob a sombra protectora dos grandes chapéus de sol, dormindo como se estivessem nos seus próprios berços, ou, tudo espreitando, com olhos curiosos, como se estivessem à janela, quando “viajavam” acordados.

S/N - Portugal-Caldas da Rainha: Praça da Republica À hora do Mercado - Editor Fernando Daniel de Sousa - Editado em 1944 - Dimensões: 15,0x10,5 cm . - Col. Miguel Chaby

Era todo o colorido de frutas, flores, vegetais, loiças, e ainda o movimento dos fregueses e, dos compradores, a algazarra das conversas entrecruzadas, e de alguns pregões; a competição dos preços, regateados até ao meio tostão...

Talvez motivado por essa vivência de coração aberto duma cidade que se dá, sem reservas, a quem a visita e a quem nela vive; o convívio era franco e saudável entre toda a gente.

N.º 22 - Portugal Caldas da Rainha Tipos de Mercado. Vendedeiras de Fruta - Editor Passaporte Loty (Editado em 1951) - Dimensões: 9x14 cm. - Col. Miguel Chaby

Talvez também a proximidade do mar, as termas e todo o enquadramento próprio que torna as terras do litoral, com as idas e vindas dos banhistas mais garridas e livres do que as vilas e aldeias do interior das Beiras e dos Alentejos, tivessem também seu forte contributo no trato liberal com que todos nos saudávamos e convivíamos.

mercado.jpg

Então, aconteceu, que um bom amigo que era funcionário da mesma instituição em que meu marido trabalhava, era, simultaneamente dono de uma funerária.

Não sendo ele rico, esforçava-se por arranjar oportunidades para abichar negócios rendosos. Assim que, quando se estavam a terminar as obras da ponte, 25 de Abril, que na altura se havia de chamar Salazar teve conhecimento que os engenheiros americanos, antes de regressar às suas terras iam por em venda, assucatada, dos seus soberbos carrões.

Correu a Lisboa, e logo se afreguesou do maior que viu e, lhe pareceu ser possível de ser transformado em carrinha funerária.

Era uma bisarma desconforme!

Parecia coisa do tio Patinhas, na mais perfeita fantasia dos desenhos animados, com bandeirinhas, emblemas, e bem espelhado de cromados.

O nosso homem fez a aquisição e regressou às Caldas mais contente do que um frade beberrão, a quem dessem de presente o melhor vinho das missas e começou a convidar conhecidos e amigos para usufruírem da maravilha antes que a nova serventia lhe desvirtuasse a espampanante aparência.

Sendo nós também contemplados, calhou-nos numa tardinha de sol, partir ao acaso pelas estradas das redondezas, deambulando por entre verdes pomares, casais e pequenos vinhedos.

A certa altura, por um acaso, abrandamos ainda mais a velocidade de passeio em que seguíamos, porque à nossa frente iam, roncando desenvoltas, algumas luzidias motorizadas.

Foi então que, ao abeirarmo-nos, dum pequeno povoado começaram a estralejar foguetes, a filarmónica toda perfilada, rente à estrada, a tocar, o chefe da banda a gesticular, as crianças das escolas a dar vivas e a agitar bandeirinhas, as autoridades a empertigar-se e, nós, divertidos e admirados, soubemos que nos haviam confundido com um ministro que era esperado para a inauguração, se calhar, de alguma fonte de bica, ou quejanda insignificância, como é nosso uso!...

E, foi assim que um carro salvo da sucata, que era por fora de cordas de viola e por dentro de pão bolorento teve no seu passeio de despedida com ocupantes vivos, as honras que neste nosso mundo mais se prestam às belas aparências do que a modestas e, apagadas, excelências...

 

Maria José Rijo

estou:
música: Reminiscências 12

publicado por Maria José Rijo às 22:25
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8 comentários:
De Gustavo Frederich a 14 de Março de 2009 às 23:29
Olá Boa noite tia
Mais uma Reminiscencia - do seu livro especial.
Gosto das suas recordações e imenso pela forma
especial como as conta.

Sempre e a cada dia está de Parabens por este
singular blog.
Desejos de Felicidades para si tia e também para
quem gosta de vir a este dominio onde e só os
que aqui se sentem bem devem voltar e ficar, o
resto só os convido a sair.

Ficam muitos beijinhos para a minha Tia tão especial
Beijinhos

Gus
...
Invocação à Saudade

Oh Saudade! Oh Saudade!
Minhas endechas* mal carpidas colhe;
Dá-me em lúgubre som, como o das vagas,
Que nas praias se quebram
Sem ordem, como os meus chorados cantos;
Uma voz sepulcral, como a da rola
Que em solitária selva se lamenta
Um acento funéreo, um eco lúgubre
Como o eco das grotas quando a chuva
Goteja reboando.
Ah! Corram minhas lágrimas! ah corram
A quantos meus gemidos escutaram
Oh! Saudade! oh Saudade!
Pois que em minha alma habitar,
E sem cessar me lembras país e Pátria,
Minhas tristes endechas serão tuas,
Saudade, serei teu... Saudade, és minha.

