Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

O Último São Mateus!”

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.676 - 20 –Setembro - 2002

Conversas Soltas

“O Último São Mateus!”

 

Pode parecer estranho este título!

Pode! Mas não é.

Este é o último São Mateus em que o Parque da Piedade goza dos restos do seu enquadramento tradicional.

Ainda não há muitos anos, as oliveiras vicejavam no cabeço sobranceiro ao muro, que suporta as terras da encosta do pequeno monte, e cria o espaço para a perspectiva mais larga do olhar sobre o templo do Senhor Jesus da Piedade.

Para um lado e para outro, do largo que acrescenta o adro, seguiam-se lances curtos de caminho rústico ladeado de velhas árvores que davam ao Santuário a envolvência de paz que a Natureza misericordiosa oferecia ao romeiro que chegasse.

Sentia-se uma espécie de abraço à aproximação do recinto, quer vindo da cidade, quer vindo da estrada de Lisboa.

Aquele enquadramento natural delimitava um mundo, dentro de outro mundo.

Formava-se ali, como que um recatado oásis de fé.

Por um lado, beiravam o percurso- Quintas com história.

Por outro, o começo da própria história da origem do Santuário, com a Quinta dos Passarinhos, que fora pertença do Beneficiado Manuel Antunes que ao colocar por gratidão uma cruz, no local onde caiu da sua montada e invocar a Deus para que lhe valesse, deu origem ao culto do Senhor Jesus da Piedade.

Sob a protecção das oliveiras, como as de Jesus no Horto, acamparam ao longo de séculos, gerações e gerações de peregrinos no pequeno monte sobranceiro ao local, e em seu redor.

Correram os tempos, passaram os anos, e tudo foi mudando.

Mansamente, foi-se fazendo a adaptação às novas exigências do progresso e dos costumes.

Porém, parece-me, nem sempre o bom senso moderou as decisões que se foram tomando.

A “Quinta do Bispo”- penso que agora já todos estarão de acordo: - foi sacrificada, sem honra nem glória, para dar lugar àquilo que todos podem ver...e, abriu caminho, desaparecendo, ao que já se pode avaliar, e se desenha a passos largos:

Embeber o Santuário na desenfreada urbanização que já ameaça o seu nobre isolamento.

Não sou contra o progresso, (como é obvio) só não posso confundir, e não confundo construção desenfreada, delapidação da memória dum povo, com progresso!

(É meu Mestre o Arquitecto Ribeiro Telles!)

E sinto e penso com convicção que, assim como numa relação de Amor entre pessoas, também a relação de Amor entre gentes e cidades e locais têm os seus mistérios, os seus fluidos, o seu espírito, como que uma espécie de resplendor de alma criada pela seu próprio historial que é preciso não destruir; a troco de igualizar, o que era distinto, tornar vulgar o que era ímpar, abandalhar o que era nobre e único.

E, não me venham dizer que falo de utopias, sonhos irrealizáveis, e todo o mais que vos aprouver.

Quando eu contrapus -  á ideia de se fazer do Forte de Santa Luzia uma Pousada - o projecto que depois foi adoptado, - muito comentário parecido foi proferido...

E, porque o Dr. João Carpinteiro, nele acreditou, o Senhor Professor Miguel Baena, que com o Sr. Arquitecto Leite Rio e Sr. Arquitecto Pedroso Lima, propuseram-se fazer o projecto que, por acaso, até foi presente ao senhor Presidente da Republica, na presidência aberta em Elvas, o sonho triunfou.

Estávamos em 6 Março de 1989 quando chegou o primeiro orçamento cuja cópia tenho em mãos ao recordar estes factos.

        

Às vezes “acreditando em utopias”, como se vê pelo êxito da obra do Forte, consegue-se preservar o tal fluido que como um milagre segura nos locais os rastos da história... A memória dos tempos...a alma das gentes...

Assim tivesse sido com a Quinta do Bispo e, tantas coisas mais que essa “lástima” precederam e outras, que por môr dela, irão sucedendo, nunca aconteceriam, o que era, sem dúvida, um Bem para todos.

  Maria José Rijo

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 20:56
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6 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 22 de Abril de 2009 às 22:05
Olá tiazinha
Muito boa noite. Hoje tem aqui umas fotos
magnificas. Tem uma cidade muito linda.
Aqui no seu blog vou dando conta da beleza
de Elvas.

Os meus Parabens por mais este bello artigo.
Um grande beijinho tia

Gisa


De Maria José a 23 de Abril de 2009 às 20:33
Querida Gisa - como vê eu ando um pouco como a lua, só que ela faz os quartos alternados e eu estou quase sempre em lua nova.
Espero que este dia de hoje seja um sinal de crescente e que pelo menos por estes tempos mais chegados, nada me impeça de chegar a lua cheia!
Minha Irmã está agora em Cascais em casa de uma das netas. Vamos ver até quando a normalidade se mantem!
Beijinhos e obrigada pela sua fidelidade e pelo apreço pelas fotos da nossa Paulinha e pela nossa cidade
Um xi-coração -Tia Zé.


