Domingo, 19 de Abril de 2009

Repisando...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.704 – 4 - Abril - 2003

Conversas Soltas

 

 

       escrita

Escrevo para este Jornal há tantos anos que por vezes receio recontar algumas histórias.

É que hoje, e, penso que pela última vez, vou voltar ao assunto da Praça da Republica e não queria que me julgassem tão teimosa como a mulher do «piolhoso» (cuja odisseia, não me lembro se já contei) e que o “dito” deitou ao poço saturado de ela assim lhe chamar, mas, que, ao afogar-se, manteve as mãos fora de água até que pode, fazendo com os polegares o gesto de matar os parasitas que originaram o conflito.

É que não se trata, aqui, de um caso de teimosia.

Trata-se de um caso de convicção.

Trata-se de saber, e sentir que adversário, não é inimigo.

Inimigo, é quem nos quer mal, nos odeia, nos prejudica.

Adversário, é apenas: opositor.

Assim é no futebol, e em todos os desportos.

Trata-se de ter a consciência, plena, de que os adversários fazem parte da solução dos problemas

Porque adversário é aquele que contrapõe ideias.

É quem nos obriga a pensar que há mais soluções, e mais possibilidades de resolução, que não, a nossa.

É quem nos abre hipóteses de escolha.

É quem respeita a nossa inteligência e bom senso e acha que não é perda de tempo dividir connosco o resultado da sua própria experiência, e, muito principalmente, do que se ausculta – às vezes- daqueles que por dependerem de nós  se calam, por medo, na nossa frente.

Esses, por condição de vida são os mais fracos, são as vítimas dessa violência, disfarçada, que resulta do abuso do exercício do poder.

São os que se remetem ao silêncio temendo represálias.

Não consigo ver o Poder, senão como uma forma de servir. Jamais como uma forma de coagir.

Deus me livre que me respeitem, ou me escutem, apenas pela minha idade, aliás, só usa essa desculpa como argumento, quem tem consciência de que lhe faltam razões, e, portanto utiliza esse chavão, a meu ver, desonestamente, para fingir uma educação, superioridade e delicadeza, de que, não dispõe.

Rezo para que me escutem, por apresentar as minhas convicções com bom senso, correcção de forma e respeito pelos meus adversários ou, por acharem que são razoáveis as propostas que defendo.

                     

Rezo para que se perceba que, dentro do meu critério, só assim, assumo as minhas responsabilidades de munícipe.

Nem idade, nem poder, dão razão a quem quer que seja, se não a tiver.

Quem entender de forma diferente abusa de circunstâncias que lhe são favoráveis, mas, age com prepotência.

Ora, todo este prólogo porquê?

Porque muita gente me pede que fale no parque para automóveis em projecto para a nossa Praça Maior.

Por coincidência de opiniões, com tais alvitres, já duas vezes fiz tais referências.

Agora, porém, surgiu um dado novo.

Pessoa respeitável, alvitrou-me que sugerisse à Câmara para que consultasse a opinião pública para a execução de projecto tão controverso.

Lembrou-me que outras Câmaras já o fizeram a propósito de situações como esta, em que a dúvida sobre alterações tão radicais, dividem os munícipes.

Nomeadamente em Tavira.

      

Penso que vale a pena.

Até porque tudo o que pacifique os ânimos não é para desprezar.

É que a Paz, resulta da nossa conversão íntima à não-violência, mesmo verbal. (não é minha a frase!)

Tudo o que nos é imposto, é indiscutivelmente um acto violador da nossa Paz interior.

Um atropelo aos nossos direitos de cidadania.

 

Maria José Rijo

estou:

publicado por Maria José Rijo às 20:29
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6 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 19 de Abril de 2009 às 21:27
Olá tia
Passei, como em todos os dias para lhe deixar
neste nosso cantinho tão querido.
Aqui no nosso ponto de encontro.

Muitos beijinhos tia

Gisa


De Xavier Martins a 19 de Abril de 2009 às 21:37
Muito bem.
Bem feita a defesa . Gostei da ideia e do caminho
que segue para opinar - assim - desse seu jeito
sempre tão interessante.

Os meus sinceros Parabens
Deste seu amigo e admirador

Xavier Martins


De Aristeu a 19 de Abril de 2009 às 22:07
Minha tão querida tia
hoje nova novidade - imagine que o Tio Américo
levantou-se de noite - sem o dever fazer - e
escorregou e caiu.
Partiu a perna direita.
O Gilio a esquerda... a Tia já viu a minha vida?

O meu pai leva o dia a zangar-se ora com ora com
o outro.
O gílio porque tem de sair e o Tio Américo porque
a horta assim e mais assim...

Como vê estou-me a queixar a si. :(

E a Tia como está?
Espero e desejo que esteja bem.

Um grande beijinho

Aristeu


De Maria josé a 23 de Abril de 2009 às 21:48
Meu querido - quase me atreveria a escrever Meu Menino - Eu sei que os senhores professores pais de família e mais isto e mais aquilo são homens de barba rija que aguentam tempestades e marés altas..
Eu sei ...mas como se diz em " Le petit Prince" toutes les grande personnes ont d´abord été des enfants"
e um pouco de colo sabe bem até a velhotas como eu.
Um beijinho grande do tamanho da ternura com que acolhe os que ama.
Tia Zé


De Narciso Barão a 19 de Abril de 2009 às 22:33
D. Maria José
Os meus Parabens por este blog.
Gosto imenso de ler os seus artigos de opinião.

Excelentes artigos.
É um blog fantastico.

Os meus Parabens

Narciso Barão


De Maria José a 23 de Abril de 2009 às 21:53
Narciso Barão
Se devo agradecr a visita , devo outro tanto pela simpatia da generosa opinião
Obrigada - maria josé rijo


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