+*+Gonçalves de Magalhães+*+
in Suspiros poéticos e Saudades, 1836



De Maria José a 15 de Março de 2009 às 21:25
Olá, meu sobrinho querido!
Tenho um mundo de coisas para contar , tantas que nem sei por onde começar
Mas...cá vai: - a minha Irmã, tem melhorado um pouco. Começo a sentir alguma tranquilidade. Àmanhã volta a fazer exames e só então saberei até quando deverei estar fora de Elvas.
Com esta inquietude tive que aceitar que já não sou capaz de fazer acrobacias com o tempo... Terei que entender que agora é cada coisa de sua vez. Assim sendo desliguei-me da obrigação moral dos jornais que como um fato justo já, por vezes, me constrangiam ocupando-me mais do que é saudável para as minhas capacidades
Se me apetecer escrever, fa-lo-ei sem horário e sem obrigação para a net.
Ganharei, se Deus quiser a disponibilidade de que preciso para catalogar albuns, livros e tudo o mais que é necessário fazer para, a projectada oferta desse acervo.
Também me sentirei liberta, para corresponder - com urgência - à necessidade de organizar alguns trabalhos meus que uma editora se propõe editar o que neste fim de percurso é muito reconfortante.
Depois previno se Deus quiser - quem sabe se querem vir ao lançamento!...
Vale um sorriso!
Obrigada pela sua sempre querida presença e pelos belos poemas que me enriquecem a alma.
Outra coisa que prometo, se a saude de minha Irmã mo permitir é procurar entre velhas papeladas alguns poemas mais ou menos aceitáveis para vos oferecer´. Ainda que nada valham não deixarão de ser um presente de bem querer. De muito bem querer.
Beijinhos tia Zé


De Gustavo Frederich a 16 de Março de 2009 às 17:06
Tia
Muito contente fiquei com este seu comentario e
adorei as novidades.
Acho muito bem o que a tia decidiu sobre o jornal,
realmente quando se trata de uma obrigação deixa
de interessar, já que não se poder fazer algo de que
se goste ou até do que se precise.
Em tempos escrevi certos textos para um jornal da
cidade onde vivia, mas eram muito bem pagos os
artigos, pelo que durante três anos me sacrifiquei ao
semanário.
Hoje era incapaz de esrever nos mesmos moldes,
nem mesmo por dinheiro.
Gosto da minha Liberdade e poder, com ela,disfrutar
do tempo todo.
Compreendo-a perfeitamente e acho que faz muito
bem minha tia. Escreva só quano lhe apetecer faze-lo
e faça só o que lhe agrada.
E claro tem sempre aqui este seu espaço a disposição
que pode sempre ocupar a seu belo prazer.
Parabens pela decisão.

Lamento imenso pela saude de sua irmã, e espero
que brevemente veja resolvido esse problema.
Beijinhos para a sua mana do Gus.


Fiquei imensamente Feliz por saber dessa publicação
e sei de ante mão que vai ser bem aceite no meio
pelo que conheço do que leio aqui, aredito que
seja um sucesso.

Fiquei imensamente feliz Tia por essas suas
novidade.
Espero que além da preocupação com a sua mana
que esteja bem e Feliz.
Gosto muito de si e fico sempre desejoso de ler as
suas novas poesias.
O meu amigo Padre Anton já lê perfeitamente o
português e está feliz por poder ler de dio a pavio
os seus textos.

Parabens Tia
e muitos beijinhos
do seu sobrinho

Gus


De Aristeu a 14 de Março de 2009 às 23:59
Queridissima tia
É-me sempre tão agradavel ler as suas reminiscencias
é um livro excelente, mais um que é bom.
Fico muito feliz por si e sabe que tenho um colega,
o Ary, que adora os seus poemas, tanto que mandou
os alunos fazerem trabalhos sobre a poesia e prosa
de sua autoria - indicando como base de consulta,
claro está, o seu blog, este dominio a que todos
v~em com imenso prazer.