De Flor do Cardo a 22 de Abril de 2009 às 22:31
Minha cara amiga
Mais um excelente texto, aliás como são todos os
seus artigos de opinião.
Minha amiga - eu não gosto, detesto, para ser franco
ver aquele casario todo , quase de paredes meio com
a igreja da Piedade. O santuário perde todo o ar de
paz e fé que possuia e começa a pertencer ao novo
bairro.
Eu, em vez daquele espaço cheio de ervinhas e com o
banquinho plantaria ali uma mata de árvores para
separar o casario amontoado do espaço de fé.
Tem que haver a tal separação e tenho cá para mim
que agora todas aquelas pessoas que ali compraram
casa, qualquer dia começam a gritar ao vento que o
arraial se faz muito ruido e que nem podem descançar.
Cá estaremos para ver e ouvir os comentarios e aí
o melhor é acabar com a feira.
Tudo acaba, o São Mateus um dia terá o seu fim...
como tudo.
É apenas a minha opinião. Cada um, cada qual, terá a
sua e todas serão boas.

Os meus Parabens por este grande texto.
Gosto sempre muito de estar aqui nestas belas
páginas.
Estas fotografias são de uma beleza extraordinária.
Deram conta da minha saudade.
Um abraço minha amiga

Luciano



Ah
e cá de casa as coisas nao estão tão bem quanto
quereriamos.
O Gílio etá contrariado (novamente) por ter de estar
de cama e não se poder movimentar como ele
queria.
O Américo agora fala com a mulher dele. Leva horas
a falar, a falar e nem ouve o que lhe dizemos.
Estou muito preocupado.

E a minha amiga como está?
A sua mana já está melhor de saúde?
Espero e desejo que sim.
Despeço-me com amizade

Luciano


De Maria José a 23 de Abril de 2009 às 20:52
Meu querido Amigo - sinto-o preocupado e reconheço que razões não lhe faltam para isso.
Pensar no tio Américo como o descreviam e como agora se encontra, deve ser angustiante. Há porém uma circunstância que talvez possa dar alguma paz.É que as pessoas de idade quando estão muito tempo doentes e inativas passam por essas situações com frequência mas em retomando o ritmo de vida superam. Já vi acontecer isso com familiares meus e com amigos que estivram hospitalizados muitos dias.
Vamos ter esperança - valeu?
Quanto ao Gilinho pode ser que não queira voltar à experiência da imobilidade e evite mais aventuras destas. Que mais não seja para dar descanço aos corações de quem lhe quer bem.
Quem é tão querido e perfeito porque se esforça tanto para ter que ser consertado?
Peça-lhhe que não se arrisque por coisas tão "pequenas" - peça! - ele sabe que a vida vale muito mais do que essas aventuras - mas de qualquer forma um grande, grande, beijo para ele.
Sei que está comigo no olhar de amor por Elvas.
Sei desde sempre, mas, também ambos sabemos que o deus-lucro - perverte o bom senso e cega às vezes...
Um abraço grande da sua amiga Maria josé


De Xavier Martins a 22 de Abril de 2009 às 23:54
Cara amiga
É um prazer ter o acesso ao seu espólio literário.
Aos seus artigos de opinião.
Estou encantado com as fotografias que em cada dia
nos mostra em cada seu post.
É um prazer autentico ler esta sua forma de
comentar e opinar o que está defronte dos olhos de
todos.
Estive no ano passado no São Mateus de Elvas e até
estive na sua belissima Exposição Percurso.
Também eu reparei no casario que assoma da parte
de cima da Igreja - assim perdeu-se parte do
encanto , da espiritualidade, perturba-se o recinto
da fé.
Concordo com o Luciano e deveria haver ali uma
barreira de árvores para afastar aquele casario todo.
Mas não é assim e assim continuará.
D. Maria José muito obrigado por ter este
magnifico blog e continuação - é que eu gostaria
de ler tudo, tudo tudo.

Um abraço

Xavier Martins


De Maria José a 23 de Abril de 2009 às 21:04
Xavier Martins
De verdade que não conheço forma de agradecer tão boa e generosa companhia nesta caminhada do "nosso" blog.
Como tenho contado isto é trabalho da Paulinha que em cada manhã eu própria venho espreitar. Não faço ideia de quantos artigos ela já editou. Julgo que ao todo devo ter escrito 800 ou 900 pelo que ela ainda deve ter reservas.
As fotografias são quase todas dela de modo que eu chamo ao blog dela a minha praia e vou lá também em cada dia descansar os olhos na forma bela como ela apanha o mundo que a cerca.
Deixo-lhe também um abraço grato e amigo
Maria José


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