Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Coisas da Minha Memória

Á LÁ MINUTE

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.821 – 24 de Janeiro – 1986

  

De há uns anos para cá – caímos nisto! – Chamo-a, não me responde – se responde é lenta e negligentemente que o faz.

Se a censuro, esconde-se; se insisto desaparece, fico às apalpadelas no vazio, o que me desespera.

Tendo eu que viver com ela, que outra não tenho, e substitui-la me é impossível, o nosso relacionamento só subsiste porque sendo eu a viver dela, e sendo, também eu, o que ela me traz e dá – esforço-me por a ajudar e resigno-me a suportá-la tal e qual está.

Bem que eu a persigo e alicio; - vá, diz lá … diz! … diz!... Mas de nada me vale. Amua, caprichosa na birra, e não lhe tiro uma referência sequer, se for essa a deliberação que tomou.

Faz-me partidas a cada passo, e não se incomoda nada de me deixar suspensa e angustiada, no meio duma frase, e partir para voltar quando dela já não careço. Por vezes traz-me umas que lhe pedira, e mesmo sabendo que percebi a trapaça e não acho graça, - insiste, insiste, insiste!... Depois, aparece sorrateira, como se de nada pudesse ser acusada, trazendo nas mãos ofertas preciosas, que eu julgara perdidas para sempre.

E assim vamos indo!...

Diz-me com frequência que está cansada, velha, regressiva, e para mostrar dedicação, traz-me lembranças

 

enternecedoras, coisas que ela desencanta em recônditos escuros, e exibe-os vitoriosa, justificando-as por íntimos indícios.

As minhas mãos tocam um objecto, e em lugar de me deixar atenta ao que faço – não senhor! –

 

Mostra-me com elas os gestos de minha Mãe; - O relógio dá horas? – Em vez de me deixar ir realizar o que pretendo – não senhor! – Vejo o meu Pai suspender a leitura do Jornal, tirar os óculos – esfregar os olhos – repô-los, despedir-se e ir ao escritório.

           

Oh! – Que Deus me valha! – Pois queria eu hoje falar de coisas que pensara, e aqui fiquei, esperando em vão – quem, à hora certa, me falhou e se sumiu para parte incerta, com a bagagem que eu juntara.

Isto é feio e não se faz!

-- É justo que eu desabafe!

 

Maria José Rijo

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 21:23
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5 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 13 de Abril de 2009 às 22:12
OH TIA
Mas eu adorei este texto. Adorava saber escrever
assim. desta forma linda, como a tia faz.
Adoro ler este blog.
Esta menina que está consigo é tão linda, de
trancinhas.~
Que foto ternurenta neste abracinho.

Parabens minha Tia

Gisa


De Dolores Maria a 13 de Abril de 2009 às 22:19
Olá minha querida Tia e Amiga
E a Pascoa já passou, Graças a Deus.
Por aqui correu bem, estivemos em familia, com a
nossa linda menina a rir e a brincar.

E a sua Pascoa? Foi Boa? A tia está feliz?
Espero e desejo que sim, que tudo esteja na paz e
tudo calmo.
O frio voltou e eu espero que a Tia não se deixe
constipar.
Gostamos muito de si e não queria ve-la doente.
Cuide-se está bem, nossa querida tia.
E a sua mana já está bem de saúde?
Beijinhos para ela
e um milhão para si.

Com muita ternura
Dolores
Avelino e Bagézinha



Ah - eu também concordo com o que a Gisa disse.
A foto é um torrãozinho de açucar e estão as duas
Lindissimas.
Muitos beijinhos

Dolores


De Gustavo Frederich a 13 de Abril de 2009 às 23:00
Cumprimentos de Paz
beijinhos de Parabens por mais esta maravilha.
Tia é de alma lavada que me sinto, realmente
Pietrelcina lava a alma, deixa-nos novos - como
folhas em branco.
Rezei imenso por nós e por todos os que a Tia
gosta. Todas as pessoas que vivem no seu lindo
coração.
Rezei na campa dos nossos Santos amigos.
Rezei pedindo também para que a tia continue a
escrever maravilhas como esta.
É lindissimo eu gosto imenso.
Anton - o nosso amigo e presente padre - mandou-me
um e-mail a dizer que está adorando ler o seublog.
Já o leu de fio a pavio.
Tirou imensas cópias de textos que a ele lhe
agradaram e tirou (isso eu adivinhei) todas as
suas poesias.

É que Ler Maria José Rijo (a minha Tia) é um
presente dos céus.
Gosto muito de si e as memórias são mesmo assim.
Só nos mostram o que elas querem e quando
querem. São assim todas, só que umas
começam a ficar pelo caminho, parando aqui, ali
junto daquela flor, um pouco mais a frente...
Mas todas fazem o mesmo, nem todas conseguem
chegar ao limiar...
É mesmo assim.
Muitos beijinhos

Gus


De Amilcar Martins a 13 de Abril de 2009 às 23:28
Conordo com os comentarios anteriores, eu
gosto imenso de esperar que nasça o novo texto.
Só me deito depois de ler o seu artigo e até que não
esteja on-line não descanço.

Os meus Parabens por este que é magnifico.
Realmente a memória tem destas coisas, a minha
também não está lá muito agadavel, também se
esconde e nem sempre aparece... coisas da idade
suponho eu, no entanto em gente muito mais nova
eu oiço dizer o mesmo, dos esquecimentos.
MAis um dos males deste século.

Gostei imenso deste artigo.
Aliás eu gosto SEMPRE, acredite .

Um abraço

Amilcar martins


De Xavier Martins a 13 de Abril de 2009 às 23:38
Pois é cara amiga
A memória é mesmo assim - nem sempre ela está
disponivel - quando dela precisamos.
A minha, falha por vezes , no entanto actua
regularmente, mas como dizia no comentario anterior
a juventude esquece-se mais facilmente e de tudo.

Minha amiga
Gostei do seu texto, um texto excelente - um texto
com 23 anos.
Os meus Parabens .
Gosto mesmo muito dos seus artigos.

Um abraço
Xavier Martins


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