De Brazilia com imenso carinho

Aristeu


De Maria José a 15 de Março de 2009 às 22:17
Meus queridos - mas eu estou para rebentar de vaidade!
Aonde já se viu um Senhor Professor de uma Universidade dar-se à paciência de catequisar um colega para o por a ler os escritos de uma velha tia?
Realmente, ninguém tem melhores sobrinhos do que eu.
Só Deus lhes pode pagar o encanto que trouxeram à minha vidinha rotineira.
No outro dia fiquei encantada com a pequena e bela oração que sua Mãe rezava e que o Aristeu me ensinou . Às vezes perante estas coincidências de gostos fico ainda com mais pena de me ter perdido do vosso convívio.
Achei graça também ao entusiasmo de seu Pai sobre o "balanço" que fiz sobre os desastres da governação sobre Elvas. Diga-lhe , por favor que encare a hipotese de eu ter que vos pedir asilo político!
Não acredito que , se puderem, não me bombardeem por cá, do pior jeito que encontrarem, como é costume. Aliás quem anda à chuva molha-se.
Mas, como conto ao Gus,foi a minha despedida como colaboradora habitual.
Deve ser da idade que o tempo já nada me rende e, qualquer preocupação me desestabiliza .
Depois, em consciência sinto que dei a Elvas , muito da minha vida.Meu sogro e meu Marido quando se falava do 14 de Janeiro diziam sem rebuço que morreriam por Elvas. Isso herda-se.Dentro do que me foi sendo possível fiz como eles - ofereci, dei, o meu trabalho, a escrever, como fui capaz sem lucros nem exigências.
Está na hora de sem preocupações de quaisquer desses encargos me sentar a fruir estes lindos dias de sol e pensar um pouco no meu sossego de alma e, neste momento até na edição que me é oferecida de alguns contos meus.
Encontrei hoje aqui estes vossos comentários a que somadas as respostas fica dito para todos o que me ocorreu neste intervalo de conversa, que espero volte agora a acontecer com mais frequência.
Logo que tenha datas vo-las darei sobre o livro e todo o mais.
Direi à minha Barbarinha que rezam por ela e, em nome dela e no meu muitos beiinhos também para o Gilinho
Com ternura e gratidão a tia Zé


De Aristeu a 16 de Março de 2009 às 17:33
Minha querida Tia
muito gostei eu do seu comentario e a vida é cheia
de coincidencias.
Ontem em conversas com o meu Pai, o Sr. Luciano e
o Tio Américo, chegamos a falar que seria uma
possibilidade da Tia se desligar dos jornais - 1 porque
a cidade está de uma maneira que se quizerem
vender qualquer um dos monumentos - que os
elvenses nem se preocupam, acho até que ficam
felizes, por isso o melhor é deixa-los gozar e ficar
cheios de Felicidade pelas maravilhas que se estão
a fazer por esses lugares.
Uma é melhor que a outra e assim sucessivamente.
A felicidade de todos e cada um é o ponto essencial
para uma vida feliz.
Parabens querida tia por essa decisão.
E sempre que lhe apetecer sempre pode enviar o
seu artigo.
O meu Pai e o tia americo estão aqui a dizer
que agora o amigo de Vila Viçosa só nos enviará os
Jornais de Elvas SÓ se a Tia escrever caso contráro
nem faz falta saber novidades.
Está dito.
A nossa porta está aberta para si tia.

Muitos PARABENS pelo futuro lançamento do seu
livro. Estou muito Feliz.
Estamos todos muito Felizes por esta belissima
novidade.

Ainda bem que gostou da ideia do meu colega e dos
trabalhos com os alunos dele.
Andam todos a consultar o blog e imagine já se
juntaram para fazer um almoço com as suas receitas
fizeram bolos e algumas sopas.
Estavam todos muito felizes.
E eu também.
Um grande beijinho


Ah e as melhoras da Tia Barbara - muitos beijinhos
para ela - beijinhos no coração
e no seu também

Seu sobrinho

Aristeu


De Dina a 15 de Março de 2009 às 15:20
Também gosto das sextas 13 embora confesse que tenho algumas superstições, aliás acho que todos nós as temos não é assim?
Ao ler o texto conseguia "ouvi-la" a contar a estória ou será história? (tenho sempre esta dúvida por isso aproveito e deixo a pergunta.
Continuação de bom domingo!!


De Maria José a 15 de Março de 2009 às 22:45
Minha querida Amiga de...desde sempre
Veja que nesta confusão de preocupções com doenças e rumos de vida a decidir tudo tem andado a leste da minha vontade e gosto.
Veremos se consigo agora alguma ordem mais no resto da jornada.
Vou tentar conviver um pouco mais convosco mesmo aqui pela net.
Por enquanto ainda estou muito preocupada com minha irmã, mas pensando bem o que se espera em idades como as nossas?
Eu costumo brincar dizendo que não me importo de ver passar comboios. Por enquanto ainda estou confortável sentada no apeadeiro, não tenho pressa de viajar nem em dias trezes...
Beijinhos e saudades
Maria josé


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