Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Ser de cá

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.860 – 31 de Outubro de 1986

                       

Lembrei-me duma história verdadeira, que em tempos me fez rir com gosto, embora se tivesse passado num velatório.

Uma velha Senhora chorava inconsolável o marido morto, então, sua filha já também de certa idade, abanou-a com ar reprovador dizendo:

- “Porque chora a mãe tanto? – “Ele” nem sequer era do seu sangue! – Eu, é que não poderei ter conformação – era o meu Pai”

E, com ares de dignidade ultrajada foi chorar para outra sala, o seu direito a um desgosto maior e diferente.

            Ana a Chorar.JPG

Foi disto que me lembrei – quando as pessoas mais ou menos afavelmente me dizem, conforme as circunstâncias – “Você não é de cá” – ou – “Você é como se fosse de cá”…

Qualquer das formas tem como conclusão única que – afinal – sou de outro lugar. Qual?

Ninguém sabe para mo dizer.

Dentro da original lógica da minha amiga da Guarda – só o sangue faz parentesco. Dentro da humana lógica da velha Senhora viúva, o amor, é o sangue que ata e desata os parentescos.

                  http://www.gin2008.org/kotisivut/docs/f837485183/logica_logo.jpg

Não discuto lógicas e, menos ainda, - Que Deus me defenda! – a lógica do amor… que nunca a teve – valha a verdade. Nem discuto o direito de cada qual, de chamar a si “dimensões” especiais de sentimentos nunca mensuráveis – quanto mais por manifestações mais ou menos históricas. Mas…como todos temos as nossas susceptibilidades deixem-me cultivar esta – quero saber de onde sou! – e já que de cá não sou embora pareça e, de onde sou, nem já parece ser – escolho para mim “pátria” a minha infância – que da sua lembrança colho o começo de tudo quanto fiz, faço, gostaria de vir a fazer ou de já ter feito.

Deste modo – estando aqui ou ali – serei sempre e apenas eu – à procura de mim – tendo como ponto de partida o amor daqueles a quem pelo sangue pertencerei sempre – mesmo que ninguém me reclame de qualquer terra ou lugar.

Assim – ser de cá ou de lá – já pouco importa – SER – será a minha meta.

 

Maria José Rijo

 

                       

 

estou:
música: Ser de cá - 1986

publicado por Maria José Rijo às 20:26
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3 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 16 de Março de 2009 às 22:53
Concordo consigo tia
Eu também já não pertenço a Setubal e agora que
vivo no Porto também não me sinto Portuense...
Percebo o que diz, mas eu acho, por exemplo
uma pessoa que saia da sua terra natal, por causa
do casamento, e que viva mais tempo nessa cidade
do marido, do que na cidade em que nasceu - de onde
é que vai dizer que é?
Eu diria que se deve sentir mais cidadã dessa cidade
onde viveu por mais anos do que da outra de
onde saiu.
Eu vejo assim e sinto também dessa forma.

Gostei muito do texto.
Parabens tia
Ah e muitos Parabens pelo lançamento do novo
livro.
Beijinhos para a sua irmã.

Beijinhos para si

Gisa



De Flor do Cardo a 17 de Março de 2009 às 00:30
Cara amiga
Mais um texto excelente - digam lá o que disserem.
Força e continue na sua senda de vida, agora o que
conta é a saude de sua irmã.
Nada mais conta que a saude, o resto passa para
segundo plano.

Fiquei muito contente com as suas novidades, são
mesmo boas, a vida é assim - o caminho é para a
frente e este blog é prova de como a sua vida -
como a minha já vai longa (até que o Senhor
quizer...) tantos anos a escrever e a defender uma
cidade.
Deixe falar quem fala
Deixe dizer quem diz
Deixe correr a água
da fonte para o chafariz.

Um grande abraço
deste seu amigo (agora do outro lado do oceano)
Luciano


ah o meu neto o Gílio está aqui a pedir para lhe
mandar muitos beijinhos e que está orgulhoso de
ser seu sobrinho.


Um abraço
Luciano


De Xavier Martins a 17 de Março de 2009 às 00:38
Minha Boa amiga
venho felicitá-la pelo outro artigo. Sempre a mesma
e especial lucidez - Força e vamos para a Frente.
Se o mundo fosse todo com a mesma opinião, então
de que servia ter opinião.
Se estivessemos muma ditadura (por vezes até
parece - só parece) não poderia haver opiniões
mas a Liberdade trouxe isso de bom - agora todos
podem dizer e opinar o que querem, mas há quem
diga o que outros desejam, e que por vezes nem
corresponde a essa realidade do seu coração.
Bom é algo assim...

Espero que a sua Irmã, a Senhora D. barbara
esteja melhor de saude, como dizia o Luciano
a saude é a unica coisa que importa o resto...
Empurra-se com a barriga.

Parabens também pela boa nova da publicação
futura.
Fico muito Feliz.

Um abraço e muitas alegrias

Xavier Martins



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