Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Comentar sorrindo

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.478 – 13 de Novembro de 1998

 

 

     

Toda a gente soube e viu como foram complicadas as precauções tomadas para proteger os chefes de estado e suas comitivas durante a cimeira que se realizou no Porto

Toda a gente pode ver barcos, helicópteros, ambulâncias e tudo o mais que é possível organizar para proteger pessoas tão importantes.

Eu sei, sabemos todos, até o Padre Rêgo no programa “setenta vezes sete” não se cansa de repetir, que: -“ toda a gente é pessoa”. O que o padre se tem esquecido de precisar, é que, há pessoas cujas vidas têm cotação muito mais alta do que a de outras.

Que nem sempre a Vida vale por ser Vida! Mas sim por ser a Vida de quem é...

Não fora assim e a televisão já nos teria mostrado, viaturas como aquela onde até se podem executar operações cirúrgicas como fazendo parte do equipamento de socorro, à disposição de toda e qualquer unidade hospitalar, para acudir aos sinistrados no trabalho, ou nas estradas por exemplo...que, sendo gente, e por conseguinte pessoas delas necessitassem.

        Foto da Cimeira Luso-francesa

Aproveito para dizer que percebo perfeitamente que todas estas cimeiras se realizam no anseio de providenciar união e entendimento, quanto baste, para criar justiça e fraternidade entre os homens. Intenções que se consideram muito respeitáveis e, até bonitas...

Só que, os tais outros, que vivem tão apagados que ninguém os vê, sendo embora pessoas, são tão maus, coitadinhos, que já não acreditam nestas coisas tão importantes e muito à alentejana, como também é meu jeito, comentam sorrindo: tá bem dêxa! - E vão à vida porque se adoecem estão tramados pois as tais maravilhas são para ver na televisão, não para uso da plebe. e em questões de segurança, valha-nos o anjo da guarda!- sabido que sem ele, estamos todos é à disposição do diabo - salvo seja! O que é muito divertido.

E se observarmos com mais atenção ainda nos divertimos mais., o que é razoável

       

Então se Fidel de Castro se propôs falar em estilo telegráfico (afirmação sua) e não se calou durante horas, quantos anos mais serão necessários para a revolução de Cuba gerar a tal igualdade entre os camaradas?

Fica-se com a impressão de que o atraso é dos correios ou do telégrafo dada a extensão das mensagens a transmitir, evidentemente!

Também não entendi por que cargas de água andou o escritor do prémio Nobel metido naquelas andanças políticas. Ser amigo de Fidel, que dele queria matar saudades, não o tornou um membro da dita cimeira

Vivo com a incómoda impressão de que um dos males do nosso país é a mistura das estações...

Talvez seja reflexo do meu traquejo de dona de casa...: gosto de ter um lugar para cada coisa e, como se pode depreender, cada coisa no seu respectivo lugar. Dentro do critério exibido, se um qualquer outro presidente quisesse ter visto oEusébioEusébio e outro a Rosa MotaRosa Mota, lá teríamos tido acumulativamente uma cimeira de desportos.

Por acaso, ou talvez não, não aprendi o nome de Saramago agora. Os seus livros, embora nem todos, já eram do meu conhecimento. Dá-se até a circunstância de ter feito neste jornal uma crónica sobre o Memorial do Convento – em que focava uma troca de princesas aqui no Caia.

      

Fixei o nome de Saramago na época dos saneamentos no Diário de Notícias de que Saramago terá memória e à sua “dinâmica” muito se deveu. Lembrei-me disso quando numa entrevista, televisionada, presenciei a humilhação que soberanamente infligiu a um jovem entrevistador que lhe fez uma pergunta fora do seu agrado

Os deuses nem sempre são misericordiosos e também há anjos vingadores!

É lógico que ver premiar a língua portuguesa na pessoa de um autor que é conhecido de meio mundo, não deixe indiferente rigorosamente ninguém mas não é essa agora a questão.

         

Outra discrepância que me prendeu a atenção foi nas instalações de camionagem no Arco do Cego onde agora se embarca e desembarca nas idas a Lisboa, talvez porque por lá não passam elementos de cimeiras se tenham esquecido de que um edifício grande não chega...

Salas de espera espaçosas, com cobertura, bancos cómodos, chamadas por altifalantes, números de autocarros e horas em ecrans bem visíveis, enfim: - limpo, ordenado, esclarecedor, funcional...tudo bem!

Mas... e, que mas!...

Alguém pensou numa rampa e em carrinhos para transporte das bagagens!?

Alguém cuidou de pensar na violência que representa subir aqueles degraus com as malas!?

Alguém se deu conta de que velhos e novos têm direito à mesma dignidade como pessoas de um qualquer VIP?

Eu sei que são pormenores, sei! - Mas são as tais pequenas coisas que mostram, ou não, que, quem decide, pensa, ou não, que” toda a gente é pessoa”.

         

Fachadas para olhar, estarrecer e dizer que se fizeram mundos e fundos – são uma coisa...

Iniciativas que demonstrem respeito pelo humilde “Zé pagante” como indivíduo – podem não ser igualmente vistosas, mas são as mais urgentes e necessárias.

São as que fazem que cada um se sinta, como é de seu direito: um cidadão respeitado. e não alguém que pode ser tratado como um vulgar burro de carga.

            

Como se vê não faltam razões para sorridentes comentários!...

 

Maria José Rijo

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 22:26
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4 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 21 de Abril de 2009 às 00:02
Muito... Muito interessante
este seu artigo.
Sabe que eu acho que são sempre artigos
muito actuais, sejam lá de que anos forem.

As suas mensagens são sempre importantes.
Tem um espólio magnifico.
Oh tia só tenho que agradecer, agradecer esta
maravilha de blog - sem ele nunca teria eu este
privilégio de a poder ler.
Um grande, grande beijinho

desta sua sobrinha
Gisa


De Xavier Martins a 21 de Abril de 2009 às 00:10
D. Maria José
Mas que artigo excelente.
Assino também em baixo do comentário anterior.
É que os seus textos têm essa particularidade
de estarem sempre actuais.

Por isso e por tudo o que tem aqui nesta maravilha
de blog.
Os meus Parabens

Xavier Martins


De rosamaria a 21 de Abril de 2009 às 14:10
Que maravilha .

Essa sua forma de escrever sempre me encantou desde o primeiro dia em que a conhecia, parabéns


De Maria José a 23 de Abril de 2009 às 21:32
Olá Amiga!
Hei-de lembrar-me sempre daquela linda flor amarela!
Daquele Natal...
E, sempre sempre dessa maravilha de voz que Deus lhe deu.
Saudades e um beijo
Maria José


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